REsp 1951615 - DECISAO
O STJ deu provimento ao Recurso Especial e restabeleceu a sentença de primeiro grau ao reconhecer que, quando a demanda diz respeito à má gestão, saques indevidos ou à não aplicação de índices de correção e juros pelo Banco do Brasil na conta PASEP, a legitimidade passiva é do próprio Banco do Brasil, não se...
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- Parties
- Réu: Banco do Brasil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "c", Da Cf) / Decisão Do Recurso Especial Com Provimento, Restabelecendo a Sentença De Primeira Instância
- Outcome
- Recurso Especial provido; sentença de primeira instância restabelecida.
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva, PASEP, Competência, Súmula 42/stj, Gestão De Fundos Públicos
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Parties
Banco do Brasil
Réu
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "c", Da Cf) / Decisão Do Recurso Especial Com Provimento, Restabelecendo a Sentença De Primeira Instância
Legal Issues
- 1 legitimidade passiva do Banco do Brasil em ações relativas ao PASEP
- 2 competência da Justiça Estadual para causas envolvendo sociedade de economia mista (Súmula 42/STJ)
- 3 responsabilidade por má gestão, saques indevidos ou não aplicação de índices de juros e correção monetária nas contas do PASEP
Ratio Decidendi
O STJ deu provimento ao Recurso Especial e restabeleceu a sentença de primeiro grau ao reconhecer que, quando a demanda diz respeito à má gestão, saques indevidos ou à não aplicação de índices de correção e juros pelo Banco do Brasil na conta PASEP, a legitimidade passiva é do próprio Banco do Brasil, não se aplicando, nessa hipótese, a substituição pela União como ré.
Court Disposition
Recurso Especial provido; sentença de primeira instância restabelecida.
Orders
- Dar provimento ao Recurso Especial
- Restabelecer a sentença de primeira instância
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "c", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul cuja ementa é a seguinte (fl. 565, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO DE COBRANÇA. BANCO DO BRASIL. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O Banco do Brasil não possui legitimidade para figurar no polo passivo de ações em que se discute as contribuições inerentes ao fundo PIS/PASEP, em virtude de atuar como mero agente arrecadador dos respectivos valores. Precedentes do STJ e desta Corte. RECONHECIDA A ILEGITIMIDADE PASSIVA DO RÉU. RECURSO PROVIDO. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fl. 589, e-STJ). O recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu divergência jurisprudencial. Aduz ofensa aos arts. 4º e 502 do CPC e aos arts. 7º, 8º e 10, II, do Decreto 4.751/2003. Defende, em suma, a legitimidade do Banco do Brasil para figurar no polo passivo da presente demanda, porquanto ele foi o responsável pela gestão dos valores vinculados a sua conta PASEP. Contrarrazões apresentadas às fls. 683-687, e-STJ. Decisão de admissibilidade do recurso às fls. 695-699, e-STJ. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 4.8.2021. Sobre a legitimidade, assim se manifestou a Corte de origem (fl. 561, e-STJ): Com efeito, em se tratando de demanda envolvendo questões referentes aos recursos do PASEP, tem-se o Banco do Brasil como mero operador/pagador do Programa de Formação do Patrimônio Público (PIS/PASEP), não sendo parte legítima para figurar no polo passivo da demanda, ainda mais quando já não mais detém os recursos atinentes a tal espécie de benefício. Logo, ao Banco do Brasil incumbe apenas a atribuição de repassar os valores apontados pelo gestor aos beneficiários. É entendimento do STJ que, em ações nas quais se requer a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao PASEP, a União deve figurar no polo passivo da demanda. No entanto, conforme a decisão de fls. 255-259, e-STJ, no caso dos autos, a demanda não versa sobre índices equivocados de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, mas sobre responsabilidade decorrente da má gestão do banco, de saques indevidos ou de não aplicação dos índices de juros e de correção monetária na conta do PASEP. Assim, tem-se a conclusão de que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil S.A.Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. PASEP. DESFALQUE. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. BANCO DO BRASIL. INSTITUIÇÃO GESTORA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA 42/STJ. 1. Na origem, trata-se de Ação Ordinária ajuizada contra o Banco de Brasil S.A., na qual se pleiteia a recomposição de saldo na conta Pasep, tendo em vista suposta incorreção nos valores existentes, derivada de saques e correções errôneas do saldo depositado. 2. É entendimento do STJ que, em ações nas quais se requer a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao Pasep, a União deve figurar no polo passivo da demanda. No entanto, conforme delineado pelo acórdão recorrido, no caso dos autos, a demanda não versa sobre índices equivocados de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, mas sobre responsabilidade decorrente da má gestão do banco, de saques indevidos ou de não aplicação dos índices de juros e de correção monetária na conta do Pasep. Assim, tem-se a conclusão de que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil S.A., o que define a competência da Justiça Comum Estadual. Precedentes do STJ. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.885.941/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 1º/3/2021) CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PASEP. SAQUES INDEVIDOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. BANCO DO BRASIL. INSTITUIÇÃO GESTORA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA 42/STJ. CONFLITO DE COMPETÊNCIA CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO DE DIREITO DA 12a. VARA CÍVEL DE RECIFE -PE. 1. A Primeira Seção desta Corte tem entendimento predominante de que compete à Justiça Estadual processar e julgar os feitos cíveis relativos ao PASEP, cujo gestor é o Banco do Brasil (sociedade de economia mista federal). 2. Incide, à espécie, a Súmula 42/STJ : Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento. 3. Conflito de Competência conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 12a. Vara Cível de Recife -PE. (CC 161.590/PE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 20/2/2019) PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO ORDINÁRIA AJUIZADA CONTRA O BANCO DO BRASIL. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. SÚMULA 42/STJ. 1. A ação ajuizada contra o Banco do Brasil S/A, objetivando o cálculo da correção monetária do saldo da conta vinculada ao PASEP e a incidência de juros, impõe a aplicação das regras de fixação de competência concernentes às sociedades de economia, uma vez que o conflito de competência não é instrumento processual servil à discussão versando sobre a legitimidade ad causam. 2. Destarte, sendo o Banco do Brasil uma Sociedade de Economia Mista, não se inclui na relação prevista no art. 109, I, da Constituição da República, de modo a excluir a competência da Justiça Federal, a teor do que preceitua a Súmula n.º 42 desta Corte: "Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento". 3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Estadual. (CC 43.891/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ 6/6/2005, p. 173) CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. ALVARÁ JUDICIAL. LEVANTAMENTO DE VALORES RELATIVOS AO PASEP. TITULAR VIVO. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA. BANCO DO BRASIL. GESTOR DO FUNDO. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA N.º 42/STJ. 1. A expedição de alvará judicial, requerido pelo próprio titular da conta, para o levantamento de valores relativos ao PASEP é, a princípio, procedimento de jurisdição voluntária, devendo ser ajuizado perante à Justiça Comum Estadual. Precedentes. 2. Ainda que o procedimento assuma caráter contencioso, observa-se que o Banco do Brasil figura como depositário dos valores perseguidos, sendo também o administrador do referido programa, de modo que deverá figurar, de forma exclusiva, no polo passivo da demanda. 3. Sendo essa instituição financeira uma sociedade de economia mista, não se inclui na relação prevista no art. 109, I, da Constituição da República, de modo a excluir a competência da Justiça Federal, a teor do que preceitua a Súmula n.º 42 desta Corte, segundo a qual "compete à justiça comum estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento". 4. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito, suscitado. (CC 44.202/BA, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, Primeira Seção, DJ 27/9/2004, p. 181) Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, restabelecendo a sentença de primeira instância. Publique-se. Intimem-se.