AREsp 1838814 - DECISAO
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CASIMIRO GAIDUKAS NETO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: Execução individual....
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- Parties
- Agravante: CASIMIRO GAIDUKAS NETO; Parte Executada/municipalidade: Prefeitura Municipal de Sorocaba; Autarquia Mencionada: SAAE; Entidade Fundacional Mencionada: FUNSERV; Autor Da Ação Coletiva Mencionada: Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva, Ação Coletiva, Execução Individual, Preclusão/coisa Julgada, Custas De Retardamento, Fungibilidade Recursal, Embargos De Declaração, Prequestionamento
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Parties
CASIMIRO GAIDUKAS NETO
Agravante
Prefeitura Municipal de Sorocaba
Parte Executada/municipalidade
SAAE
Autarquia Mencionada
FUNSERV
Entidade Fundacional Mencionada
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba
Autor Da Ação Coletiva Mencionada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento quanto às alegadas omissões do acórdão recorrido
- 2 possibilidade de execução individual de sentença coletiva e legitimidade passiva do Município versus autarquias
- 3 aplicabilidade da fungibilidade recursal em face de erro grosseiro na interposição de apelação quando cabível agravo de instrumento
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CASIMIRO GAIDUKAS NETO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: Execução individual. Servidor municipal transferido para o SAAE. Evolução funcional. Necessidade de execução em face à Prefeitura e autarquia para o cumprimento do julgado proferido em ação coletiva ajuizada por sindicato da categoria para o fim de garantir o reenquadramento funcional de todo o funcionalismo municipal de Sorocaba, inclusive dos servidores autárquicos. Sentença de improcedência da impugnação reformada. Recurso provido. Embargos de declaração rejeitados. Recurso Especial acolhido para fim de manifestação desta Câmara sobre a possibilidade de execução do julgado relativo à ação coletiva contra a Prefeitura. Acórdão mantido, em cumprimento à decisão da Corte Superior. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, no que concerne à negativa de prestação jurisdicional, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Em sede de embargos de declaração, como o acórdão original não havia deliberado sobre a principal matéria de defesa do(a) servidor(a) que é a preclusão/coisa julgada sobre a legitimidade do Município para figurar no polo passivo da execução por não ter suscitado tal matéria na ação coletiva e nem em momentos posteriores, solicitou-se a análise deste argumento, dentre outros, com amparo no art. 1.022 e 489 § 1º, IV do CPC. O Tribunal afirmou não haver "nulidade, erro, omissão, obscuridade, dúvida ou contradição a reconhecer" e disse que os embargos tinham "notório caráter infringente", decisão anulada pelo STJ que determinou o retorno dos autos para apreciação dos aclaratórios. Data venia, o novo julgamento continua sem adentrar os 4 momentos de coisa julgada cuja apreciação se pleiteou nos embargos de declaração, permanecendo a falta de enfrentamento da "tetra coisa julgada" que consolidou a legitimidade passiva do Município, tornando impossível a rediscussão dessa matéria em sede de execução. O novo julgamento afirma que ilegitimidade é questão de ordem pública olvidando-se que mesmo questões de ordem pública se pacificam com a ocorrência da coisa julgada. Com efeito, matérias de ordem pública são cognoscíveis em qualquer tempo e grau de jurisdição mas obviamente desde que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado, quando então a coisa julgada só pode ser rescindida por ação rescisória, que não é o caso dos autos. Logo, tal argumento não refuta a necessidade de a Corte enfrentar os vários momentos consolidando a legitimidade passiva do Município (fl. 966). Quanto à segunda controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 203 e 1.015 do Código de Processo Civil, e interpretação divergente em relação a esses dispositivos legais, no que concerne à impossibilidade de se admitir o recurso de apelação apresentado em razão de erro grosseiro, não cabendo a aplicação do princípio da fungibilidade, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O acórdão recorrido, integrado pelo julgamento dos embargos de declaração, afirmou não haver erro grosseiro pois embora a decisão recorrida não tenha sido extintiva do processo, ela tem natureza jurídica de sentença e a fungibilidade recursal permite conhecer o recurso de apelação. Data venia, a tese adotada pelo Tribunal contraria texto expresso do CPC que atribui expressamente natureza de decisão interlocutória a decisões que não põem fim à execução, o que veda a aplicação da fungibilidade pois não há dúvidas de que o recurso correto era agravo de instrumento (a ser interposto à 2ª instância) e foi apresentada grosseiramente uma apelação, em 1ª instância (fl. 963). Dado o texto expresso da lei que não deixa qualquer dúvida objetiva, como a decisão de piso não extinguiu a execução, a interposição de apelação ao invés de agravo de instrumento é erro grosseiro que não permite a aplicação do princípio da fungibilidade mesmo porque o agravo exige requisitos específicos não observados pela parte adversa (fls. 963/964). Quanto à terceira controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alega violação do art. 932, III, do Código de Processo Civil, e interpretação divergente em relação a esse dispositivo legal, no que concerne à inadmissibilidade do recurso de apelação por falta de impugnação específica da sentença guerreada, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Simplesmente insistir numa tese de forma aleatória sem impugnar especificamente os fundamentos da sentença é justamente o que o referido dispositivo de lei federal vem combater e foi exatamente o que ocorreu no caso em questão. A sentença trouxe valorosos argumentos com menção à coisa julgada, às particularidades da ação coletiva e peculiaridades do Município de Sorocaba que o obrigam a responder pelo crédito dos servidores autárquicos, não obstante o apelo se limitou a sustentar a ilegitimidade por conta da autonomia formal da autarquia, em completo desrespeito ao princípio da dialeticidade (fl. 965). Quanto à quarta controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 485, VI, 502, 505, 506, 507, 508 e 779 do Código de Processo Civil, e interpretação divergente em relação a esses dispositivos legais, no que concerne à preclusão para ente federativo questionar sua legitimidade passiva para responder pela evolução funcional de servidores autárquicos e fundacionais, em razão do trânsito em julgado de ação coletiva em que aquele figurou sozinho no polo passivo da demanda, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Após fazer uma síntese sobre a ação coletiva movida por Sindicato contra o Município, o confuso acórdão recorrido afirma que a execução deve ser proposta contra terceiro(s) que o próprio acórdão reconhece não integrar o título executivo. É o que se lê claramente no trecho em que o acórdão, embora reconheça que a ação coletiva foi proposta apenas contra o Município abrangendo os servidores autárquicos e fundacionais, contraditoriamente conclui que a execução correspondente não deve ser promovida indistintamente contra o Município, devendo ser dirigida contra o(s) ente(s) da Administração Indireta. Curiosamente, o acórdão afirma que somente a autarquia e FUNSERV poderiam cumprir a obrigação de fazer, desprezando que o próprio Município, em sede de execuções propostas contra ele por servidores subordinados à FUNSERV, já havia quitado centenas de requisições de pagamento, inexistindo qualquer óbice para o cumprimento da medida. Instado, em embargos declaratórios, a se manifestar especificamente sobre a coisa julgada/preclusão especificamente porque o Município não suscitou ilegitimidade na ação transitada em julgado, o Tribunal não sanou a omissão, ratificando o posicionamento de que o SAAE/FUNSERV devem ser os executados, finalizando com a alegação de que " não há ofensa à coisa julgada ". Tal posicionamento fere diretamente a lei federal, pelo seguinte: o acórdão altera questão já decidida atinente à pertinência subjetiva do Município quanto ao crédito dos servidores autárquicos, matéria que já estava definida como imutável com o trânsito em julgado da ação coletiva, consoante o disposto nos artigos 502 e 504 do CPC, in verbis: .. SAAE e FUNSERV não fizeram parte da ação coletiva, como o próprio acórdão reconhece, logo a coisa julgada não inclui esses entes nem os prejudica de sorte que considerá-los parte legítima para responder as execuções é violar o disposto no art. 506 do CPC, in verbis: .. O acórdão delibera sobre tema que já estava precluso eis que o Município jamais suscitou sua ilegitimidade na ação coletiva, contrariando o disposto no artigo 507 do CPC, in verbis: .. O acórdão desprezou o disposto no artigo 508 do CPC que considera deduzidas e repelidas todas as alegações - no caso a ilegitimidade - com o trânsito em julgado da ação de conhecimento: .. O acórdão violou o disposto no artigo 503 do CPC ao qualificar legitimidade como se fosse uma questão prejudicial. Legitimidade passiva é condição da ação, questão preliminar, não se confundindo com questão prejudicial, como fez erroneamente o acórdão. São "prejudiciais" as questões atinentes à existência, inexistência ou modo de ser de uma relação ou situação jurídica que, embora sem constituir propriamente o objeto da pretensão formulada (mérito da causa), são relevantes para a solução desse mérito (por exemplo, relação de filiação, na ação de alimentos ou de petição de herança; validade do contrato na ação de cobrança de uma de suas parcelas). São inconfundíveis com as questões preliminares, que concernem à existência, eficácia e validade do processo (condições da ação). O entendimento de que a execução deve ser proposta contra o SAAE e FUNSERV também contraria a lei federal sob outro ângulo. Tais entes não se enquadram em quaisquer dos casos previstos no artigo 779 do CPC cujo texto é comentado a seguir à luz da presente causa: .. Desta feita, contraria os arts. 485 VI e 502, 505, 506, 507 e 508 do CPC (coisa julgada) dizer que entes que não figuraram na decisão judicial da ação coletiva que está sendo executada e que também não se enquadram a qualquer dos incisos do art. 779 do CPC devam responder as execuções individualizadas, excluindo justamente o devedor que foi reconhecido como tal no título executivo e onde não fez qualquer ressalva sobre sua legitimidade (fls. 968/970). Quanto à quinta controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 267, VI e § 3º, do CPC/1973, no que concerne à responsabilidade do ente federativo pelas custas de retardamento por não ter alegado, na primeira oportunidade em que lhe cabia falar nos autos, a sua ilegitimidade passiva, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Como se vê, o acórdão não faz ressalvas quanto à isenção que deve ser atribuída aos beneficiários da justiça gratuita e mais, ignora completamente o suscitado em embargos de declaração onde se advertiu que o Município não invocou a pretensa ilegitimidade no momento apropriado (a ação coletiva), quando vigorava o disposto no art. 267 VI § 3º do CPC/73, in verbis: .. Dizer simplesmente que a condenação do exequente decorre do princípio da causalidade, pois promoveu a execução em face da Prefeitura, supostamente parte ilegítima para cumprir o julgado, contraria a autoridade da lei federal que traz disposição específica para os casos em que a parte retarda a alegação de ilegitimidade (fl. 981). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, no que concerne ao art. 489, § 1º, IV, do CPC, incidem os óbices das Súmulas n. 282 e 356 do STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente aponta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019.) Confira-se também o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.559.920/SE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, segundo a jurisprudência do STJ, o óbice da Súmula n. 284 do STF, em razão da falta de comando normativo dos artigos de lei federal apontados como violados ou como objeto da divergência jurisprudencial, incide em duas situações: quando não têm correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque a legislação apontada tem caráter genérico, seja porque, embora consignem em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Sendo assim, verifica-se, da leitura das razões do recurso especial, que os dispositivos legais apontados como violados não têm comando normativo para amparar a tese recursal. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado, quando ele contém desdobramentos em parágrafos, incisos ou alíneas, induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULO DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021. Ademais, em relação à alínea "c", não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não cumpridos os requisitos legais dos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; e AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Quanto à terceira controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "O Tribunal de origem não tratou do tema ora vindicado sob o viés da exegese dos artigos 131 e 139 do CPC/1973, e, tampouco o recorrente opôs embargos de declaração visando prequestionar explicitamente o tema. Incidência da Súmula 211/STJ". (AgInt no REsp n. 1.627.269/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/9/2017.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Em relação à alínea "c", novamente não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não cumpridos os requisitos legais dos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Quanto à quarta controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Enfatiza-se que no Agravo de Instrumento 0173879-68.2011.8.26.0000, interposto contra decisão que indeferira execução provisória do julgado relativo a ação coletiva, a turma julgadora entendeu que, "em se tratando de execução relativa a sentença genérica, proferida em ação coletiva, não de execução comum, típica do CPC, não se aplica o artigo 1º-D da Lei n. 9494/97 e deve cada interessado ingressar em Juízo por meio de procurador constituído regularmente, para executar o julgado no que lhe diga respeito. A execução de sentença de ação coletiva tem elevada carga cognitiva porque nela se promove a individualização e liquidação do valor devido e juízo sobre a titularidade do exequente quanto ao direito material. A falta de individualização dos créditos implica nulidade da execução e não se pode perder de vista que os beneficiários podem propor ações individuais sobre o mesmo crédito e não se pode admitir duplicidade. No caso presente, a propósito, não são poucas as ações individuais ajuizadas para reconhecer o direito dos servidores à contagem de pontos e seus reflexos, conforme critérios estabelecidos pelo art. 23, incisos I, II e IV, da Lei municipal n. 3.801/91, afastada a avaliação de desempenho prevista no inciso III, por falta de regulamentação prevista no art. 52 da mesma lei municipal. O montante das verbas atrasadas deverá ser apurado em execução individual, observada a prescrição qüinqüenal, com incidência de correção monetária pela tabela prática para cálculo de atualização monetária dos débitos judiciais do Tribunal de Justiça e juros de 6% a.a. a partir da citação e aplicação da Lei n. 11960/09 na sua vigência" (negritei). Logo, cabível a execução do título executivo judicial referente à ação coletiva ajuizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba, que deve, entretanto, ser promovida em face da autarquia em relação a diferenças vencidas, sendo a Municipalidade parte ilegítima para figurar no polo passivo. É de se esclarecer, ainda, que para iniciar a execução individual não basta ao exequente amparar-se na sentença condenatória genérica. É de rigor que o fato constitutivo do direito do interessado, ou seja, a situação individual de cada servidor, seja ativo, inativo, autárquico ou fundacional, seja demonstrada na fase do cumprimento do julgado. Assim, não há óbice ao reconhecimento da ilegitimidade de parte arguida pela Prefeitura Municipal em impugnação à execução do título judicial referente à ação coletiva, como no caso destes autos, em que a execução individual está sendo promovida por servidor autárquico, mesmo porque se trata de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício. Acrescente-se, também, que nos termos do CPC/2015 as questões prejudiciais não fazem coisa julgada, somente as questões principais: .. Daí se conclui que farão coisa julgada material as questões prejudiciais quando da sua resolução depender o julgamento da questão principal, desde que respeitado contraditório efetivo, o que no caso específico dos autos, somente foi efetivamente observado quando da apreciação da execução individual do julgado coletivo. Nesse sentido o artigo "Sentença e coisa julgada no Código de Processo Civil de 2015", de autoria de Gisele Leite, in https://jus.com.br/artigos/44636/sentenca-e-coisa-julgada-no-codigo-de-processo-civil- de-2015. Frise-se que a coisa julgada vale entre as partes e é incontroverso que, tanto a autarquia SAAE quanto a FUNSERV, não foram parte na ação coletiva; a coisa julgada não beneficia tampouco prejudica terceiros que não foram parte no processo, sendo que cada um dos interessados deve ingressar com a execução individual desse julgado, o que permite a apreciação da ilegitimidade de parte. Se o Sindicato apontou o Município como parte é porque entendia ter ele condições de cumprir o julgado, mas isto não torna verdadeiro o que não o seja; por isso, na execução a Prefeitura não ficou impedida de objetar o pedido demonstrando não ter como cumprir o julgado em relação a servidor autárquico ou fundacional, sem perder de vista que alguém pode ter sido servidor da Prefeitura antes de ser autárquico ou aposentado, hipótese na qual a Municipalidade pode ter providências a tomar e/ou pagamento a fazer. A cada servidor cabe verificar sua própria situação e à Municipalidade, se contra ela for movida execução de impossível cumprimento, incumbe fazer a objeção pertinente. A coisa julgada se refere às partes e à relação de direito material existente entre elas. Cada servidor deverá ter sua situação analisada em apartado em cada execução. Portanto, não cabe à Administração Direta do Município cumprir a obrigação de fazer referente ao exequente, servidor autárquico, que nunca esteve vinculado à Municipalidade, uma vez que a coisa julgada se refere às partes e à relação de direito material existente entre elas. No caso dos autos, somente a autarquia e/ou a FUNSERV podem cumprir a obrigação de fazer. Não há, assim, ofensa à coisa julgada, tampouco incidência de custas de retardamento. A condenação do exequente decorre do princípio da causalidade, pois promoveu a execução em face da Prefeitura, parte ilegítima para cumprir o julgado. Ademais, as alegações agora formuladas, de que a Secretaria Municipal de Recursos Hídricos e a direção do SAAE são ocupados pela mesma pessoa, não autoriza desconsiderar as personalidades jurídicas e não afasta a ilegitimidade da Prefeitura para arcar com diferenças salariais de período em que o exequente não pertencia aos seus quadros - fls. 949-951. (Grifo nosso.) Aplicável, mais uma vez, o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas do embasamento utilizado no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Quanto à alínea "c", na espécie, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige a transcrição de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s). Nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não foi comprovado, pois a parte agravante não efetuou o devido cotejo analítico entre as hipóteses apresentadas como divergentes, com transcrição dos trechos dos acórdãos confrontados, bem como menção das circunstâncias que os identifiquem ou assemelhem, nos termos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/1973 (ou 1.029, § 1º, do CPC/2015) e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ". (AgInt no REsp n. 1.840.089/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/6/2020). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; e AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020. Quanto à quinta controvérsia, o Tribunal assim discorreu: Não há, assim, ofensa à coisa julgada, tampouco incidência de custas de retardamento. A condenação do exequente decorre do princípio da causalidade, pois promoveu a execução em face da Prefeitura, parte ilegítima para cumprir o julgado. Ademais, as alegações agora formuladas, de que a Secretaria Municipal de Recursos Hídricos e a direção do SAAE são ocupados pela mesma pessoa, não autoriza desconsiderar as personalidades jurídicas e não afasta a ilegitimidade da Prefeitura para arcar com diferenças salariais de período em que o exequente não pertencia aos seus quadros - fls. 951/952. Aplicável, novamente, o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas do embasamento utilizado no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.