AREsp 2693289 - DECISAO
Negado provimento ao agravo porque o Tribunal de origem fundamentou que a dívida é propter rem, o executado ainda figura como proprietário na matrícula do imóvel e não há prova nos autos de ciência do condomínio acerca da alienação antes do fato gerador da dívida, de modo que não se configurou omissão nos embargos...
Source-derived case information.
- Parties
- Mencionada Nos Autos Como Suposta Adquirente (nome Em Boletos): DAKOTA ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA; Empresa Indicada Como Adquirente/parte a Ser Intimada (instrumento De Promessa De Cessão De Direitos): PATRIMÓVEL CONSULTORIA IMOBILIÁRIA S/A; Exequente/agravado: exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva, Despesas Condominiais, Repetitivo Tema 886/stj, Embargos De Declaração, Inadmissão De Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DAKOTA ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA
Mencionada Nos Autos Como Suposta Adquirente (nome Em Boletos)
PATRIMÓVEL CONSULTORIA IMOBILIÁRIA S/A
Empresa Indicada Como Adquirente/parte a Ser Intimada (instrumento De Promessa De Cessão De Direitos)
exequente
Exequente/agravado
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 Se o vendedor do imóvel responde por despesas condominiais constituídas após a alienação quando não comprovada a ciência do condomínio sobre a transferência
- 2 Se a existência de boletos em nome de terceiro comprova a ciência do condomínio sobre a alienação do imóvel
- 3 Se houve omissão no acórdão quanto aos argumentos apontados pela parte recorrente (arts. 489 e 1.022 do CPC)
Ratio Decidendi
Negado provimento ao agravo porque o Tribunal de origem fundamentou que a dívida é propter rem, o executado ainda figura como proprietário na matrícula do imóvel e não há prova nos autos de ciência do condomínio acerca da alienação antes do fato gerador da dívida, de modo que não se configurou omissão nos embargos de declaração nem no acórdão impugnado.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão publicada na vigência do CPC/2015, que inadmitiu o recurso especial diante da ausência de evidência de violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e parágrafo único, II, do CPC e negou seguimento ao recurso quanto ao Tema n. 866/STJ (e-STJ fls. 81/84). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 27): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESPESAS CONDOMINIAIS. LEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER PELA DÍVIDA. RESP 1.345.331/RS. TEMA 886/STJ. 1. Sem prova da ciência do condomínio quanto à venda do bem imóvel, o proprietário responde pelas despesas condominiais ainda que constituídas após a alienação. 2. Não está provado no processo que o condomínio teve ciência acerca da alienação do imóvel antes do fato gerador da dívida. 3. O débito ostenta natureza propter rem e o executado ainda consta como proprietário do imóvel que gerou a exação. 4. Recurso conhecido e desprovido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 44/47). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 49/59), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente apontou contrariedade arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, parágrafo único, II, do CPC e 1.345 do CC. Com relação à apontada nulidade, assevera a parte recorrente que o acórdão estadual foi omisso ao analisar os seguintes tópicos (e-STJ fls. 53/54): 15. O acórdão recorrido não analisou todo s os argumentos deduzidos no processo, capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada. 16. Isso visto que o acórdão deixou de analisar que o recorrido sempre teve total conhecimento quanto à transação e à imissão na posse da adquirente, tendo, inclusive, acostado nos autos principais os boletos da unidade objeto da presente demanda em nome da DAKOTA ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA (fls. 60/65). 17. E mais, o próprio recorrido reconheceu a ilegitimidade passiva da ora recorrente, requerendo a alteração do polo passivo com a intimação da PATRIMÓVEL CONSULTORIA IMOBILIÁRIA S/A (empresa que realizou um instrumento de promessa de cessão de direitos com a DAKOTA ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA - fls. 197/203). 18. No entanto, o acórdão foi omisso quanto à ciência do recorrido antes do ajuizamento da execução, assim como durante todo o período de cobrança das cotas condominiais. Assim, requereu o provimento do recurso, para reforma do acórdão recorrido. No agravo (e-STJ fls. 103/110), a parte agravante afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Não foi apresentada contraminuta (e-STJ fl. 118). Quanto à contrariedade ao art. 1.345 do CC foi negado seguimento ao recurso especial (art. 1.030, I, "b", do CPC), não sendo o tema objeto do presente agravo em recurso especial (cf. e-STJ fls. 103/110). É o relatório. Decido. Atendidos os requisitos de admissibilidade, especialmente a dialeticidade recursal, conheço do agravo. A controvérsia tem origem em exceção de pré-executivida de ajuizada pela parte executada, ora recorrente, a qual foi rejeitada. O Tribunal de origem negou provimento ao agravo de instrumento da parte recorrente, afastando a tese de ilegitimidade passiva para a causa nos seguintes termos (e-STJ fls. 28/29): A matéria devolvida a este E. Tribunal de Justiça cinge-se quanto à legitimidade passiva do vendedor de imóvel para responder pelos débitos condominiais constituídos após a alienação do bem O exequente, ora agravado, pretende receber as cotas condominiais vencidas da loja 209 do Edifício Comercial "OCEAN MALL". Alegou o agravante que esta unidade foi adquirida pela empresa PATRIMÓVEL CONSULTORIA IMOBILIÁROS S/A, conforme instrumento, celebrado em 28/02/2002, sendo o adquirente imitido na posse e com assunção da responsabilidade por todos impostos, taxas e contribuições, nos termos da cláusula 7.1. Defende, assim, a sua ilegitimidade passiva. Em ação de cobrança de despesas condominiais, possível o reconhecimento da legitimidade passiva do alienante, quando o condomínio não teve ciência acerca da transferência do imóvel, conforme entendimento do Superior no Tema Repetitivo n. 886/STJ. A dívida ostenta natureza propter rem e o executado ainda consta como proprietário do imóvel que gerou o débito. Ademais, também não está provado no processo que o condomínio teve ciência acerca da alienação do imóvel antes do fato gerador da dívida (vide fls. 193/203). Sobre a ofensa aos arts. 489 e 1.022, do CPC, o Tribunal de origem rejeitou os embargos de declaração, como se vê à fl. 46 (e-STJ): Da leitura do acórdão se depreende que todas as questões relevantes foram nele tratadas, sendo o seu conteúdo harmônico e dotado de premissas lógicas, impassível de dúvida quanto à sua real interpretação. O acórdão é categórico no sentido de que a dívida ostenta natureza propter rem , o executado ainda consta como proprietário do imóvel que gerou o débito e que não está provado no processo que o condomínio teve ciência acerca da alienação do imóvel antes do fato gerador da dívida. Acrescento que a existência de boletos de condomínio em nome de DAKOTA ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA (fls. 60/65) não é fato suficiente para fazer prova de que o condomínio teve ciência da existência da alienação do bem imóvel, se o ora embargante ainda consta como proprietário na matrícula do bem e não há nos autos qualquer elemento de prova que permita afirmar, com juízo de certeza, acerca da ciência inequívoca do condomínio quanto à alienação do imóvel. Não há, portanto, qualquer erro material, omissão, obscuridade ou contradição a serem sanadas. Isso porque os embargos de declaração não constituem o meio adequado para o reexame da matéria já decidida, com a finalidade de modificar o resultado do julgado, divergente daquele pretendido pela parte. Como visto (e-STJ fls. 28/29), o TJRJ, quando do julgamento da apelação, já havia se manifestado sobre a questão da legitimidade passiva. Portanto, não fica configurada negativa de prestação jurisdicional quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, ainda que em sentido diverso do sustentado pela parte, como de fato ocorreu. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se. EMENTA