AREsp 2726564 - DECISAO
Por se tratar de pedido de nulidade de registro de marca praticado pelo INPI, este é legítimo para figurar no polo passivo (litisconsórcio passivo necessário). No mérito, a marca requerida reproduz integralmente o elemento nominativo da marca anteriormente registrada, atuando no mesmo ramo de mercado; assim, a...
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- Parties
- Agravante/recorrente: COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA.; Parte Ré/órgão Público: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conversão Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo convertido em recurso especial
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva, Registro De Marca, Distintividade, Confusão De Consumidor, Coexistência De Marcas, Litisconsórcio Passivo Necessário
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Parties
COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA.
Agravante/recorrente
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
Parte Ré/órgão Público
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conversão Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Legitimidade do INPI para figurar no polo passivo em ação que ataca ato administrativo de registro de marca
- 2 Aplicação do art. 124 da Lei de Propriedade Industrial para vedar registro que cause confusão ou associação indevida
- 3 Avaliação da distintividade e semelhança entre sinais/marcas
Ratio Decidendi
Por se tratar de pedido de nulidade de registro de marca praticado pelo INPI, este é legítimo para figurar no polo passivo (litisconsórcio passivo necessário). No mérito, a marca requerida reproduz integralmente o elemento nominativo da marca anteriormente registrada, atuando no mesmo ramo de mercado; assim, a adição de fórmula de uso comum e de elemento figurativo não assegura distintividade suficiente, havendo semelhança e risco de confusão para o consumidor, o que impede a coexistência dos sinais e impõe prevalência do direito de exclusividade do titular registrado.
Court Disposition
Agravo convertido em recurso especial
Orders
- Converto o agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por COOPERATIVA VINÍCOLA AURORA LTDA. (VINÍCOLA AURORA) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre manejado, por sua vez, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE PASSIVA. INPI. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. LEI Nº 9.279/96. REGISTRO DE MARCA. CRITÉRIOS. RAMO DE MERCADO. SINAIS MARCÁRIOS. SEMELHANÇAS. EXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PARA O CONSUMIDOR E/OU ASSOCIAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DE FORMA HARMÔNICA. 1. Como o pedido versa sobre a declaração de nulidade de registro de marca concedida pelo INPI, este possui legitimidade para figurar no polo passivo da lide que ataca o ato administrativo por si praticado, estando configurada hipótese de litisconsórcio passivo necessário (art. 114, CPC). 2. Consoante dispõe o art. 124 da Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/96), para uma marca ser passível de registro, não pode representar imitação ou reprodução de elemento característico de título de estabelecimento, nome de empresa de terceiros ou marca alheia já registrada ou que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, suscetível de causar confusão ou associação com sinal ou marca alheios. 3. No caso dos autos, a autora visa registrar marca para atuação em segmento de mercado senão idêntico, muito semelhante àquele em que atua a titular da marca paradigma. 4. Além disso, a marca cujo registro pretende a parte autora reproduz, na totalidade, a marca nominativa titularizada pela empresa ré (sendo elemento principal de ambos os sinais). O acréscimo de expressão de uso comum, inapropriável a título exclusivo por estar diretamente relacionada com os produtos/serviços assinalados (art. 124, VI, da LPI), e de elemento figurativo não são capazes de conferir a necessária distintividade entre as marcas. 5. A confrontação das marcas em litígio revela claramente a semelhança entre os sinais, de maneira que, em se tratando da atuação no mesmo ramo de atividades (comércio, exportação e importação de bebidas), a confusão gerada no público consumidor, em caso de coexistência, é indiscutível. 6. Constatada a impossibilidade de coexistência de ambos os sinais em razão de potencial confusão ou associação indevida gerada aos consumidores (em ofensa ao art. 124, XIX, da LPI), deve prevalecer o direito exclusividade de que goza a apelante (art. 129, caput, da LPI) (e-STJ, fl. 604). Opostos embargos de declaração por VINÍCOLA AURORA, foram rejeitados (e-STJ, fls. 634/639). Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, VINÍCOLA AURORA alegou a violação dos arts. 489, 1.022 do CPC, 188, I, CC, 2º, III, 122, 129, 130, III, da Lei nº 9.279/96, 1º, IV, 5º, caput, II, XXIX, XXXVI, da CF, aduzindo que (1) o acórdão recorrido foi omisso; e (2) há distintividade suficiente entre as marcas, que convivem há mais de quarenta anos, não sendo suscetível de causar confusão no mercado (e-STJ, fls. 648/669). O recurso não foi admitido (e-STJ, fls. 718/723). Nas razões do presente agravo, VINÍCOLA AURORA alegou que não incidem os óbices invocados (e-STJ, fls. 732/740). Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 749/763). É o relatório. DECIDO. Para melhor exame da controvérsia, CONVERTO o agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDEFERIMENTO DE REGISTRO DE MARCA. USO EXCLUSIVO DE EXPRESSÃO. RAMOS DE ATIVIDADE. CONFUSÃO. AGRAVO CONVERTIDO EM RECURSO ESPECIAL.