AREsp 2910071 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o entendimento do acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o FNDE possui legitimidade passiva para compor a lide relativa ao FIES, não havendo óbice de admissibilidade do...
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- Parties
- Agravante: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE; Requerida: Caixa Econômica Federal; Autora: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva, FIES, Transferência De Financiamento Estudantil, Aplicação Retroativa De Normas
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Parties
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE
Agravante
Caixa Econômica Federal
Requerida
parte autora
Autora
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 legitimidade passiva do FNDE em demandas sobre o FIES
- 2 admissibilidade de recurso especial na vigência do CPC/2015
- 3 aplicação retroativa de nova regulamentação do FIES
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o entendimento do acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o FNDE possui legitimidade passiva para compor a lide relativa ao FIES, não havendo óbice de admissibilidade do recurso nos termos do CPC/2015 e do Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ; aplica-se a Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fl. 275): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. TRANSFERÊNCIA DE FIES PARA IES DISTINTA. NOVO PARÂMETRO FIXADO PELA PORTARIA MEC 535/2020. NOTA DE CORTE DO VESTIBULAR. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1. Pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, enquanto gestor do FIES e operador do SisFIES, detém legitimidade para figurar no polo passivo das demandas envolvendo tal programa governamental" (AgInt no REsp 1.823.484/SE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, Primeira Turma, julgado em 18/11/2019, DJe 20/11/2019). 2. Acerca da aplicação retroativa de novas regras referentes ao FIES, o Supremo Tribunal Federal enfrentou a matéria e firmou o entendimento de que há, nesses casos, violação da segurança jurídica. (ADPF 341, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 22/02/2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-03-2023 PUBLIC 02-03-2023) 3. In casu, o contrato FIES foi firmado anteriormente à alteração da Portaria regulamentadora do programa, de forma que não se mostra razoável a aplicação retroativa da nova regra referente a transferência de cursos no FIES. 4. Remessa necessária e apelação parcialmente providas, apenas para reconhecer a legitimidade passiva do FNDE. Embargos de declaração rejeitados. No recurso especial, o agravante sustenta a ofensa aos artigos 3º, § 1º, II e 20-B, § 2º, da Lei n. 10.260/2001 ao argumento de que o FNDE não é parte legítima para figurar no polo passivo de demanda, pois "não é o ente responsável para disponibilizar os aditamentos e repasses financeiros dos contratos FIES firmados a partir do 1º semestre de 2018, considerando que é a Caixa Econômica Federal a Agente Operadora desses financiamentos estudantis, a partir de então e de acordo com o art. 3º, inciso II, da Lei n. 10.260/01" (fl. 313). Sem contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. Cuida-se, na origem, de mandado de segurança ajuizada pela parte autora contra a Caixa Econômica Federal e o FNDE, na qual requer a transferência do financiamento (FIES), inicialmente concedido para o Curso de Medicina no Centro Universitário FAMETRO, em Manaus, para o Curso de Medicina do Centro Universitário UNIFAMAZ, em Belém. Feitas essas breves observações, passa-se ao exame do recurso especial. No que tange à legitimidade passiva do recorrente, verifica-se que entendimento do acórdão recorrido apresenta-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que o FNDE, enquanto gestor do FIES e operador do SisFIES, detém legitimidade para figurar no polo passivo das demandas envolvendo referido programa governamental. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENSINO SUPERIOR. ART. 1.022, II, DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEGITIMIDADE PASSIVA DO FNDE PARA COMPOR A LIDE QUE TRATA DO FIES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A alegação genérica de ofensa ao artigo 1.022 do CPC, sem especificar em que consistiria a real ausência de pronunciamento e qual seria a relevância da tese suscitada apta a promover a alteração do julgado, atrai a aplicação da Súmula 284/STF. 3. O acórdão recorrido apresenta-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que o FNDE, enquanto gestor do FIES e operador do SisFIES, detém legitimidade para figurar no polo passivo das demandas envolvendo referido programa governamental. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.122.114/PB, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 10/10/2024.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. FIES. ERRO EM SISTEMA INFORMATIZADO. FNDE. LEGITIMIDADE PASSIVA. 1. Não se configura a ofensa aos arts. 1.022 e 489 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. 2. Acerca da legitimidade passiva do recorrente, o STJ já se pronunciou no sentido de que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, enquanto gestor do FIES e operador do SisFIES, detém legitimidade para figurar no polo passivo das demandas que envolvem tal programa governamental. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.142.119/SE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 22/8/2024.) Desse modo, incide à questão o enunciado da Súmula n. 83/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENSINO SUPERIOR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO FNDE PARA COMPOR A LIDE QUE TRATA DO FIES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.