AREsp 3163964 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente que a demanda versa sobre saques indevidos/má gestão e ausência de aplicação de rendimentos, matéria abrangida pelo Tema 1.150/STJ, legitimando o Banco do Brasil como parte passiva e determinando competência da...
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- Parties
- Agravante: BANCO DO BRASIL S.A.; Parte Demandada: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Impugnação De Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva Ad Causam, PASEP, Responsabilidade Civil Por Saques Indevidos, Competência Da Justiça Estadual, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Prequestionamento
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Parties
BANCO DO BRASIL S.A.
Agravante
UNIÃO
Parte Demandada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Impugnação De Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 existência de omissão/negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 CPC)
- 2 legitimidade passiva do Banco do Brasil em demandas sobre conta vinculada ao PASEP
- 3 distinção entre falha de gestão/saques indevidos e controvérsia sobre índices de correção monetária de responsabilidade do Conselho Diretor
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente que a demanda versa sobre saques indevidos/má gestão e ausência de aplicação de rendimentos, matéria abrangida pelo Tema 1.150/STJ, legitimando o Banco do Brasil como parte passiva e determinando competência da Justiça Estadual; não houve omissão capaz de ensejar nulidade e havia óbice ao reexame de matéria fático-probatória e ausência de prequestionamento sobre pontos indicados pelo agravante.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Conhecer do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo apresentado por BANCO DO BRASIL S.A. para impugnar decisão que não admitiu seu recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região assim ementado (e-STJ, fls. 726-727): CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. PASEP. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DA UNIÃO. EXCLUSÃO DA UNIÃO. PROCESSO EXTINTO DE OFÍCIO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SENTENÇA ANULADA. REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA COMUM ESTADUAL. APELAÇÃO PREJUDICADA. 1. O objeto posto em debate na presente demanda consiste na condenação da União e do Banco do Brasil ao pagamento de indenização por danos materiais e morais decorrentes de supostos saques indevidos, e da não aplicação de juros e atualização monetária na conta individual do Pasep do autor 2. O Superior Tribunal de Justiça apreciou o tema repetitivo nº 1.150, consolidando a seguinte tese: i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa. 3. Nessa esteira, à luz do precedente repetitivo do STJ, considerando que é atribuição do Banco do Brasil a administração do programa, notadamente a manutenção das contas individualizadas, nos termos do art. 5º da LC nº 8/1970, conclui-se que nas demandas em que se discute eventual falha na prestação do serviço referente à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos, desfalques e ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do programa, têm-se que a legitimidade passiva para figurar no polo passivo da demanda é exclusiva do Banco do Brasil. 4. Firma-se a competência da Justiça Estadual para processar e julgar o feito. 5. Extinção do processo, de ofício, sem resolução do mérito em relação à União. Ilegitimidade passiva ad causam da União. Anulação da sentença. Remessa dos autos ao juízo de direito da comarca de Salvador-BA. Apelação prejudicada. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 758-767). No recurso especial (e-STJ, fls. 773-803), a parte recorrente alegou ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, parágrafo único, II, do Código de Processo Civil, afirmando omissão quanto: (a) à distinção entre ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidos pelo Conselho Diretor e aplicação de índices diversos dos legais, que atrairia a legitimidade passiva da União; (b) à valoração dos cálculos apresentados pela parte recorrida, que evidenciariam insatisfação com índices e forma de atualização, e não saques indevidos; e (c) à análise dos extratos que, segundo afirma, demonstrariam que os pagamentos foram realizados em folha de pagamento, conta de depósito ou conta poupança da titular, nos termos do art. 4º-A da Lei Complementar 26/1975. Indicou violação aos arts. 17, 485, inciso VI, e 927, inciso III, do Código de Processo Civil, sustentando que a legitimidade passiva do Banco do Brasil não alcança a definição ou a aplicação de índices de correção monetária do PASEP, atribuição exclusiva da União por meio do Conselho Diretor, razão pela qual deveria ter sido reconhecida sua ilegitimidade com extinção do processo sem resolução do mérito. Apontou, ainda, que o Tema Repetitivo n. 1.150/STJ se limita a casos de falha de gestão, saques indevidos e ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidos, não abrangendo controvérsia sobre substituição de índices legais. Suscitou contrariedade ao art. 4º-A da Lei Complementar 26/1975, argumentando que há autorização legal para disponibilização do saldo do PASEP em folha de pagamento ou crédito automático em conta de titularidade do participante quando haja enquadramento normativo, o que teria sido observado, afastando alegações de saques indevidos ou má gestão. Foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial (e-STJ, fls. 817-821 e 822-826). O recurso não foi admitido, razão pela qual foi interposto o agravo ora examinado (e-STJ, fls. 832-841). Brevemente relatado, decido. Inicialmente, não é possível conhecer da alegação de negativa de prestação jurisdicional quanto à tese de que os pagamentos teriam sido realizados em folha de pagamento, em conta de depósito ou em conta poupança da titular, uma vez que a questão não foi alegada nos embargos de declaração. Nesse sentido (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INTERESSE RECURSAL. AUSÊNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. A inexistência de oposição contra o acórdão recorrido de embargos de declaração relativos à tese sobre a qual foi apontada a omissão no apelo nobre importa no reconhecimento de ausência de interesse recursal quanto à alegação de violação do art. 1.022 do CPC/2015. 4. Infirmar o entendimento alcançado pela Corte de origem demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é inviável na via de recurso especial (Súmula 7 do STJ), 5. Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.501.775/PB, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 3/7/2024.) Quanto às demais matérias atreladas ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, não se reconhece a existência de omissão capaz de implicar a nulidade do acórdão recorrido. Sobre o tema alegadamente omisso, a Corte de origem assim se manifestou (e-STJ, fls. 762-763): Com relação à omissão alegada, o julgado embargado, na linha do entendimento deste Tribunal, dispôs que: Em recente julgado o Superior Tribunal de Justiça apreciou o tema repetitivo nº 1.150, consolidando a seguinte tese: "i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa". (..) Nessa esteira, à luz do precedente repetitivo do STJ, considerando que é atribuição do Banco do Brasil a administração do programa, notadamente a manutenção das contas individualizadas, nos termos do art. 5º da LC nº 8/1970, conclui-se que nas demandas em que se discutem eventual falha na prestação do serviço referente à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos, desfalques e ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do programa, têm-se que a legitimidade passiva para figurar no polo passivo da demanda é do Banco do Brasil. Resolvidas as questões com fundamentação satisfatória, caso a parte considere a existência de algum equívoco ou erro de julgamento, não são os embargos, que possuem função processual limitada, a via própria para impugnar o julgado ou rediscutir a causa. A jurisprudência desta Corte é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos suscitados pela parte em embargos declaratórios, cuja rejeição, nessas condições, não implica contrariedade ao art. 1.022, I e II, do CPC. Assim, tendo o Tribunal de origem decidido de modo claro e fundamentado, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese, inexistem vícios suscetíveis de correção por meio dos embargos de declaração apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Na mesma linha de cognição: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. RESPONSABILIDADE CIVIL AMBIENTAL. NEXO DE CAUSALIDADE. COMPROVAÇÃO. MODIFICAÇÃO DAS PREMISSAS DO JULGADO A QUO. REEXAME DE CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não há falar em ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, a fim de asseverar que não teria se configurado a responsabilidade civil ambiental da recorrente, por ausência de nexo de causalidade, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.090.538/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 18/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489, § 1.º, IV, E 1.022, PARÁGRAFO ÚNICO, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUNAL APRECIOU AS VERTENTES APRESENTADAS NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. INCONFORMISMO. MERO RESULTADO CONTRÁRIO AOS INTERESSES DA PARTE. AFRONTA AO ART. 369 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 11, CAPUT, 12, CAPUT, E 17, § 6.º-B, DA LIA. RECEBIMENTO DA INICIAL. INDÍCIOS DA PRÁTICA DE ATO ÍMPROBO. AUSÊNCIA. INFIRMAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INVIABILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. AFASTADA CONDUTA ÍMPROBA DO AGENTE PÚBLICO. ENTENDIMENTO EM PROCESSO COM TRÂNSITO EM JULGADO. INJUSTIFICÁVEL A TRAMITAÇÃO DA AÇÃO CÍVEL APENAS QUANTO AOS PARTICULARES. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem decidiu a contenda em conformidade com o que lhe foi apresentado, se manifestando claramente sobre os pontos indispensáveis, embora de forma contrária ao entendimento do recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles propostos na insurgência em seu convencimento. 2. O inconformismo com o resultado do acórdão não configura omissão ou qualquer outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 3. Ausente o necessário prequestionamento do artigo 369 do Código de Processo Civil, pois o dispositivo não foi objeto de discussão na origem. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 4. A instância a quo sequer enveredou na análise do elemento anímico da conduta dos demandados, visto que reconheceu prontamente a inexistência de indícios da prática de ato ímprobo, entendendo pela rejeição da inicial. 5. Inviável o expurgo das premissas firmadas pela origem, eis que adotar entendimento em sentido contrário implica reexame de fatos e provas, o que encontra óbice no enunciado n. 7 da Súmula do STJ. 6. Afastado o cometimento de ato ímprobo pelo agente público, em processo albergado pelo trânsito em julgado, não se justifica a tramitação processual da ação de improbidade com relação somente aos demais coacusados particulares. Precedentes. 7. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. (AREsp n. 2.683.686/DF, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 18/6/2025, DJEN de 26/6/2025.) Ainda, deve-se notar que o Tribunal local não se manifestou a respeito da tese de que o creditamento automático em conta de titularidade do participante afastaria as alegações de saques indevidos ou de má gestão, razão pela qual mostram-se aplicáveis as Súmulas 282 e 356 do STF, dada a ausência de prequestionamento. No que tange ao mérito, a Corte de origem assim se manifestou (e-STJ, fls. 730-732): Em recente julgado o Superior Tribunal de Justiça apreciou o tema repetitivo nº 1.150, consolidando a seguinte tese: "i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa". .. Nessa esteira, à luz do precedente repetitivo do STJ, considerando que é atribuição do Banco do Brasil a administração do programa, notadamente a manutenção das contas individualizadas, nos termos do art. 5º da LC nº 8/1970, conclui-se que nas demandas em que se discutem eventual falha na prestação do serviço referente à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos, desfalques e ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do programa, têm-se que a legitimidade passiva para figurar no polo passivo da demanda é do Banco do Brasil. Dessa forma, forçoso reconhecer que o acórdão recorrido encontra-se em harmonia com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especialmente com a tese fixada no Tema n. 1.150/STJ, que assim preceitua: i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto a conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa; ii) a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete ao prazo prescricional decenal previsto pelo artigo 205 do Código Civil; e iii) o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular, comprovadamente, toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao Pasep. Nesse sentido (sem grifo no original): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL EM DEMANDAS RELACIONADAS AO PASEP. VIOLAÇÃO AO ART. 109, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 485, VI DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal. O agravante sustenta sua ilegitimidade passiva em demanda que questiona a substituição de índices definidos pelo Conselho Diretor do PASEP, alegando violação ao art. 109, I, da Constituição Federal e aos arts. 1.022, II, e 485, VI, do Código de Processo Civil. II. Questão em discussão 2. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional por omissão no acórdão recorrido, em violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil; e (ii) saber se o Banco do Brasil possui legitimidade passiva para figurar no polo passivo de demandas relacionadas ao PASEP, conforme alegado pelo agravante. III. Razões de decidir 3. A ausência de menção a todos os argumentos levantados pela parte não configura omissão ou negativa de prestação jurisdicional, desde que o acórdão apresente fundamentação suficiente para sustentar a decisão, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 4. A alegação de violação ao art. 109, I, da Constituição Federal não pode ser apreciada em sede de recurso especial, pois trata-se de matéria de índole constitucional, cuja competência é exclusiva do Supremo Tribunal Federal. 5. O Banco do Brasil possui legitimidade passiva para figurar no polo passivo de demandas relacionadas ao PASEP, conforme entendimento consolidado no Tema 1150 do Superior Tribunal de Justiça, que fixou teses jurídicas sobre a responsabilidade do Banco do Brasil na gestão dos valores vinculados ao PASEP. 6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada no Tema 1150 e em outros precedentes, atrai a incidência da Súmula 83 do STJ, que impede o conhecimento do recurso especial quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. IV. Dispositivo 7. Agravo em recurso especial não conhecido. (AREsp n. 3.012.448/PR, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, julgado em 2/3/2026, DJEN de 5/3/2026.) PROCESSUAL CIVIL. PASEP. DESFALQUE. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. BANCO DO BRASIL. INSTITUIÇÃO GESTORA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA 42/STJ. 1. Na origem, trata-se de Ação Ordinária ajuizada contra o Banco de Brasil S.A., na qual se pleiteia a recomposição de saldo na conta Pasep, tendo em vista suposta incorreção nos valores existentes, derivada de saques e correções errôneas do saldo depositado. 2. É entendimento do STJ que, em ações nas quais se requer a recomposição do saldo existente em conta vinculada ao Pasep, a União deve figurar no polo passivo da demanda. No entanto, conforme delineado pelo acórdão recorrido, no caso dos autos, a demanda não versa sobre índices equivocados de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, mas sobre responsabilidade decorrente da má gestão do banco, de saques indevidos ou de não aplicação dos índices de juros e de correção monetária na conta do Pasep. Assim, tem-se a conclusão de que a legitimidade passiva é do Banco do Brasil S.A., o que define a competência da Justiça Comum Estadual. Precedentes do STJ. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.925.228/TO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 31/5/2021, DJe de 1/7/2021.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PASEP. SAQUES INDEVIDOS. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior tem entendimento de que, nos termos da Súmula 42/STJ, compete à Justiça estadual processar e julgar os feitos cíveis relativos ao PASEP, cujo gestor é o Banco do Brasil, razão pela qual é parte legítima para figurar no polo passivo da demanda. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.877.537/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 23/2/2021, DJe de 25/2/2021.) Necessário notar, ainda, que a petição inicial menciona desfalques e retiradas ilícitas dos valores depositados na conta vinculada ao PASEP, não se tratando, portanto, de controvérsia envolvendo a definição ou a aplicação de índices de correção monetária de responsabilidade do Conselho Gestor do Fundo, como afirma a parte recorrente. Veja-se (e-STJ, fl. 25): Diante disso, a que se afirmar que houveram ilícitas retiradas dos valores depositados na conta vinculada ao PASEP de titularidade da Requerente, impondo à instituição financeira ressarcir o prejuízo sofrido pela Requerente, seja a título de danos materiais, seja no tocante aos danos morais experimentados. .. Ademais, como acima delineado, nos Extratos Microfilmados, mais precisamente, da 2a até a 12ª folhas, há rubricas de débitos, o que tudo indica, que a referida instituição financeira desfalcou os benefícios da conta em enfoque até sua drástica redução a uma quantia irrisória, sem a participação da Requerente. Assim, não há distinção entre o caso dos autos e o Tema n. 1.150/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. TEMA N. 1.150/STJ. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PASEP. LEGITIMIDADE PASSIVA EXCLUSIVA DO BANCO DO BRASIL. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.