REsp 2162855 - DECISAO
Em razão do reconhecimento de repercussão geral pelo STF sobre a matéria (Tema 1.234), da suspensão nacional determinada e dos parâmetros provisórios fixados, impõe-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após a publicação do acórdão do STF, proceda à análise conforme art. 1.040 do CPC/2015, negando...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Autos devolvidos ao Tribunal de origem para que se observe o art. 1.040 do CPC/2015 e, após a publicação do acórdão do Tema 1.234 do STF, seja negado seguimento ou promovido juízo de retratação conforme o caso.
- Legal Topics
- Legitimidade Passiva Da União, Competência Da Justiça Federal, Fornecimento De Medicamentos, SUS, Repercussão Geral, Suspensão De Recursos, Sobrestamento, Juízo De Retratação, Tutela Provisória Incidental
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Procedural Posture
Recurso Especial / Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade da inclusão da União no polo passivo em demandas sobre fornecimento de medicamento ou tratamento não incorporado nas políticas públicas do SUS, embora registrado pela Anvisa.
- 2 Competência da Justiça Federal nas demandas sobre fornecimento de medicamentos registrados pela ANVISA mas não padronizados no SUS.
- 3 Efeitos do reconhecimento da repercussão geral pelo STF (Tema 1.234) sobre o processamento de recursos especiais e extraordinários.
Ratio Decidendi
Em razão do reconhecimento de repercussão geral pelo STF sobre a matéria (Tema 1.234), da suspensão nacional determinada e dos parâmetros provisórios fixados, impõe-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após a publicação do acórdão do STF, proceda à análise conforme art. 1.040 do CPC/2015, negando seguimento ao recurso se coincidente com a orientação do STF ou promovendo juízo de retratação se houver divergência, evitando decisões conflitantes e assegurando uniformidade jurisprudencial.
Court Disposition
Autos devolvidos ao Tribunal de origem para que se observe o art. 1.040 do CPC/2015 e, após a publicação do acórdão do Tema 1.234 do STF, seja negado seguimento ou promovido juízo de retratação conforme o caso.
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem.
- Após publicação do acórdão referente ao Tema 1.234 do STF, em observância ao art. 1.040 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte; b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema...
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial no qual se discute a obrigatoriedade da União constar no polo passivo de demanda que verse sobre a obtenção de medicamento ou tratamento não incorporado nas políticas públicas do SUS, embora registrado pela Anvisa. Passo a decidir. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 1.366.243/SC (Tema 1.234 do STF), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, reconheceu a existência de repercussão geral da matéria relativa à "legitimidade passiva da União e competência da Justiça Federal, nas demandas que versem sobre fornecimento de medicamentos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, mas não padronizados no Sistema Único de Saúde - SUS". Esse julgado recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS REGISTRADOS NA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, MAS NÃO PADRONIZADOS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS. INTERESSE PROCESSUAL DA UNIÃO. SOLIDARIEDADE DOS ENTES FEDERADOS. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAMENTO DA CAUSA. MULTIPLICIDADE DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS. PAPEL UNIFORMIZADOR DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 1366243 RG, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-182 DIVULG 12-09-2022 PUBLIC 13-09-2022) Em 11/04/2023, com fundamento no art. 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o eminente Ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão nacional do processamento dos recursos especiais e extraordinários que tratam da questão controvertida no Tema 1.234 da Repercussão Geral, inclusive dos processos em que se discute a aplicação do Tema 793 da Repercussão Geral, até o julgamento definitivo RE 1.366.243/SC. Posteriormente, com fulcro no art. 300 do CPC/2015, deferiu-se o pedido incidental de tutela provisória formulado pelo CONPEG, para estabelecer que, até o julgamento definitivo do Tema 1.234 da Repercussão Geral, a atuação do Poder Judiciário seja regida pelos seguintes parâmetros: (i) nas demandas judiciais envolvendo medicamentos ou tratamentos padronizados: a composição do polo passivo deve observar a repartição de responsabilidades estruturada no Sistema Único de Saúde, ainda que isso implique deslocamento de competência, cabendo ao magistrado verificar a correta formação da relação processual, sem prejuízo da concessão de provimento de natureza cautelar ainda que antes do deslocamento de competência, se o caso assim exigir; (ii) nas demandas judiciais relativas a medicamentos não incorporados: devem ser processadas e julgadas pelo Juízo, estadual ou federal, ao qual foram direcionadas pelo cidadão, sendo vedada, até o julgamento definitivo do Tema 1234 da Repercussão Geral, a declinação da competência ou determinação de inclusão da União no polo passivo; (iii) diante da necessidade de evitar cenário de insegurança jurídica, esses parâmetros devem ser observados pelos processos sem sentença prolatada; diferentemente, os processos com sentença prolatada até a data desta decisão (17 de abril de 2023) devem permanecer no ramo da Justiça do magistrado sentenciante até o trânsito em julgado e respectiva execução (adotei essa regra de julgamento em: RE 960429 ED-segundos Tema 992, de minha relatoria, DJe de 5.2.2021); (iv) ficam mantidas as demaiz determinações contidas na decisão de suspensão nacional de processos na fase de recursos especial e extraordinário. (Grifos acrescidos). Em sessão virtual extraordinária, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, referendou a aludida tutela provisória incidental. Assim, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre a Corte Suprema e o Superior Tribunal de Justiça, os recursos que tratam da mesma controvérsia no STJ devem aguardar, no Tribunal de origem, a solução no recurso extraordinário afetado, o que viabiliza, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial, se for o caso, deverá ser encaminhado a este Órgão Superior, para que possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. IPVA. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA DO CREDOR FIDUCIÁRIO. QUESTÃO JURÍDICA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. EXEGESE DOS ARTS. 1.040 E 1.041 DO CPC. DEVOLUÇÃODO ESPECIALPARA SOBRESTAMENTO NA CORTE DE ORIGEM. ACLARATÓRIOS ACOLHIDOS COM EXCEPCIONAL EFEITO INFRINGENTE. 1. No caso, a questão referente à matéria de fundo, a saber, legitimidade passiva do credor fiduciário para figurar em execução fiscal de cobrança do imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) incidente sobre veículo objeto de alienação fiduciária, teve reconhecida a sua repercussão geral pelo plenário virtual do Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 1.355.870/MG (Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 30/6/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe155 DIVULG 04-08-2022 PUBLIC 05-08-2022) - Tema n. 1.153. 2. Podendo a ulterior decisão do STF, em repercussão geral já reconhecida, afetar o julgamento da matéria veiculada no recurso especial, faz-se conveniente que o STJ, em homenagem aos princípios processuais da economia e da efetividade, determine o sobrestamento do especial e devolva os autos ao Tribunal de origem para que ali, em se fazendo necessário, seja oportunamente realizado o ajuste do acórdão local ao que vier a ser decidido na Excelsa Corte. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para determinar o cancelamento das decisões anteriores e a restituição dos autos ao Tribunal de origem, para que lá se observe o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.942.458/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 9/11/2022, DJe de 14/11/2022.) Registre-se que essa medida visa evitar, também, o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, DETERMINO A DEVOLUÇÃO dos autos ao Tribunal de origem com a respectiva baixa, para que, após a publicação do acórdão referente ao Tema 1.234 do STF, em observância ao art. 1.040 do CPC/201 5: a) negue seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema posto em reperc ussão geral. Publique-se. Intimem-se. EMENTA