AREsp 2113493 - DECISAO
O STJ reconheceu a legitimidade recursal da seguradora com fundamento no art. 996 do CPC/2015 e na jurisprudência do STF (RE 827.996/Tema 1.011), concluiu-se que o agravo deveria ser conhecido e deu-se provimento parcial ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao TRF da 5ª Região para exame do agravo...
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- Parties
- Agravante: SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS; Parte Cuja Inclusão Foi Impugnada: Caixa Econômica Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial; Retorno Ao TRF Da 5ª Região Para Reexame Do Agravo De Instrumento
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Legitimidade Recursal, Competência Da Justiça Federal, Prequestionamento, Supressão De Instância
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Parties
SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS
Agravante
Caixa Econômica Federal
Parte Cuja Inclusão Foi Impugnada
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial; Retorno Ao TRF Da 5ª Região Para Reexame Do Agravo De Instrumento
Legal Issues
- 1 legitimidade recursal da seguradora para impugnar a exclusão da Caixa Econômica Federal
- 2 competência da Justiça Federal para demandas envolvendo contratos vinculados à Caixa Econômica Federal e apólices públicas
- 3 aplicação do art. 996 do CPC/2015 ao terceiro prejudicado
Ratio Decidendi
O STJ reconheceu a legitimidade recursal da seguradora com fundamento no art. 996 do CPC/2015 e na jurisprudência do STF (RE 827.996/Tema 1.011), concluiu-se que o agravo deveria ser conhecido e deu-se provimento parcial ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao TRF da 5ª Região para exame do agravo de instrumento interposto pela SUL AMÉRICA.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao TRF da 5ª Região para examinar o agravo de instrumento interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão, que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 283 do STF (e-STJ fl. 1.843). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 476): EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. SEGURO HABITACIONAL. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE DA SEGURADORA PARA RECORRER. NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. Agravo de instrumento interposto pela SUL AMÉRICA CIA. NACIONAL DE SEGUROS, contra decisão do douto Juiz da 8ª Vara Federal da Comarca de Upanema/RN, que afastou a competência da Justiça Federal, por entender que não existiria interesse da CEF na demanda e determinou a remessa integral dos autos para a Justiça Estadual. 2. As razões recursais da agravante reportam-se, basicamente, aos seguintes fatos: 1. que a Justiça Estadual seria absolutamente incompetente para julgar o feito, uma vez que o contrato firmado pelos Agravados com a Caixa Econômica Federal teria sido realizado sob a égide das apólices públicas (ramo 66), o que requereria a interveniência obrigatória da CEF no processo; 2. que desde 1988, o FCVS assumiu permanentemente a responsabilidade pelo equilíbrio técnico-atuarial de todas as apólices públicas de seguro habitacional do Sistema Financeiro da Habitação, independentemente da data de celebração do contrato, e, mais recentemente, a partir de 2010, passou a garantir, de forma direta, as coberturas oferecidas aos contratos vinculados às referidas apólices, deixando de contar com a prestação de serviços de qualquer seguradora; 3. necessidade de manutenção dos autos na Justiça Federal em face do recente julgado do STJ. 3. A irresignação manifestada pela SUL AMÉRICA CIA. NACIONAL DE SEGUROS, no presente agravo, não merece acolhida, ante sua a falta de legitimidade para recorrer da decisão que não reconheceu a existência do interesse da CAIXA em participar da demanda. 4. A Seguradora, ora agravante, não possui legitimidade para recorrer da decisão que inadmitiu a Caixa Econômica Federal na lide, porquanto tal questão apenas poderia ser suscitada através de eventual agravo proposto pela própria Instituição bancária, em defesa de seu interesse em figurar no polo passivo da demanda. 5. Agravo de Instrumento não conhecido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 797/799). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 943/979), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte alegou dissídio jurisprudencial e violação dos seguintes dispositivos legais: (i) art. 339 do CPC/2015, defendendo possuir legitimidade e interesse para recorrer da decisão que não admite o ingresso da CEF na ação, e (ii) arts. 124 do CPC/2015 e 1º e 1º-A da Lei n. 12.409/2011, com redação dada pela Lei n. 13.000/2014, sustentando, em síntese, o interesse da Caixa Econômica Federal no feito e a competência da Justiça Federal para julgamento da lide. Em juízo de retratação negativo, foi mantido o acórdão recorrido (e-STJ fls. 1.490/1.492). Recurso especial ratificado às fls. 1.635/1.638 (e-STJ). No agravo (e-STJ fls. 2.027/2.031), a parte afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada às fls. 2.176/2.189 (e-STJ). É o relatório. Decido. Cuida-se, na origem, de agravo de instrumento interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS contra decisão do juízo da 8ª Vara Federal da Comarca de Upanema/RN, que afastou a competência da Justiça Federal, por entender que não existiria interesse da CEF na demanda, e determinou a remessa dos autos para a Justiça Estadual. O TRF da 5ª Região, no entanto, não conheceu da irresignação, por entender que a seguradora não possui interesse recursal em impugnar a exclusão da CEF do feito, consignando que "tal questão apenas poderia ser suscitada através de eventual agravo proposto pela própria Instituição bancária, em defesa de seu interesse em figurar no polo passivo da demanda" (e-STJ fl. 476). Referido entendimento, todavia, está em dissonância com a jurisprudência deste Tribunal Superior, segundo a qual, nos termos do art. 996 do CPC/2015, o terceiro prejudicado é legitimado para interpor recursos se demonstrar o nexo de interdependência entre a relação jurídica objeto da lide e sua posição processual, o que ocorre no presente caso. Assim, há legitimidade recursal da seguradora em ver reconhecido o interesse e legitimidade da Caixa Econômica Federal, com a manutenção do feito na Justiça Federal, sobretudo após o julgamento do RE 827.996/PR (Tema n. 1.011) pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: AREsp n. 2.245.152, de minha relatoria, DJe de 8/5/2023; AREsp n. 2.049.739, Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe de 16/11/2022; AREsp n. 2.087.554, Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 5/8/2022; AREsp n. 2.116.810, Ministro Raul Araújo, DJe de 24/6/2022. Considerando a falta de prequestionamento e dada a necessidade de se evitar a supressão de instância, as demais questões do apelo ficam prejudicadas. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial a fim de determinar o retorno dos autos ao TRF da 5ª Região para examinar o agravo de instrumento interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS. Publique-se e intimem-se. EMENTA