EREsp 2078542 - DECISAO
Os embargos de divergência foram indeferidos liminarmente por ausência de demonstração de dissídio jurisprudencial apto a autorizar o processamento: o acórdão embargado assentou que o título executivo continha expressa limitação subjetiva dos beneficiários e reconheceu a ilegitimidade da parte para executar o título...
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- Parties
- Embargante: ALEX RODRIGO PAULMICHL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 October 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Indeferimento Liminar Dos Embargos De Divergência
- Outcome
- Embargos de divergência indeferidos liminarmente
- Legal Topics
- Legitimidade Sindical, Coisa Julgada, Execução Individual De Sentença Coletiva, Embargos De Divergência, Reexame De Prova (súmula 7/stj)
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Parties
ALEX RODRIGO PAULMICHL
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Divergência / Indeferimento Liminar Dos Embargos De Divergência
Legal Issues
- 1 legitimidade do sindicato para executar título judicial coletivo
- 2 eficácia de listagem de substituídos como limitação subjetiva do título executivo
- 3 observância da coisa julgada perante limitação subjetiva do título
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência foram indeferidos liminarmente por ausência de demonstração de dissídio jurisprudencial apto a autorizar o processamento: o acórdão embargado assentou que o título executivo continha expressa limitação subjetiva dos beneficiários e reconheceu a ilegitimidade da parte para executar o título por não constar na listagem; o paradigma indicado pela parte embargante trata de suporte fático diverso (o título não limitou seus beneficiários), de modo que não há similitude fática nem divergência de entendimento jurídico exigíveis para acolhimento dos embargos, além de que afastar a limitação imposta pelo título exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela...
Court Disposition
Embargos de divergência indeferidos liminarmente
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência interpostos por ALEX RODRIGO PAULMICHL contra o acórdão proferido pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, ementado nos seguintes termos (fls. 293/294): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. AÇÃO COLETIVA AJUIZADA POR SINDICATO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. LIMITAÇÃO EXPRESSA NO TÍTULO JUDICIAL. ILEGITIMIDADE DA PARTE EXEQUENTE. LIMITES DA COISA JULGADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Não se conhece de Recurso Especial em relação aos arts. 85, § 8º, 489, II, e 1.022, II, do Código de Processo Civil/2015, 6º do Decreto-Lei 4.657/1942 (LINDB), e 81 e 103 da Lei 8.078/1990 quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Incidência, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Na hipótese em exame, há expressa consideração no acórdão recorrido acerca da limitação dos beneficiários da ação coletiva no título executivo transitado em julgado. Assim, o entendimento do Tribunal de origem se encontra em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firme no sentido de que "a entidade sindical tem ampla legitimidade para defender os interesses da respectiva categoria dos substituídos, estejam eles nominados ou não em listagem seja para promover a ação de conhecimento ou mesmo a execução do julgado, porquanto representa toda a categoria que congrega, à exceção de expressa limitação dos beneficiários pelo título executivo, ocasião em que deve ser respeitada a coisa julgada" (AgInt no REsp 1.586.726/BA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 9.5.2016). 3. Ademais, tendo o Tribunal a quo reconhecido a existência de limitação subjetiva do título executivo sobre a qual se operou a coisa julgada, decidir em sentido contrário, afastando-se a ocorrência de tal limitação, pressupõe reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado, por força da Súmula 7/STJ. Com igual entendimento: AgInt no REsp 1.907.731/PB, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 16.8.2023; AgInt no REsp 2.016.517/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 16.3.2023; AgInt no AREsp 2.243.235/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 24.5.2023; AgInt no AREsp . 2.257.270/RJ, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 8.9.2023; e AgInt no REsp 2.056.122/AP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2023. 4. Agravo Interno não provido. Nas razões de seu recurso, a parte recorrente defende "a impossibilidade de se afastar a legitimidade ampla e irrestrita do sindicato com a juntada de listagem de substituídos" (fl. 349). A fim de demonstrar o dissenso jurisprudencial, ela colaciona precedente da Primeira Turma proferido no AgInt no REsp 2.080.162/RJ, de relatoria do Ministro Sérgio Kukina, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. EXISTÊNCIA. OFENSA À COISA JULGADA CARACTERIZADA. 1. Acerca da substituição processual pelos sindicatos em relação aos integrantes da categoria que representam, não se desconhece a jurisprudência desta Corte segundo a qual "a entidade sindical tem ampla legitimidade extraordinária para defender os interesses da respectiva categoria dos substituídos, estejam eles nominados ou não em listagem, seja para promover a ação de conhecimento ou mesmo a execução do julgado, porquanto representa toda a categoria que congrega, em observância à orientação do STF (Tema n. 823), à exceção de expressa limitação dos beneficiários pelo título executivo, ocasião em que deve ser respeitada a coisa julgada" (AgInt no REsp n. 2.016.517/SP, relator Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/3/2023). 2. A simples apresentação de listagem dos substituídos quando do ajuizamento da ação coletiva, por si só, não importa em restrição aos limites subjetivos da coisa julgada. A propósito: AgInt no REsp n. 1.956.312/RS, relator Ministro MANOEL ERHARDT - Desembargador Convocado do TRF5, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/12/2022; AgInt no REsp n. 1.956.295/RS, relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 1/12/2022; AgInt no REsp n. 1.985.158/MG, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 9/6/2022. 3. "É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de "ser possível a revaloração jurídica dos fatos delimitados nas instâncias inferiores, que não se confunde com reexame de provas vedado pelo Enunciado n. 7/STJ" (STJ, REsp 1.327.087/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, DJe de 11/11/2013), ou seja, de que "é absolutamente adequada a revaloração da matéria fático-probatória descrita no aresto recorrido e, consequentemente, a atribuição de valoração jurídica diversa da conclusão exposta pela Corte de origem" (STJ, REsp 1.326.597/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/12/2017)" (AgInt no REsp n. 2.012.184/PE, relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/3/2023). Nesse mesmo sentido: REsp n. 1.907.723/PR, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/6/2022. 4. Caso concreto em que restou expressamente consignado no acórdão recorrido que o título executivo judicial não limitou seus beneficiários àqueles substituídos constantes da listagem que acompanhou a petição inicial da ação coletiva ajuizada pelo SINTRASEF, eis que fez remissão genérica a todos os seus substituídos. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.080.162/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 1º/3/2024.) Requer o provimento dos embargos de divergência para que, prevalecendo a tese adotada no aresto paradigma, seja reconhecido "que a eventual juntada de listagem de Substituídos -equivocadamente apontada como tem buscado demonstrar a parte -não afasta, e nem poderia, a legitimidade ampla e irrestrita do Sindicato, razão pela qual há que se reconhecer a legitimidade dos ora Embargantes" (fl. 351). É o relatório. Os embargos de divergência objetivam dissipar a adoção de teses diversas para casos semelhantes; sua função precípua é a de uniformizar a jurisprudência interna do Tribunal, de modo a retirar antinomias entre julgamentos sobre questões ou teses submetidas à sua apreciação, contribuindo para a segurança jurídica. Cabe à parte embargante a comprovação do dissídio jurisprudencial, nos moldes dos arts. 1.043 e 1.044 do Código de Processo Civil e 266, § 1º, c/c o art. 255, §§ 1º e 2º, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, que assim estabelecem, respectivamente: Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: I - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito; II - revogado. III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia; IV - revogado. § 1º. - Poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas em julgamentos de recursos e de ações de competência originária. § 2º. - A divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar-se na aplicação do direito material ou do direito processual. § 3º. - Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros. § 4º. - O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados. Art. 1.044. No recurso de embargos de divergência, será observado o procedimento estabelecido no regimento interno do respectivo tribunal superior. Art. 266. Das decisões da Turma, em recurso especial, poderão, em quinze dias, ser interpostos embargos de divergência, que serão julgados pela Seção competente, quando as Turmas divergirem entre si ou de decisão da mesma Seção. Se a divergência for entre Turmas de Seções diversas, ou entre Turma e outra Seção ou com a Corte Especial, competirá a esta o julgamento dos embargos. § 1º. A divergência indicada deverá ser comprovada na forma do disposto no art. 255, §§ 1º. e 2º, deste Regimento. Art. 255 - .. § 1º. A comprovação de divergência, nos casos de recursos fundados na alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição, será feita: a) por certidões ou cópias autenticadas dos acórdãos apontados divergentes, permitida a declaração de autenticidade do próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal; b) pela citação de repositório oficial, autorizado ou credenciado, em que os mesmos se achem publicados. § 2º. Em qualquer caso, o recorrente deverá transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Dito isso, não conheço da divergência suscitada em relação ao paradigma apontado da Primeira Turma, tendo em vista a ausência de similitude fática entre ele e o acórdão embargado, além de não ter havido a divergência de entendimento jurídico. Realmente, o acórdão embargado, adotando o entendimento desta Corte quanto à impossibilidade de se alterar expressa limitação do título executivo quanto aos beneficiários da ação coletiva, sob pena de violar a coisa julgada, manteve o acórdão recorrido que reconhecera a ilegitimidade da parte ora embargante para executar o título coletivo por não ter integrado a listagem apresentada pelo sindicato na ação de conhecimento, considerando que naquele título havia expressa limitação subjetiva. No acórdão paradigma, por sua vez, a tese adotada não diverge do entendimento acolhido pelo julgado ora impugnado quanto à necessidade de observância da coisa julgada, ainda que se reconheça a legitimidade extraordinária ampla do sindicato para representar os interesses de todos os integrantes da categoria. Todavia, nesse caso, o título executivo não limitou a sua abrangência aos indicados na lista apresentada na inicial coletiva, tratando-se, portanto, de suporte fático diverso do discutido nos presentes autos. Diante dessas considerações, indefiro liminarmente os embargos de divergência. Publique-se. Intimem-se. EMENTA