AREsp 2457217 - DECISAO
O Tribunal ressaltou que enfrentou as preliminares relevantes: considerou que a reconciliação entre o acusado e a vítima não torna inexistente a utilidade da ação penal por se tratar de crime de ação pública incondicionada, e concluiu pela preclusão temporal quanto às testemunhas não arroladas na fase processual...
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- Parties
- Agravante: LAZARO MATEUS JUNIOR; Oponente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Mérito (conhecimento Do Agravo E Conhecimento Do Recurso Especial; Agravo Negado Provimento)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Lesão Corporal, Violência Doméstica, Condições Da Ação, Inexistência De Utilidade Da Ação Penal, Preclusão No Arrolamento De Testemunhas, Prova Testemunhal, Súmulas Do STJ
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Parties
LAZARO MATEUS JUNIOR
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF
Oponente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade E Mérito (conhecimento Do Agravo E Conhecimento Do Recurso Especial; Agravo Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 395, II, do CPP por não reconhecimento da inexistência de utilidade da ação penal em razão de reconciliação
- 2 Alegada violação do art. 209, §1º, do CPP e do direito de produzir prova testemunhal por não intimação/arrolamento de testemunhas indicadas
- 3 Aplicação do óbice da Súmula n. 7 do STJ nas instâncias ordinárias
Ratio Decidendi
O Tribunal ressaltou que enfrentou as preliminares relevantes: considerou que a reconciliação entre o acusado e a vítima não torna inexistente a utilidade da ação penal por se tratar de crime de ação pública incondicionada, e concluiu pela preclusão temporal quanto às testemunhas não arroladas na fase processual apropriada, não havendo cerceamento de defesa. Ante a ausência de nulidades capazes de infirmar o decisum e com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, conheceu-se do agravo e negou-se provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, nego-lhe provimento.
Orders
- Negar provimento ao agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de LAZARO MATEUS JUNIOR (ou LAZARO MATHEUS JUNIOR) contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS - TJ/GO que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 0126848-22.2018.8.09.0019. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática do delito tipificado no art. 129, § 9º, do Código Penal - CP (lesão corporal), à pena de 1 ano 6 meses de detenção, em regime aberto (fls. 250/260). Recurso de apelação interposto pela defesa foi conhecido e desprovido (fls. 394/406). Em sede de recurso especial (fls. 413/434), a defesa aponta a violação dos arts. 209, §1º e 395, inciso II, ambos do Código de Processo Penal - CPP, porque não foi oportunizado ao recorrente a produção de provas por meio de testemunhas referidas, e também por ausência de análise da tese de inexistência de utilidade da ação penal. Afirma que em razão da reconciliação entre o recorrente e a vítima, houve a renúncia do interesse de agir devido ao perdão e, consequentemente, ocorreu a inexistência de utilidade da ação penal. Alega que da análise dos autos não se verifica provas que levem à conclusão exata do ocorrido, motivo pelo qual, quando mencionado o nome de pessoas que possuíam conhecimento, ainda que mínimos, deveriam ter sido ouvidas. Requer seja conhecido e provido o recurso especial para reconhecer as nulidades apontadas. Contrarrazões do MP (fls. 446/459). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão da incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ (fls. 463/464). Em agravo em recurso especial, a defesa impugnou o referido óbice (fls. 469/484). Contraminuta do MP (fls. 488/489). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo não provimento do agravo em recurso especial (fls. 502/513). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Acerca da suposta violação do art. 395, II, do CPP, o TJ afastou a tese de inexistência de utilidade da ação penal mediante os seguintes fundamentos (grifos nossos): "Inicialmente, sem razão a tese de ausência de condições da ação penal, alegando que a inexistência de utilidade processual e interesse de agir não foram enfrentadas pela decisão condenatória, ocasionando cerceamento do direito de defesa pleiteado pelo apelante Lázaro Matheus Júnior. O magistrado de primeiro grau ao analisar referida tese fundamentou de forma clara os motivos pelos quais as preliminares arguidas pela defesa não foram acolhidas. Por pertinente transcrevo parte da sentença condenatória: "(..) PRELIMINARMENTE, importante frisar que o mero fato de haver notícia de reconciliação entre autor e vítima ou mesmo retomada de convivência amigável entre estes após o tempo dos fatos analisados neste feito, TAL SITUAÇÃO NÃO TORNA MACULADAS AS CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL EM QUESTÃO. O delito de violência doméstica deve ser objeto de apuração, ainda que o casal retome a convivência marital, já que se trata de delito de ação pública incondicionada, isto é, cujo prosseguimento não depende da vontade da vítima. A reconciliação ou retomada de convivência pacífica entre autor e vítima, não torna inexpressiva a conduta agressora praticada pelo denunciado. (..) LOGO, deve o feito prosseguir até o seu julgamento final, ainda que reconciliadas as partes, dada a natureza do delito sob apreciação deste Juízo, consistente em AÇÃO PÚBLICA INCONDICIONADA à representação, que não admite retratação da vítima ou mesmo desistência da ação. PORTANTO, INDEFIRO A PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE CONDIÇÕES DA AÇÃO/AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO PARA O PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO. (mov. 44)." Conforme bem pontuado pelo Ministério Público de primeiro grau (contrarrazões), o apelante equivoca-se ao relatar que a tese de inexistência de utilidade da ação penal não foi analisada nos trechos supracitados, pois tal requisito constitui elemento que integra a análise do interesse de agir, cuja presença foi, acertadamente, reconhecida na decisão. Dessa forma, afasto a preliminar suscitada uma vez que as condições da ação e os pressupostos processuais estão presentes, não havendo que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, não há nenhuma outra irregularidade nos autos que pudesse gerar algum vício processual ocasionando cerceamento do direito de defesa." (fl. 398) Verifica-se dos trechos acima colacionados que o Tribunal de origem enfrentou os pontos relevantes ao deslinde da controvérsia, manifestando-se de forma clara, e demonstrando as razões de sua conclusão acerca da improcedência da tese da ausência de utilidade da ação penal, especialmente com fundamento nos fatos e provas contidos nos autos, afirmando ainda estarem presentes todas as condições da ação penal. Ademais, cumpre ressaltar que esta Corte possui entendimento no sentido de que "A reconciliação do casal e a ausência de vontade da vítima em ver o paciente processado não constituem óbice à persecução criminal, sob pena de desrespeito ao princípio da indisponibilidade da ação penal pública incondicionada, nos termos do enunciado n. 542 da Súmula desta Corte Superior (AgRg no HC 674.738/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 3/8/2021, DJe de 13/8/2021)" (AgRg no HC n. 707.726/PA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de 16/12/2021). Nesse sentido (grifos nossos): AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE. LESÃO CORPORAL E AMEAÇA, EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. INEXISTÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS. INFIRMAÇÃO DO DECISUM AGRAVADO. NÃO CABIMENTO. SÚMULA N. 691 DO STF. NÃO SUPERAÇÃO. AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA. RETRATAÇÃO. IRRELEVANTE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É assente nesta Corte Superior que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, sob pena da manutenção do decisum pelos próprios fundamentos. 2. Na espécie, o mérito da impetração originária não foi analisado pelo Tribunal a quo. Atrai-se ao caso o impeditivo do enunciado n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, que só é ultrapassado se a ilegalidade é tão flagrante que não escapa à pronta percepção do julgador. 3. Há gravidade concreta nas condutas imputadas ao acusado, que trancou a vítima na residência e, em frente aos filhos de 4 e 6 anos de idade, tentou enforcá-la e lhe desferiu chutes e socos na cabeça, gerando sangramento abundante e a necessidade de ser a ofendida socorrida por ambulância. 4. A manifesta possibilidade de perseverança no comportamento delituoso, pelo agente, e a efetiva imperiosidade de se proteger a integridade física e psicológica da ofendida afastam a apontada ilegalidade no decreto de segregação cautelar. 5. A reconciliação do casal e a ausência de vontade da vítima em ver o paciente processado não constituem óbice à persecução criminal, sob pena de desrespeito ao princípio da indisponibilidade da ação penal pública incondicionada, nos termos do enunciado n. 542 da Súmula desta Corte Superior. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 674.738/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 3/8/2021, DJe de 13/8/2021.) Desse modo, denota-se mero inconformismo da parte com o resultado do julgamento, não havendo falar, assim, em negativa de prestação jurisdicional. Sobre a alegada ofensa ao art. 209, § 1º, do Código de Processo Penal - CPP, o Tribunal de origem manteve o indeferimento da oitiva das testemunhas referidas mediante a seguinte fundamentação (grifos nossos): "Quanto ao alegado erro processual ocasionado pela falta de intimação de pessoas citadas no interrogatório do acusado para serem ouvidas em juízo Quanto a alegação do apelante acerca de erro processual ocasionado pela falta de intimação de pessoas citadas no seu interrogatório judicial para serem ouvidas em juízo, verifica-se que a defesa do apelante apresentou as seguintes testemunhas: Genemar Barbosa e Vandinalva Porfírio da Silva (fls. 72/74-pdf), conforme preceitua o art. 396-A do CPP. A testemunha Genemar Barbosa foi ouvida em juízo (mídia inserta na mov. 28). Já a testemunha Vandinalva Porfírio da Silva foi dispensada pelas partes com anuência do Magistrado conforme termo de ata de audiência de instrução e julgamento de fls. 114-pdf. Posteriormente, realizado o interrogatório judicial do acusado, verifica-se que não foi pedido pela defesa para ouvir as pessoas de Aline e Vinícius, não as incluindo como testemunhas a serem ouvidas em juízo. Tampouco não consta no presente recurso. Assertivamente, o Promotor de Justiça do primeiro grau pontuou que o direito de defesa é amplo, mas limitado por restrições temporais, como a dos autos, conclui-se que houve a preclusão do direito de arrolar tais testemunhas, não cabendo ao juiz ouvi-las quando julgar desnecessário para o seu convencimento. Ademais, caso a ausência da oitiva das pessoas indicadas ensejassem algum prejuízo ao réu, certamente seria solicitado por seus advogados a mitigação da preclusão, a fim de realizar o ato em audiência de instrução e julgamento ou em momento anterior à condenação, o que não ocorreu. Dessa forma, verifica-se a ocorrência da preclusão temporal, uma vez que as testemunhas mencionadas no recurso não foram arroladas pela defesa do apelante. Assim sendo, não foram arguidas outras preliminares, nem vislumbro alguma que deva ser reconhecida de ofício, razão pela qual passo ao exame do mérito recursal." (fls. 398/399). O acórdão está alinhado com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de que "Consoante disposto no artigo 209 do CPP, ocorrendo a preclusão no tocante ao arrolamento de testemunhas, é permitido ao Magistrado, uma vez entendendo ser imprescindível à busca da verdade real, proceder à oitiva como testemunhas do Juízo, contudo, tal providência não constitui direito subjetivo da parte" (AgRg no AREsp n. 1.937.337/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/11/2021, DJe de 29/11/2021). A propósito (grifos nossos): RECURSO ESPECIAL. PORTE E DISPARO DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. RESPOSTA À ACUSAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CISÃO DO CONTEÚDO DA PEÇA PARA DESCONSIDERAÇÃO DO ROL DE TESTEMUNHAS. NULIDADE DECLARADA PELO TRIBUNAL. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A teor dos precedentes desta Corte, inexiste nulidade na desconsideração do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do CPP. Contudo, se na própria resposta à acusação o advogado cuidou de indicar as pessoas que deveriam ser ouvidas durante a instrução criminal, é incorreto reconhecer a preclusão dessa faculdade processual. 2. A resposta à acusação é obrigatória e se defensor particular a apresentou de forma extemporânea, mas o Juiz aceitou a peça, não há como desconsiderar apenas o rol de testemunhas. 3. Está correta a declaração de nulidade pelo Tribunal de Justiça, pois o acusado teve cerceada a garantia constitucional de plenitude da defesa. Ele suportou condenação sem a oportunidade de produzir prova oral em decorrência da atuação intempestiva de seu patrono, ausente a paridade de armas necessária ao processo penal. 4. Recurso especial do Ministério Público não provido. (REsp n. 1.828.483/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 3/12/2019, DJe de 6/12/2019.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. OPOSIÇÃO AO JULGAMENTO VIRTUAL. RESPOSTA À ACUSAÇÃO. ROL DE TESTEMUNHAS. FORA DO PRAZO LEGAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DEFENSOR DATIVO. NOMEAÇÃO. PREJUÍZO. AUSÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "O requerimento para a não inclusão de recurso para julgamento pelo plenário virtual deve ser fundamentado, não bastando a mera oposição sem indicação das razões que justifiquem o julgamento tele presencial." (AgInt no REsp n. 2.034.073/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023). 2. O entendimento desta Corte é orientado no sentido de que "inexiste nulidade na desconsideração do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do CPP (REsp 1.828.483/MG, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 3/12/2019, DJe de 6/12/2019). 3. Hipótese em que o magistrado singular determinou a nomeação de um defensor dativo, como dispõe o art. 396-A, §2º, do Código de Processo Penal, que apresentou a resposta à acusação, e cujo rol de testemunhas foi o mesmo citado pelo Promotor de Justiça na inicial acusatória, não havendo nenhum prejuízo a ser reconhecido na espécie. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 173.712/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 26/5/2023.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA