AREsp 2568481 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal demandaria reexame do conjunto fático-probatório (laudos, depoimentos, fotografias, declarações), providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; o acórdão recorrido trouxe fundamentação concreta e indicou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ADAO MANOEL DO NASCIMENTO; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios; Interveniente (contrarrazões): Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios; Interveniente (manifestação): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (art. 253, Parágrafo Único, Inciso Ii, Alínea "a", Ristj)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Legal Topics
- Lesão Corporal (art. 129 Cp), Violência Arbitrária (art. 322 Cp), Insuficiência De Provas E Absolvição (art. 386, VII, Cpp), Súmula 7/stj, Nexo De Causalidade, Prova Pericial, Reexame De Matéria Fático Probatória
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ADAO MANOEL DO NASCIMENTO
Agravante
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Tribunal De Origem
Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios
Interveniente (contrarrazões)
Ministério Público Federal
Interveniente (manifestação)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (art. 253, Parágrafo Único, Inciso Ii, Alínea "a", Ristj)
Legal Issues
- 1 Insuficiência de provas para absolvição (art. 386, VII, CPP)
- 2 Incidência da Súmula 7 do STJ e impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial
- 3 Estabelecimento do nexo de causalidade entre lesões e o evento narrado
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal demandaria reexame do conjunto fático-probatório (laudos, depoimentos, fotografias, declarações), providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; o acórdão recorrido trouxe fundamentação concreta e indicou provas suficientes para manter a condenação quanto ao crime de lesão corporal.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ADAO MANOEL DO NASCIMENTO contra decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios que não admitiu o recurso especial. O agravante foi condenado como incurso nas sanções dos arts. 129, caput, e 322, ambos do Código Penal, à pena de 9 (nove) meses detenção, em regime aberto (fls. 1242-1254). O Tribunal de origem negou provimento, por unanimidade, à apelação em que a defesa requeria, em síntese, a absolvição quanto ao crime de violência arbitrária, e, com relação ao crime de lesão corporal, a inexistência de comprovação de nexo de causalidade e, subsidiariamente, a desclassificação para o delito de vias de fato (fls. 1352-1392). Inconformado, o agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, para alegar violação ao art. 386, inciso VII , do Código de Processo Penal (fls. 1410-1420). O recurso foi inadmitido ante a incidência da Súmula n. 7, STJ (fls. 1434-1436). No presente agravo, a defesa sustenta que a análise da pretensão recursal não demandaria o reexame de provas, mas tão somente a revaloração jurídica dos fatos já delineados (fls. 1441-1448). Em contrarrazões, o Ministério Público Distrito Federal e dos Territórios pugna pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fl. 1459). O Ministério Público Federal se manifestou pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 1477-1479). É o relatório. DECIDO. A pretensão do agravante consiste na absolvição do crime previsto no art. 129 do Código Penal, com fundamento na insuficiência de provas. Ao negar provimento ao recurso de apelação da defesa e manter a condenação do agravante, o Tribunal de origem assentou que a materialidade e a autoria do crime foram devidamente comprovadas, especialmente por meio do laudo de exame de corpo de delito, depoimentos coerentes prestados pela vítima e corroborado por fotografias, bem como declarações prestadas por outros dois internos. Veja-se (fls. 1367-1369): "O Laudo de Exame de Corpo de Delito - Lesões Corporais nº 12662/21, realizado em 16/04/2021, atesta a existência de lesões - três escoriações medindo cerca de 1cm de diâmetro cada em região lateral do punho esquerdo -, causadas por instrumento contundente, ipsis litteris (ID 49458392, págs. 55/56): "(..) 2. Quesitos 1º) Há ofensa à integridade corporal ou à saúde 2º) Qual o instrumento ou meio que a produziu ( ) 4. Descrição 1) Três escoriações medindo cerca de 1cm de diâmetro cada em região lateral do punho esquerdo. ( ) 6. Conclusão Lesões contusas. 7. Respostas aos quesitos 1 º) SIM 2 º) CONTUNDENTE" A vítima, em seu depoimento, informou ter ocultado a extensão de suas lesões ao perito. Consta dos autos que, após o Ministério Público ter tomado conhecimento das agressões, a vítima exibiu as marcas da violência e foi novamente conduzida ao IML. No Laudo de Exame de Corpo de Delito - Lesões Corporais nº 17331/21, realizado em 28/05/2021 (42 dias após o fato), o perito atestou a ausência de lesões recentes, assim como a impossibilidade, devido ao estágio evolutivo, de estabelecimento de nexo causal entre as lesões existentes na vítima -cicatrizes nas pernas e na região parietal hipocrômica - e o evento. Confira-se (ID 49458392, págs. 132/133): "(..) 3. Histórico Atendido no IML em razão de Ad Cautelam por evento ocorrido em data e horário não especificados, nas seguintes condições: periciado refere que no dia 16/04/2021 teria recebido um chute na boca com evulsão dentária, chute contra a barriga e lesão na cabeça por cassetete(sic). Nega outras lesões. 4. Descrição Apresenta 1. Cicatrizes em região parietal hipocrômicas medindo aproximadamente 3 e 4cm. 2. Escoriação em região umbilical, com sinais de epitelização e liquenificação. 3. Cicatrizes em região anterior de perna. 5. Discussão Para a avaliação da lesão odontológica é necessário exame específico por profissional odontólogo, que pode ser realizado neste Instituto conforme agendamento específico. A lesão descrita em 2 não corresponde ao relato do histórico e não é possível correlacioná-la a evento traumático. As lesões descritas em 1 e 3, devido ao seu estágio evolutivo, impedem o estabelecimento inequívoco de nexo causal com o mecanismo descrito no histórico. 6. Conclusão Ausência de lesões recentes. (grifo nosso)" Consta do Laudo de Perícia Criminal Exame Odontológico (ID 49458393) a avulsão, total ou parcial, do primeiro pré-molar da vítima. No entanto, os experts concluíram não ser possível, ante a falta de apresentação de documentação e o lapso temporal entre a data do exame e a do evento, estabelecer ou refutar o nexo causal. .. Como bem consignado pelo Juízo de origem, ainda que o segundo laudo não tenha sido conclusivo quanto às lesões serem decorrentes do evento em questão, "tem-se, a princípio, que tais lesões guardam semelhança com as lesões que a vítima alega ter sofrido, que teriam ocorrido na cabeça, na boca e no umbigo. Embora alegue a defesa que as lesões constantes dos laudos não seriam decorrentes dos atos praticados pelo acusado, é de se consignar que a sua atuação, com toda certeza, teria contribuído para a existência das lesões". De fato, a despeito de o segundo e o terceiro laudo serem inconclusivos em face do lapso temporal, o livre convencimento judicial permite a dispensa ou a análise fragmentada da prova pericial em cotejo com outros elementos idôneos colhidos durante a instrução. O laudo de exame de corpo de delito é apenas um dos meios de prova aptos a demonstrar a materialidade de crimes que deixam vestígios, sendo possível a comprovação também por outros meios, como a fotografia e a prova testemunhal. .. In casu, os depoimentos coerentes e harmônicos prestados pela vítima, corroborados pelas fotografias, pelo Laudo de Exame de Corpo de Delito e declarações dos dois internos, evidenciam que o réu praticou a lesão corporal descrita na denúncia, não havendo motivos para infirmar as versões apresentadas. Diante de o acervo probatório demonstrar com segurança a materialidade e autoria do crime de lesão corporal, não há falar em absolvição, por ausência de nexo causal. Logo, observo que o acórdão impugnado apresentou fundamentação concreta, com indicação de provas constantes dos autos, para concluir pela prática do crime imputado ao agravante. Entender de modo diverso demandaria necessariamente o reexame de fatos e provas, providência inadmitida na via eleita, nos termos da Súmula n. 7, STJ, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça. Confira-se: "Para acolher a pretensão recursal deduzida, no sentido de pronunciar o Acusado pela prática dos delitos de homicídio doloso e lesão corporal dolosa, seria necessário o reexame de matéria fático-probatória, o que é descabido em recurso especial nos termos da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça." (AgRg no REsp n. 2.041.318/MG, Sexta Turma, Rel. Min. Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 5/3/2024) "A estreita via do recurso especial se limita ao debate de matérias de natureza eminentemente jurídica, motivo pelo qual fica prejudicado o conhecimento do recurso no que tange à suposta incompatibilidade entre as lesões corporais e o laudo do exame de corpo de delito. Incidência da Súmula 7 do STJ." (AgRg no AREsp n. 2.069.651/DF, Quinta Turma, Rel. Min. Ministro Messod Azulay Neto, DJe de 30/5/2023) "Relativamente ao crime de lesão corporal, para entender-se pela absolvição do recorrente, seria necessário o revolvimento de todo o conjunto fático-probatório produzido nos autos, providência que, conforme cediço, é incabível na via do recurso especial, consoante o enunciado na Súmula n. 7 do STJ." (AgRg no AREsp n. 1.230.756/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 3/5/2018, DJe de 11/5/2018) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA