RHC 184609 - DECISAO
O indeferimento das diligências e da produção de provas foi devidamente fundamentado pelo juízo de primeiro grau por irrelevância/impertinência, nos termos do art. 400, § 1º, do CPP; não foi demonstrado prejuízo pela defesa (Súmula 523/STF); a alteração da decisão demandaria reexame do acervo fático-probatório, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: CARLOS HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça Recurso Negado
- Outcome
- recurso improvido
- Legal Topics
- Lesão Corporal Seguida De Morte, Cerceamento De Defesa, Produção De Provas, Nulidade, Diligências Defensivas, Reexame Fático Probatório
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS
Recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça Recurso Negado
Legal Issues
- 1 Indeferimento de diligências e produção de provas pela autoridade singular
- 2 Alegação de cerceamento de defesa e violação do devido processo legal e da paridade de armas
- 3 Necessidade de demonstração de prejuízo para reconhecimento de nulidade
Ratio Decidendi
O indeferimento das diligências e da produção de provas foi devidamente fundamentado pelo juízo de primeiro grau por irrelevância/impertinência, nos termos do art. 400, § 1º, do CPP; não foi demonstrado prejuízo pela defesa (Súmula 523/STF); a alteração da decisão demandaria reexame do acervo fático-probatório, o que é incabível nesta via, e houve superveniência de sentença condenatória no processo principal, de modo que negou-se provimento ao recurso em habeas corpus.
Court Disposition
recurso improvido
Orders
- Nego provimento ao recurso em habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso interposto por CARLOS HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS, contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS no HC n. 1.0000.23.082290-0/000 (fls. 224/230), exarado após determinação dada no RHC n. 180.478/MG. Eis a ementa do julgado ora impugnado (fl. 224): HABEAS CORPUS - LESÃO CORPORAL QUALIFICADA PELO RESULTADO MORTE - CUMPRIMENTO À DETERMINAÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - CONHECIMENTO DA IMPETRAÇÃO - INDEFRIMENTO IMOTIVADO DE DILIGÊNCIAS - NULIDADE - INOCORRÊNCIA. - Em cumprimento à determinação do Habeas Corpus n.º 180.478/MG julgado pelo colendo STJ, a impetração deve ser conhecida. - Estando devidamente motivada a decisão que indeferiu o requerimento defensivo de produção de provas, baseando-se em sua irrelevância ou impertinência, não há que se falar em cerceamento de defesa. O recorrente, denunciado como incurso no art. 129, § 3º, do Código Penal, insiste na alegação de cerceamento de defesa, de inobservância do devido processo legal e da paridade de armas. Requer a declaração de nulidade da decisão de indeferimento dos pedidos de expedição de ofícios à Delegacia de Polícia, ao Hospital Militar, ao IPSM, ao Recursos Humanos da Polícia Militar, à Corregedoria da Polícia Militar, ao SETARIN e à Justiça Militar, para o fornecimento de informações, por exemplo, acerca de enfermidade anterior, da pasta funcional da vítima, de dados sobre processo administrativo contra a vítima. Isso em razão da necessidade, no seu entender, da busca real dos fatos. Sem contrarrazões. Depois de indeferido o pedido liminar (fls. 282/283) e de prestadas informações (fls. 291/293), o Ministério Público Federal opinou de acordo com esta ementa (fl. 300): RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE. INDEFERIMENTO IMOTIVADO DE DILIGÊNCIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PRESENÇA DA DEFESA TÉCNICA. SÚMULA 523/STF. NÃO DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. PRECEDENTES. PELO DESPROVIMENTO DO RECURSO. Estes autos estão conexos ao RHC n. 171.891. Ali a defesa manifestou a necessidade apreciação concomitante deste e com aquele recurso (fl. 197 daqueles autos). É o relatório. No caso, ao confirmar o recebimento da denúncia, o Juízo de Direito da 4ª Vara Criminal da comarca de Contagem/MG indeferiu o pedido de diligências defensivas por entender que eram inúteis, desnecessárias à elucidação dos fatos em apuração, bem como porque não cabe ao Poder Judiciário requisitar documentos e informações que competem à própria parte interessada obter, sem que haja comprovação de qualquer embaraço à sua obtenção. Na oportunidade, a Magistrada afastou a alegação de inépcia da denúncia e atendeu ao pedido para elaboração de laudo complementar, com vistas à apresentação de resposta aos quesitos formulados pela defesa (fls. 57/59). O Tribunal mineiro concluiu que o indeferimento das provas foi devidamente motivado, que a decisão ora combatida atende aos comandos legais, uma vez que, de forma devidamente fundamentada, indefere os requerimentos que, em razão de seu livre convencimento motivado, entendeu o magistrado serem irrelevantes e impertinentes ao julgamento do feito (fl. 227). Ora, pacífico é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de que o art. 400, § 1º, do CPP, autoriza o Magistrado a indeferir as provas que considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias, uma vez que é ele o destinatário da prova, de modo que o indeferimento fundamentado da prova requerida pela defesa, não revela cerceamento de defesa, quando justificada sua prescindibilidade para o deslinde da controvérsia (EDcl no HC n. 411.833/SP, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 6/6/2018). Nessa linha, confiram-se ainda: REsp n. 1.717.508/MT, de minha relatoria, Sexta Turma, DJe 14/3/2019; AgRg no AREsp n. 1.228.012/RJ, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 24/5/2018; AgRg no RHC n. 170.308/PA, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 3/7/2024; e HC n. 186.140/PE, Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJe 24/5/2012. Afora isso, apenas se pode reconhecer nulidade quando há comprovação do prejuízo, sendo certo que, no caso dos autos, este não ficou demonstrado pelo recorrente. Não percebo a ocorrência de nenhum tipo de constrangimento ilegal, e para alterar a conclusão de que as provas requeridas e indeferidas eram indispensáveis à defesa, seria necessário a incursão no arcabouço fático e probatório dos autos principais, procedimento incabível neste âmbito. Não foi outra a manifestação da Subprocuradora-Geral da República Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, que também adoto como razão de decidir. De mais a mais, no Processo n. 002846218-2022.8.13.0079, sobreveio a condenação do recorrente como incurso nas sanções do art. 129, § 3º, c/c o art. 61, II, a, ambos do Código Penal, à pena de 4 anos e 8 meses de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, e ao pagamento de 11 dias-multa. Com efeito, ao proferir a sentença, a Magistrada, em juízo de cognição mais amplo do que o atual, afastou as preliminares alegadas pela defesa, e essa decisão somente poderá ser desconstituída por meio do recurso cabível (apelação), que está em andamento. Com base nos precedentes e no parecer ministerial, nego provimento ao recurso em habeas corpus. Publique-se. EMENTA RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE LESÕES CORPORAIS, COM RESULTADO MORTE. INDEFERIMENTO MOTIVADO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA, VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA PARIDADE DE ARMAS. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. ANÁLISE DO TEMA EM JUÍZO DE COGNIÇÃO MAIS AMPLO. Recurso improvido.