HC 967119 - DECISAO
O habeas corpus foi indeferido liminarmente por ausência de risco à liberdade de locomoção, sendo inadequado para discutir suspeição de magistrado ou outros efeitos da condenação que não afetem diretamente a locomoção; aplicou-se o entendimento consolidado em precedentes e o art. 210 do Regimento Interno do STJ para...
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- Parties
- Impetrante: JOAQUIM PEDRO DE MORAIS FILHO; Beneficiário Da Decisão Impugnada: SILVAL DA CUNHA BARBOSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Indeferimento Liminar
- Outcome
- pedido não conhecido; indeferido liminarmente
- Legal Topics
- Liberdade De Locomoção, Incidente De Suspeição, Medidas Cautelares, Posse Em Cargo Público, Perdão Judicial
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Parties
JOAQUIM PEDRO DE MORAIS FILHO
Impetrante
SILVAL DA CUNHA BARBOSA
Beneficiário Da Decisão Impugnada
Procedural Posture
Habeas Corpus / Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus para discutir efeitos de condenação que não importem risco à liberdade de locomoção
- 2 utilização do habeas corpus para discutir suspeição de magistrado
- 3 possibilidade de utilização do habeas corpus para autorizar posse em cargo público diante de medidas cautelares
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi indeferido liminarmente por ausência de risco à liberdade de locomoção, sendo inadequado para discutir suspeição de magistrado ou outros efeitos da condenação que não afetem diretamente a locomoção; aplicou-se o entendimento consolidado em precedentes e o art. 210 do Regimento Interno do STJ para indeferir liminarmente o pedido.
Court Disposition
pedido não conhecido; indeferido liminarmente
Orders
- Indeferimento liminar do habeas corpus com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de petição intitulada de habeas corpus formulada por JOAQUIM PEDRO DE MORAIS FILHO na qual aduz haver ilegalidade em decisão do Juízo da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá/MT que teria concedido perdão judicial à SILVAL DA CUNHA BARBOSA em processo relacionado à suposta propina por ele recebida. Requer a concessão de em liminar e no mérito a anulação da decisão impugnada. É o breve relatório. Decido. O pedido não comporta conhecimento. É certo que, sendo o habeas corpus o remédio constitucional que visa resguardar a liberdade ambulatorial das pessoas nacionais ou estrangeiras em território brasileiro, não se mostra possível sua utilização para discutir penas ou efeitos da condenação que não importem em risco ao direito de ir e vir. Incabível a utilização do mandamus para finalidade outra que não seja a proteção contra restrição ou ameaça ilegal, concreta e direta, ao direito de locomoção. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INCIDENTE DE SUSPEIÇÃO. LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO NÃO AMEAÇADA. NÃO ENFRENTAMENTO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I - No caso concreto, o presente habeas corpus, impetrado de próprio punho pelo paciente, foi indeferido liminarmente pela Presidência desta eg. Corte, haja vista a ausência de risco à liberdade de locomoção, em razão de questionar temas atinentes a incidente de suspeição de magistrado na origem. II - No mesmo sentido, julgado deste eg. Superior Tribunal de Justiça, afastando o risco à liberdade de locomoção e, por conseguinte, a viabilidade de habeas corpus para tratar da matéria de suspeição de magistrados, verbis: "A aferição da suspeição do magistrado é tema que envolve debate de nítido colorido fático-processual, inviável de ser efetivado no seio do mandamus" (HC n. 131.830/SP, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 01/02/2013). III - No mais, no presente agravo regimental, não se aduziu qualquer argumento apto a ensejar a alteração da r. decisão agravada, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 555.213/PA, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 25/8/2020.) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. "OPERAÇÃO CHORUME". PRETENSÃO DE POSSE EM CARGO DE VEREADOR. AUSÊNCIA DE AMEAÇA A DIREITO DE LOCOMOÇÃO. IMPROPRIEDADE DO REMÉDIO CONSTITUCIONAL. INCOMPATIBILIDADE ENTRE O EXERCÍCIO DO CARGO E AS MEDIDAS CAUTELARES IMPOSTAS. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A pretensão isolada de permissão para tomada de posse em cargo de vereador foge do escopo específico e restrito do habeas corpus - e, portanto, do respectivo recurso ordinário constitucional -, qual seja, proteção contra ameaça ou lesão ao direito de locomoção. 2. "É certo que, sendo o habeas corpus o remédio constitucional que visa resguardar a liberdade ambulatorial das pessoas nacionais ou estrangeiras em território brasileiro, não se mostra possível sua utilização para discutir outros efeitos da condenação que não importem em risco ao direito de ir e vir, como a perda do cargo público" (AgRg no HC n. 332.052/SP, relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 19/2/2019, DJe de 26/2/2019). 3. Ademais, tendo sido fixada pelo magistrado medida cautelar de vedação ao exercício de quaisquer funções públicas, inclusive de natureza política, revela-se clara a impossibilidade de investidura no cargo. 4. Com efeito, não faria sentido que, afastado o titular do cargo exatamente em razão da existência de fundados indícios de cometimento dos crimes objeto da "Operação Chorume", fosse empossado, em seu lugar, suplente acusado nos mesmos autos por participação nos mesmos delitos. 5. Agravo desprovido. (AgRg no RHC n. 170.598/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 4/10/2022, DJe de 10/10/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA