HC 591217 - DECISAO
Denegou-se a ordem porque não há ato normativo estadual que importe em ameaça, embaraço ou constrangimento ilegal à liberdade de locomoção do paciente; o pedido é preventivo e visa afastar ato futuro e incerto, sendo inadequado o habeas corpus quando ausente fato concreto e iminente constrangimento ilegal, conforme...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: Carlos Mônaco Pereira; Autoridade Coatora: Governador do Estado de São Paulo; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegação Da Ordem
- Outcome
- Ordem denegada.
- Legal Topics
- Liberdade De Locomoção, Lockdown, Decretos Estaduais, Salvo Conduto
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Carlos Mônaco Pereira
Paciente
Governador do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegação Da Ordem
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus preventivo contra ato normativo estadual quanto à restrição de locomoção
- 2 existência de ameaça real ou iminente à liberdade de locomoção do paciente
- 3 possibilidade de concessão de salvo-conduto em face de mera possibilidade futura de lockdown
Ratio Decidendi
Denegou-se a ordem porque não há ato normativo estadual que importe em ameaça, embaraço ou constrangimento ilegal à liberdade de locomoção do paciente; o pedido é preventivo e visa afastar ato futuro e incerto, sendo inadequado o habeas corpus quando ausente fato concreto e iminente constrangimento ilegal, conforme precedente desta Corte.
Court Disposition
Ordem denegada.
Orders
- Ordem denegada.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus preventivo impetrado em nome de Carlos Mônaco Pereira, apontando-se como autoridade coatora o Governador do Estado de São Paulo, em razão de possibilidade de decretação de lockdown ou restrição total de locomoção na cidade de São Paulo e/ou na região metropolitana (fl. 8). Alega-se constrangimento ilegal consistente em ameaça ao direito de locomoção do paciente, assentando que ausente a decretação de situações de exceção, não pode ser restrito o direito de locomoção, previsto no art.5º, XV, da Magna Carta, que reza que é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens (fl. 9). Requer-se, então, a concessão da ordem, inclusive em caráter liminar, a fim de que seja expedido salvo-conduto em favor do paciente. Em 30/6/2020, foi indeferido o pedido liminar (fls. 39/41). Prestadas informações pelo Governador do Estado de São Paulo (fls. 46/51), o Ministério Público Federal opinou pela denegação do writ (fls. 54/55). É o relatório. Busca a impetração a expedição de salvo-conduto em favor do paciente a fim de sanar ameaça à sua liberdade de locomoção, em razão de possibilidade de decretação de lockdown na região metropolitana de São Paulo/SP. Inicialmente, registre-se que a autoridade coatora, em suas informações, consignou que (fls. 50/51): Destaque-se, ainda, que, segundo definição adotada pelo Ministério da Saúde (Boletim Epidemiológico nº 8), o bloqueio total (lockdown) consiste no "nível mais alto de segurança e pode ser necessário em situação de grave ameaça ao Sistema de Saúde. Durante um bloqueio total, TODAS as entradas do perímetro são bloqueadas por trabalhadores de segurança e NINGUÉM tem permissão de entrar ou sair do perímetro isolado". Tal medida, porém, não foi implementada pelos Decretos nº 64.881/2020 e 64.994/2020. De outro lado, cumpre assinalar que o artigo 4º do Decreto nº 64.881/2020, com a redação dada pelo Decreto 64.949/2020, apenas recomenda que a "circulação de pessoas no âmbito do Estado de São Paulo se limite às necessidades imediatas de alimentação, cuidados de saúde e exercício de atividades essenciais, observado o uso permanente de máscaras faciais, de uso profissional ou não". A finalidade dessa recomendação é reforçar a importância do distanciamento social como único meio de controle da doença, conforme orientação do Ministério da Saúde veiculada nos mencionados Boletins Epidemiológicos. Portanto, diferentemente do que alega o impetrante, inexiste ato normativo estadual do qual possa resultar ameaça, embaraço ou constrangimento ilegal à liberdade de locomoção do paciente, no contexto do combate à pandemia decorrente da COVID-19. Então razão não assiste à impetração, pois, nos termos no entendimento jurisprudencial desta Corte Superior, em caso similar ao dos presentes autos - impetração contra ato normativo de Governador de Estado, referente arestrições de locomoção em período pandêmico - assentou-se que o remédio constitucional, em sua feição preventiva, não tem cabimento contra o chamado ato de hipótese, futuro e incerto (AgRg no HC n. 520.143/RJ, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 15/10/2019). Outrossim, o Ministério Público Federal, em seu parecer, manifestou-se no sentido de que (fls. 192/195): Não há de ser acolhida a pretensão. .. Evidencia-se indemonstrado pelo impetrante existência de ato ou ameaça real ou iminente contra liberdade de ir e vir do paciente, tratando-se de simples receio de que o governo do Estado de São Paulo venha a decretar lockdown (bloqueio total ou confinamento). A defesa nem ao menos esclarece de que modo as medidas adotadas pelo gestor público poderiam impedir o paciente de locomover-se para exercer atividades essenciais a sua sobrevivência e aos cuidados a sua genitora. Ademais, informa a autoridade coatora que o Decreto nº 64.881/2020 instituiu restrições que "recaem sobre o atendimento presencial ao público em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, bem como o consumo local em bares, restaurantes, padarias e supermercados" (e-STJ, fl. 50), enquanto o Decreto nº 64.994/2020, que alterou o primeiro, estende a quarentena e instituir o denominado "Plano São Paulo" visando a uma atuação coordenada de Estado, Municípios e sociedade civil no combate à pandemia, sem implementar, em momento algum, o bloqueio total ou confinamento (lockdown). Observa-se, assim, não terem sido indicados quaisquer atos objetivos capazes de causar ameaça de ou restrição à liberdade de locomoção do paciente, tendo o impetrante impugnado mera possibilidade de constrangimento sem nem mesmo esclarecer de que modo se daria o suposto ato ilegal. Não se verifica, assim, fato concreto a indicar iminência de sofrer o réu constrangimento ilegal, devendo-se denegar o writ. Conclui-se, então, que a impetração não evidenciou a alegada ameaça ao direito de locomoção do paciente. Em razão disso, acolhendo parecer ministerial, denego a ordem. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. SALVO-CONDUTO. POSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO DE LOCKDOWN. ALEGAÇÃO DE AMEAÇA À LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTE. LIMINAR INDEFERIDA. PARECER PELA DENEGAÇÃO DO WRIT. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. PARECER ACOLHIDO. Ordem denegada.