REsp 2156317 - DECISAO
O recurso especial foi afetado ao rito do art. 1.036 do CPC/2015 (Tema 1.233/STJ) e deve permanecer suspenso e ser devolvido ao Tribunal de origem para aguardar a publicação dos acórdãos paradigmas; subsidiariamente, o entendimento firmado considera que a UFSM é legítima para figurar no polo passivo, que a conversão...
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- Parties
- Recorrente: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - UFSM
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Afeto Ao Rito Do Art. 1.036 Do Cpc/2015 E Devolvido Ao Tribunal De Origem Para Permanecer Suspenso Até Publicação Dos Acórdãos Paradigmas
- Outcome
- Autos devolvidos ao Tribunal de origem; recurso especial suspenso até a publicação dos acórdãos paradigmas do Tema 1.233/STJ; observância dos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC/2015 pelo Tribunal de origem
- Legal Topics
- Licença Prêmio, Conversão Em Pecúnia, Imposto De Renda, Contribuição Previdenciária, Base De Cálculo, Abono De Permanência, Emenda Constitucional 113/2021, SELIC, Ritual Do Recurso Especial (arts. 1.036 a 1.041 Cpc/2015)
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Parties
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - UFSM
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Afeto Ao Rito Do Art. 1.036 Do Cpc/2015 E Devolvido Ao Tribunal De Origem Para Permanecer Suspenso Até Publicação Dos Acórdãos Paradigmas
Legal Issues
- 1 legitimidade da Universidade Federal de Santa Maria para figurar no polo passivo
- 2 natureza jurídica da conversão em pecúnia de licença-prêmio e incidência de imposto de renda e contribuição previdenciária
- 3 composição da base de cálculo da conversão da licença-prêmio (inclusão de abono de permanência, auxílio-alimentação, terço constitucional de férias e gratificação natalina)
Ratio Decidendi
O recurso especial foi afetado ao rito do art. 1.036 do CPC/2015 (Tema 1.233/STJ) e deve permanecer suspenso e ser devolvido ao Tribunal de origem para aguardar a publicação dos acórdãos paradigmas; subsidiariamente, o entendimento firmado considera que a UFSM é legítima para figurar no polo passivo, que a conversão em pecúnia de licença-prêmio não tem natureza salarial (afastando imposto de renda e contribuição previdenciária), que determinadas rubricas compõem a base de cálculo da conversão e que a aplicação da SELIC está disciplinada pela EC 113/2021 para incidência única conforme seu art. 3º.
Court Disposition
Autos devolvidos ao Tribunal de origem; recurso especial suspenso até a publicação dos acórdãos paradigmas do Tema 1.233/STJ; observância dos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC/2015 pelo Tribunal de origem
Orders
- Devolvam-se os autos ao Tribunal de origem
- Mantenha-se o recurso especial suspenso até a publicação dos acórdãos paradigmas (Tema 1.233/STJ)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - UFSM, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDAE NÃO COMPUTADA EM DOBRO PARA FINS DE APOSENTADORIA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. EC Nº 113/2021. SELIC. 1. A Universidade Federal de Santa Maria tem legitimidade para figurar no polo passivo da ação, porquanto detém personalidade jurídica própria e autonomia a dministrativa e financeira, e, nessa condição, responde pelas demandas que envolvem os servidores públicos a si vinculados. Pelo mesmo motivo, desnecessária a formação de litisconsórcio com a União, uma vez que os efeitos da sentença repercutirão exclusivamente na sua esfera jurídica. 2. A jurisprudência é firme no sentido de que as licenças-prêmio que não foram usufruídas e que são convertidas em pecúnia (indenizadas) não representam acréscimo ao patrimônio do autor, apenas o recompõem pela impossibilidade do exercício de um direito. Não havendo acréscimo patrimonial e, tendo em vista que esses valores não têm natureza salarial, não há incidência do imposto de renda e de contribuição previdenciária. 3. Outrossim, a não incidência de imposto de renda e contribuição previdenciária sobrevalores devidos em decorrência de conversão em pecúnia de licença-prêmio não usufruída constitui mero consectário do provimento judicial condenatório almejado, não tendo o condão de infirmar a competência do juízo, que se define pela natureza administrativa do pedido principal. 4. As rubricas abono de permanência, o auxílio-alimentação, o terço constitucional de férias e a gratificação natalina são verbas de caráter permanente que compõem a remuneração, razão pela qual, em quantia correspondente à da última remuneração do servidor quando em atividade, devem compor a base de cálculo da conversão da licença-prêmio. 5. Colhe-se da redação do artigo 3º da Emenda Constitucional nº 113/2021 que a taxa SELIC será utilizada em qualquer das hipóteses ali previstas - atualização monetária, remuneração de capital ou compensação da mora - uma única vez. Consequentemente, a aplicação da SELIC, por força de norma constitucional, está autorizada também no período em que o débito deve ser apenas corrigido monetariamente (fl. 271). É o relatório. A controvérsia devolvida ao conhecimento desta Corte Superior mediante o recurso especial em epígrafe foi afetada ao rito do art. 1.036 do Código de Processo Civil de 2015, no Tema 1.233/STJ, cuja questão submetida a julgamento é: "Definir se o abono de permanência integra as bases de cálculo do adicional de férias e da gratificação natalina (13º salário) dos servidores públicos federais". Nesse contexto, os recursos que tratam da mesma controvérsia neste Superior Tribunal de Justiça devem aguardar, no Tribunal de origem, a solução da questão, viabilizando, assim, o juízo de conformação, atualmente disciplinado pelos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC/2015. Cumpre destacar que, em conformidade com o art. 1.041, § 2º, do CPC/2015, apenas após essas providências é que o recurso especial, se for o caso, deverá ser reencaminhado a este Tribunal Superior, independentemente de ratificação, para análise das demais questões jurídicas nele suscitadas que, eventualmente, não fiquem prejudicadas pela conformidade do acórdão recorrido com a decisão sobre o tema repetitivo ou pelo novo pronunciamento do Tribunal de origem. Isso posto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que o recurso especial permaneça suspenso até a publicação dos acórdãos paradigmas, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015, observando-se, em seguida, o procedimento dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015. Advirto as partes que, na esteira da jurisprudência tranquila desta Corte, a presente decisão possui recorribilidade limitada à demonstração do distinguishing, na forma do art. 1.037, §§ 9º e 10, IV, do CPC, sendo que não será conhecido eventual agravo interno ou pedido de reconsideração a pretender o julgamento do presente recurso especial. A oposição de incidentes manifestamente improcedentes e protelatórios dará azo à aplicação das penalidades legalmente previstas (arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC). Intimem-se. EMENTA