REsp 2065133 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que não houve omissão do Tribunal de origem quanto ao art. 535 do CPC/1973 e, à luz da jurisprudência consolidada do STJ (incluindo o Tema 905 e REsp 1.495.146/MG), manteve o acórdão recorrido, reconhecendo que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica para fins de correção...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Recorrente: SÃO PAULO PREVIDÊNCIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (negação De Provimento)
- Outcome
- recurso especial negado provimento
- Legal Topics
- Licença Prêmio, Coisa Julgada, Juros Moratórios, Correção Monetária, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, Recurso Especial, Repetitivos (tema 905)
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Parties
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrente
SÃO PAULO PREVIDÊNCIA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (negação De Provimento)
Legal Issues
- 1 incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 às condenações impostas à Fazenda Pública
- 2 conversão da licença-prêmio em pecúnia e requisitos administrativos
- 3 existência de coisa julgada por postulação judicial anterior
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que não houve omissão do Tribunal de origem quanto ao art. 535 do CPC/1973 e, à luz da jurisprudência consolidada do STJ (incluindo o Tema 905 e REsp 1.495.146/MG), manteve o acórdão recorrido, reconhecendo que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica para fins de correção monetária nas condenações impostas à Fazenda Pública, enquanto a disciplina sobre juros de mora segue o regime fixado pelo STJ conforme a natureza da condenação (especialmente para servidores públicos), não merecendo provimento o recurso especial.
Court Disposition
recurso especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO e pela SÃO PAULO PREVIDÊNCIA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurgem contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fls. 316/317): SERVIDORES PÚBLICOS INATIVOS LICENÇA-PRÊMIO LEI 500/74. CARÊNCIA DE AÇÃO Postulação judicial anterior de parte dos requerentes para reconhecer o direito à licença-prêmio e pagamento em pecúnia Coisa julgada configurada Pleito de pedido indenizatório sem o reconhecimento administrativo quanto ao preenchimento dos requisitos para concessão da Licença Ausência de interesse de agir de alguns autores, nesse ponto. Processo extinto, sem julgamento de mérito, nos termos do artigo 267, incisos V e VI, do Código de Processo Civil. RECONHECIMENTO DO DIREITO - Indeferimento do pedido de obtenção do benefício na esfera administrativa - Aos admitidos na forma da Lei nº 500/74 são devidas sexta-parte e licença prêmio - Súmula 28 do E. Tribunal de Justiça de São Paulo. LICENÇA-PRÊMIO - Pleito para indenização Conversão em pecúnia só passível após a Administração aferir os critérios para a concessão da benesse Possibilidade de indenização para aqueles que possuem certidão expedida pela administração Vedação ao enriquecimento ilícito da Administração Entendimento deste E.Tribunal de Justiça. JUROS MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA NAS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA - Entendimento pacificado tanto em repercussão geral pelo E. STF e, em recurso repetitivo, pelo E. STJ Aplicação do princípio do "tempus regit actum" Juros no percentual estabelecido para a caderneta de poupança a partir da vigência da Lei 11.960/2009, que alterou o art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com incidência imediata aos processos em curso e, após a declaração da inconstitucionalidade por arrastamento na ADin 4.357/DF, observar os juros das cadernetas de poupança e correção monetária pelo IPCA, em conformidade ao atual entendimento do E. STJ. Sentença de parcial procedência da ação apenas para reconhecer o direito à licença-prêmio reformada, em parte. Processo extinto, sem julgamento de mérito, nos termos do artigo 267, incisos V e VI, do Código de Processo Civil. Recurso de apelação dos autores parcialmente provido, reconhecida a conversão em pecúnia. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 354/359). Nas razões de seu recurso, a parte recorrente afirma haver violação dos arts. 126, 462, 515, e 535, II, do Código de Processo Civil de 1973, dos arts. 26 e 27 da Lei 9.868/1999 e do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, porquanto o (i) Tribunal de origem não se manifestou acerca das questões ventiladas nos embargos de declaração e (ii) acórdão recorrido afastou a aplicação ao caso concreto da nova sistemática para a incidência de juros de mora e correção monetária do débito. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 405/423). Os autos foram enviados ao órgão julgador para eventual juízo de retratação considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixado quando do julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905 (de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques). O acórdão foi mantido nos termos da ementa ora transcrita (fl. 439): APELA ÇÃO CÍVEL DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA JUIZO DE RETRATAÇÃO CPC, ART. 1.040, II JULGAMENTO DO REsp 1.492.221/PR (TEMA 905) e RE Nº 870.974/SE (TEMA 810) CORREÇÃO MONETÁRIA Tese fixada pelo STJ "O art. 1º-F da Lei 9.494197 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza" Correção monetária pelo IPCA JUROS MORATÓRIOS Tese fixada pelo STJ "O art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária." Juros de mora nos termos da Lei nº 11.960/2009, a partir de sua vigência Acórdão da apelação mantido, sem juízo de retratação, por ser plenamente compatível com o Tema 905 do Superior Tribunal de Justiça Devolução dos autos à Presidência da Seção de Direito Público. O recurso foi admitido na origem (fls. 452/453). É o relatório. Nos termos do que foi decidido pelo Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo 2). A pretensão recursal não merece prosperar. Verifico que inexiste a alegada violação do art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. Saliento que julgamento diverso do pretendido, como no presente caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. Quanto à questão de fundo do recurso especial, a Corte Especial do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.205.946/SP, representativo de controvérsia, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves, pacificou o entendimento de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, por se tratar de norma de caráter eminentemente processual, deve ser aplicado de imediato a todas as demandas judiciais em trâmite (sessão de 19/10/2011). Ainda quanto à questão afeta ao art. 1º-F da Lei 9.494/1997, importa salientar que a aplicação dos juros e da correção monetária foi finalmente definida por esta Corte no julgamento do Recurso Especial 1.495.146/MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques (DJe de 2/3/2018), no qual se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001, juros de mora de 1% ao mês (capitalização simples) e correção monetária pelos índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) de agosto/2001 a junho/2009, juros de mora de 0,5% ao mês e correção monetária pelo IPCA-E; (c) a partir de julho/2009, juros de mora pela remuneração oficial da caderneta de poupança e correção monetária pelo IPCA-E. Confira-se a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp n. 1.495.146/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 2/3/2018.) Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA