AREsp 2718560 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou adequadamente os fatos e provas, reconheceu a prescrição quinquenal quanto à pretensão de desaverbação e constatou que o período de licença-prêmio foi utilizado em dobro para concessão do abono de permanência, impedindo sua conversão em...
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- Parties
- Agravante: Agravante; Agravada: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Agravo Em Recurso Especial Recurso Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Licença Prêmio, Conversão Em Pecúnia, Abono De Permanência, Prescrição Quinquenal, Coisa Julgada, Reexame De Provas (súmula 7/stj)
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Parties
Agravante
Agravante
UNIÃO
Agravada
Procedural Posture
Recurso Especial / Agravo Em Recurso Especial Recurso Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Prescrição quinquenal da pretensão de desaverbação do tempo de licença-prêmio
- 2 Utilização do tempo de licença-prêmio em dobro para fins de abono de permanência impede conversão em pecúnia
- 3 Vedação ao reexame do acervo fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou adequadamente os fatos e provas, reconheceu a prescrição quinquenal quanto à pretensão de desaverbação e constatou que o período de licença-prêmio foi utilizado em dobro para concessão do abono de permanência, impedindo sua conversão em pecúnia; a pretensão do recorrente demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ e não foi demonstrada divergência jurisprudencial nem pré-questionamento suficiente.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido.
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Caso exista prévia fixação de honorários, majorar os honorários em desfavor da parte recorrente no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais e a concessão de gratuidade judiciária.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de rito comum ajuizado pelo ora Agravante contra a UNIÃO, ora Agravada, requerendo a conversão em pecúnia de sua licença prêmio (nove meses) não gozada. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido, considerando que os 270 (duzentos e setenta) dias já foram utilizados para a concessão de abono de permanência. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 79.634,67 (Setenta e nove mil, seiscentos e trinta e quatro reais e sessenta e sete centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. LICENÇA-PRÊMIO. CONVERSÃO EM PECÚNIA DOS PERÍODOS NÃO GOZADOS E NÃO UTILIZADOS PARA FINS DE APOSENTADORIA. CÔMPUTO PARA ABONO DE PERMANÊNCIA. DESAVERBAÇÃO. PRESCRIÇÃO. 1. RECONHECIDA A PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL EM RELAÇÃO À PRETENSÃO DE DESAVERBAR O TEMPO DE LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADO, CONTABILIZADO EM DOBRO, UMA VEZ QUE TAL ATO SE PERFECTIBILIZOU EM 2011, RAZÃO PELA QUAL, PASSADOS MAIS DE 5 ANOS, ELE NÃO PODE SER REVISTO. 2. A TESE FIRMADA NO TEMA N 516 DO STJ NÃO SE AMOLDA AO CASO, POIS A PARTE AUTORA NÃO CHEGOU À ÉPOCA DA APOSENTADORIA SEM SE UTILIZAR DA CONTAGEM EM DOBRO DO PERÍODO RELATIVO À LICENÇA- PRÊMIO. 3. AO UTILIZAR O TEMPO DE LICENÇA-PRÊMIO EM DOBRO PARA O RECEBIMENTO DO ABONO DE PERMANÊNCIA, O SERVIDOR EFETIVAMENTE USUFRUIU DA MESMA, POIS O QUE FOI RECONHECIDO COM A UTILIZAÇÃO DA LICENÇA-PRÊMIO FOI JUSTAMENTE A POSSIBILIDADE ANTECIPADA DE JUBILAÇÃO, VINDO A GERAR O DIREITO AO ABONO DE PERMANÊNCIA, QUE É UM ACRÉSCIMO AO PATRIMÔNIO JURÍDICO DO SERVIDOR. 4. APELAÇÃO CÍVEL IMPROVIDA. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Com efeito, no ano de 2011, o autor requereu a concessão do abono de permanência, tendo sido computado em dobro o período de 9 meses de licença-prêmio para tal fim (processo5079640-32.2021.4.04.7000/PR, evento 5, RESPOSTA3). .. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Nesse sentido: SERVIDOR PÚBLICO. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LICENÇA-PRÊMIO. PERÍODOS UTILIZADOS PARA CONCESSÃO DE ABONO DE PERMANÊNCIA. VIOLAÇÃO À REGRA DA DEVOLUTIVIDADE. DECISÃO SURPRESA. NÃO OCORRÊNCIA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. IMPOSSIBILIDADE. RECEBIMENTO DE EMENDA À INICIAL. SÚMULA 7/STJ. 1. As partes discutiram, desde a inicial, o saldo de dias de licença-prêmio não usufruídos para fins de conversão em pecúnia, o que afasta a alegada surpresa e violação à devolutividade, e, ainda, nada obsta que o juízo analise as provas e firme sua convicção de forma diversa das alegações das partes. 2. Está correta a decisão ao observar que, computados os dias de licença-prêmio não usufruídos para fins de concessão do abono de permanência, não podem ser convertidos em pecúnia, pois a jurisprudência desta Corte veda sua utilização duplicada. Precedentes. 3. A alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 4. Agravo não provido. (AgInt no AREsp n. 2.107.495/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 1/3/2024.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 489 E 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. LICENÇA-PRÊMIO. ABRANGÊNCIA DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Na origem trata-se de pedido de cumprimento da sentença proferida na ação coletiva (Processo n. 2007.70.00.032749-6) ajuizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência, Seguridade e Ação Social do Estado do Paraná (SINDPREVS/PR), que reconheceu aos substituídos o direito à conversão em pecúnia da licença-prêmio dos servidores que se aposentaram sem tê-la usufruído nem utilizado para fins de aposentadoria, bem como parcelas devidas aos substituídos que se aposentaram após 10/12/2002 . 2. Não se configura a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil/2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia que lhe foi apresentada. 3. Nos presentes autos, o Tribunal de origem, em respeito à coisa julgada, limitou-se a reconhecer a legitimidade ativa do exequente e a estabelecer o alcance do título executivo formado na ação coletiva 2007.70.00.032749-6, deixando a análise das demais questões que circundam a apuração do crédito, "tais como a efetiva (necessária) utilização da licença para fins de obtenção do abono na data em que este iniciou a ser pago, e, em decorrência disso, a necessidade ou não de sua compensação do crédito exequendo", ao primeiro grau de jurisdição, na liquidação. 4. Rever tal entendimento, com o objetivo de aferir a legitimidade de parte ou os limites da coisa julgada, demanda revolvimento de matéria fática, o que é inviável em Recurso Especial, à luz do óbice contido na Súmula 7/STJ, assim enunciada: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 5. Com relação ao precedente mencionado pela União em sustentação oral (AgInt no REsp 1.829.391/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 5/10/2020, DJe 9/10/2020), o entendimento nele esposado veda a conversão em pecúnia de licença-prêmio utilizada para cômputo de tempo para aposentadoria ou abono-permanência, situação que não se afigura no presente caso, pois o acórdão recorrido determinou o pagamento dos períodos que excederam o tempo mínimo para aposentação. 6. Recurso Especial parcialmente conhecido, apenas em relação à preliminar de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, e, nessa parte, não provido. (REsp n. 1.893.944/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/11/2020, DJe de 18/12/2020.) Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA