REsp 1935686 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a matéria objeto do recurso aponta suposta violação a ato normativo ministerial (Portaria Normativa), que não se equipara a 'lei federal' nos termos do art. 105, III, alínea 'a', da Constituição Federal, de modo que a Corte não tem competência para apreciar tal alegação;...
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- Parties
- Recorrente: UNIÃO; Autor: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (art. 255, §4º, I, Do Ristj)
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Licença Especial Não Gozada, Conversão Em Pecúnia, Prescrição, Portaria Normativa N.º 31/gm MD, Compensação De Valores, Correção Monetária (ipca E), Juízo De Retratação, Recursos Repetitivos (tema 516)
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Parties
UNIÃO
Recorrente
parte autora
Autor
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (art. 255, §4º, I, Do Ristj)
Legal Issues
- 1 Competência do STJ para examinar alegada violação de Portaria Normativa/ato ministerial em recurso especial
- 2 Efeito da Portaria Normativa n.º 31/GM-MD, de 24/05/2018, quanto à renúncia à prescrição
- 3 Aplicação do entendimento do Tema 516 (REsp 1254456/PE) sobre termo inicial da prescrição quinquenal
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a matéria objeto do recurso aponta suposta violação a ato normativo ministerial (Portaria Normativa), que não se equipara a 'lei federal' nos termos do art. 105, III, alínea 'a', da Constituição Federal, de modo que a Corte não tem competência para apreciar tal alegação; fundamentou-se em precedentes do STJ e no art. 255, §4º, I, do RISTJ. Subsidiariamente, majorou-se a verba honorária em 1 ponto percentual com fundamento no art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecimento do recurso especial com fundamento no art. 255, §4º, I, do RISTJ
- Majoração da condenação da verba honorária em 1 ponto percentual com fundamento no art. 85, §11, do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por UNIÃOcom fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, a parte autora ajuizou ação ordinária com valor da causa atribuído em R$ 214.320,60 (duzentos e quatorze mil, trezentos e vinte reais e sessenta centavos), em24/07/2017, objetivando a conversão em pecúnia de licença especial de militar não usufruída nem contada para fins de inatividade. Após sentença que julgou improcedentes os pedidos, o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃOdeu provimento à apelação do Autor. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: ADMINISTRATIVO. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA. PRESCRIÇÃO. CONVERSÃO EM PECÚNIA.COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. 1. Possível a conversão em pecúnia, com base na remuneração percebida pelo militar na data da sua passagem para a inatividade, em virtude da edição da Portaria Normativa n.º 31/GM-MD, de 24/05/2018, que reconheceu o direito dos militares à conversão em pecúnia dos períodos de licença especial não usufruídos nem computados em dobro para efeito de inativação. 2. Quando da execução do julgado, os valores recebidos a maior a título da conversão da licença especial deverão ser compensados do montante devido. 3. Afastada a aplicação do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, com relação à correção monetária, determinando-se a incidência do IPCA-E. Os embargos de declaração interpostos foram acolhidosapenas para fins de complementar a fundamentação do voto condutor, visto que, com a edição da Portaria Normativa n.º 31/GM-MD, em 24/05/2018, o reconhecimento pela União do direito dos militares das Forças Armadas converterem em pecúnia (como indenização) licença especial não usufruída, nem computada para fins de inatividade, implicou em renúncia à prescrição do fundo de direito, a ensejar o reinício da contagem do prazo prescricional em sua integralidade (art. 191 c/c art. 202, VI, do Código Civil), a contar da data de edição do referido ato normativo, nos casos em que já decorrido o lapso quinquenal. Após o julgamento do REsp nº 1.254.456/PE (Tema nº 516/STJ), os autos retornaram à Câmara Julgadora para eventual juízo de retratação, a qual manteve o acórdão ora recorrido, ficando assim ementado o julgado, in verbis: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO.MILITAR. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. RENÚNCIA À PRESCRIÇÃO. RESP 1254456/PE.RECURSOS REPETITIVOS. TEMA Nº 516. MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO. 1. Em 25/04/2012, o STJ concluiu o julgamento do REsp 1254456/PE (Tema 516), submetido à sistemática dos recursos repetitivos, definindo a seguinte tese: A contagem da prescrição quinquenal relativa à conversão em pecúnia de licença-prêmio não gozada e nem utilizada como lapso temporal para a aposentadoria, tem como termo a quo a data em que ocorreu a aposentadoria do servidor público. 2. Deixa-se de se proceder ao juízo de retratação, pois o acórdão desta Terceira Turma não contraria o entendimento do STJ, na medida em que há distinção entre o contexto fático jurídico analisado e o precedente vinculante. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, UNIÃOinterpôs o presente recurso especial, apontando violação do art. 1º do Decreto n. 20.910/32; e dos arts. 191 e 202 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que a Portaria Normativa nº 31/GM-MD, de 24/05/2018, não importou em renúncia à prescrição, uma vez que expressamente fez a ressalva para impedir o reconhecimento administrativo do direito quanto às situações atingidas pela prescrição. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." Verifica-se ser incabível a indicação de ofensa a dispositivo inserto em Portaria Normativa de Ministério, porquanto tal regramento não se caracteriza como "lei federal", não se inserindo no disposto no art. 105, III, a, da Carta Magna. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes, in verbis: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA E INDENIZAÇÃO. DESPESAS COM OBRAS DE INFRAESTRUTURA PARA A IMPLANTAÇÃO DE REDE ELÉTRICA EM LOTEAMENTO PARTICULAR. RESPONSABILIDADE LEGAL DO LOTEADOR. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO DO STJ. É VEDADA A ANÁLISE DE MATÉRIA, CONSTANTE EM PORTARIA, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. AGRAVO INTERNO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (..) 4. Este Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento de que Portarias, Circulares e Resoluções não se equiparam a Leis Federais para fins de interposição do Recurso Especial. Assim, a alegada violação dos arts. 136, 138 e 140 do Decreto 41.019/1957 pela Portaria 005/1990 do DNAEE tem a sua análise vedada no âmbito desta Corte Superior de Justiça. (..) 6. Agravo Interno da Sociedade Empresária a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1034775/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/05/2019, DJe 20/05/2019.) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPTU. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALECIMENTO DO PROPRIETÁRIO ANTES DA EXECUÇÃO FISCAL. ALÍNEA "C" DO ART. 105 DA CONSTITUIÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284 DO STF. (..) 3. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, examinar tal violação, na medida em que o ato normativo não é enquadrado no conceito de lei federal. Conforme o art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, não se permite ampliar a competência desta Corte Superior para, em recurso especial, examinar eventual ofensa a súmulas, resoluções, regulamentos, portarias, circulares ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos compreendidos na expressão "lei federal". (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1645453/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2019, DJe 28/02/2019.) No mesmo sentido: AREsp 1.856.990/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 02/06/2021; REsp 1.925.292/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 25/05/2021; REsp 1.925.688/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 20/05/2021. Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro a condenação da verba honorária fixada pelo Tribunal de origem em 1 ponto percentual, sopesado, para a definição do quantum ora aplicado, o trabalho adicional realizado pelos advogados. Publique-se. Intimem-se.