AREsp 2548734 - ACORDAO
O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência dominante do STJ que fixa a data da inativação/aposentadoria como termo inicial da prescrição para a conversão em pecúnia de licença especial não gozada; assim aplica-se o óbice da Súmula n.83/STJ, razão pela qual o agravo interno não merece provimento.
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- Parties
- Agravante: RICARDO DE MORAES RAMOS; Agravado: União Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Da Segunda Turma Negar Provimento (sessão Virtual 13/03/2025 a 19/03/2025)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Licença Especial Não Gozada, Conversão Em Pecúnia, Termo Inicial Do Prazo Prescricional, Prescrição Quinquenal, Súmula 83/stj
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Parties
RICARDO DE MORAES RAMOS
Agravante
União Federal
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Da Segunda Turma Negar Provimento (sessão Virtual 13/03/2025 a 19/03/2025)
Legal Issues
- 1 qual é o termo inicial do prazo prescricional para conversão em pecúnia de licença especial não gozada por militar
- 2 aplicabilidade da Súmula n.83/STJ ao caso
- 3 se a publicação do ato administrativo (12/04/2018) seria termo inicial da prescrição
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência dominante do STJ que fixa a data da inativação/aposentadoria como termo inicial da prescrição para a conversão em pecúnia de licença especial não gozada; assim aplica-se o óbice da Súmula n.83/STJ, razão pela qual o agravo interno não merece provimento.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/03/2025 a 19/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. DATA DA INATIVAÇÃO. ACÓRDÃO EM PERFEITA HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem consignou que "o termo inicial da prescrição do seu direito à conversão em pecúnia de licença prêmio é a data da inativação ("aposentadoria") do militar" (e-STJ, fl. 282). 2. Verifica-se que o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Portanto, inarredável a incidência do óbice da Súmula n. 83/STJ ao caso. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interno interposto por RICARDO DE MORAES RAMOS contra decisão monocrática proferida pelo Ministro Mauro Campbell Marques nos seguintes termos (e-STJ, fl. 537): ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. LICENÇA ESPECIAL. CONVERSÃO EM PECÚNIA. PRESCRIÇÃO. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA Nº 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. Em suas razões (e-STJ, fls. 558-565), pleiteia o agravante pelo afastamento do óbice da Súmula 83/STJ, sob o argumento de que o entendimento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região encontra-se em desarmonia ao entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, que reconhece como termo inicial do prazo prescricional de direito reconhecido por ato administrativo a data de publicação do ato. Sem impugnação (e-STJ, fl. 569). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. DATA DA INATIVAÇÃO. ACÓRDÃO EM PERFEITA HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem consignou que "o termo inicial da prescrição do seu direito à conversão em pecúnia de licença prêmio é a data da inativação ("aposentadoria") do militar" (e-STJ, fl. 282). 2. Verifica-se que o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Portanto, inarredável a incidência do óbice da Súmula n. 83/STJ ao caso. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O recurso não comporta provimento, porquanto as razões expendidas são insuficientes para a reconsideração da decisão. Cinge-se a controvérsia à aferição do termo inicial do prazo prescricional do direito do militar à conversão em pecúnia de licença especial não gozada. O Tribunal de origem, ao analisar a questão, assim se manifestou (e-STJ, fls. 282-284, sem grifo no original): Cuida-se, como visto, de apelação cível interposta contra a sentença que pronunciou a prescrição, na qual o Autor, ora Apelante, postula o seguinte: "b) seja reconhecido que o termo inicial da prescrição é a data de publicação do ato administrativo que reconheceu o direito vindicado, ou seja, 12 de abril de 2018; c) seja reconhecida a renúncia do prazo prescricional por parte da Administração, na forma do art. 191 do Código Civil, quando da publicação do Despacho Decisório nº 2/GM-MD, de 12 de abril de 2018; d) seja julgado PROCEDENTE o pedido de conversão, em pecúnia, de 12 (doze) meses de Licença Especial e de 122 (cento e vinte e dois) dias de férias, não gozados, condenando-se a União Federal ao pagamento, em favor do AUTOR, de R$ 166.102,98 (cento e sessenta e seis mil, cento e dois reais e noventa e oito centavos), valor que deverá ser devidamente atualizado na forma do item 2.1.2.2, da ICA 35-15/2019, sendo compensados os valores citados no item 2.2.1, daquela Instrução; e) ) seja a União Federal condenada ao pagamento das custas judiciais e honorários advocatícios, no importe de 20 % do valor da condenação, conforme art. 85, § 3º, do Código de Processo Civil". Na presente hipótese dos autos, não merece prosperar o recurso interposto. O STJ vem entendendo que o termo inicial da prescrição do seu direito à conversão em pecúnia de licença prêmio é a data da inativação ("aposentadoria") do militar. ( ) A pretensão de militares visando à conversão em pecúnia de licença especial não gozada e não computada em dobro para fins de inatividade submete-se ao prazo prescricional quinquenal, assim como todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, a teor do disposto no art. 1.º do Decreto n. 20.910/1932. Na hipótese, transcorreram mais de cinco anos entre a passagem à inatividade do militar em 09/05/2007, através da Portaria nº 2241/1RC (evento 1, ANEXO5 - 1ª instância) e o ajuizamento da presente ação 24/03/2021 (evento 1, INIC1 - 1ª instância), sem a existência de fato suspensivo, interruptivo ou impeditivo da prescrição. Logo, verifica-se que a pretensão autoral foi fulminada pela prescrição, nos termos do disposto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932. Como consignado pelo Douto Magistrado sentenciante: "No caso tratado, o autor foi desligado do Serviço Ativo da Marinha em 16/05/2007 (documento ANEXO5 do evento 1to 1, Anexo 5), o que torna tardio o ajuizamento da ação em 24/03/2021. Ora, o autor invoca os termos do Parecer nº 125/2018/CONJUR-MD/CGU/AGU como evento que teria redundado no reconhecimento administrativo do direito e na consequente renúncia à prescrição. Ocorre que da leitura dos termos do Despacho nº 2/GM-MD, de 12/04/2018, que conferiu efeito vinculativo ao referido parecer, verifico que o mesmo não implicou em reconhecimento do direito do autor em sua situação específica, mas dispôs sobre a questão em termos gerais e abstratos". Portanto, em razão da ausência de amparo legal, não há como prosperar a pretensão recursal. Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não há como afastar a incidência do óbice da Súmula n. 83/STJ. Ratificam esse entendimento os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR MILITAR. RESERVA REMUNERADA. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA E NÃO CONTADA EM DOBRO COMO TEMPO DE SERVIÇO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. CONCESSÃO DA APOSENTADORIA. PORTARIA NORMATIVA 31/GM-MD. ATO NORMATIVO INFRALEGAL. ANÁLISE. INVIABILIDADE. PROVIMENTO NEGADO. 1. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), "o direito de conversão em pecúnia de licença-prêmio surge com o rompimento do vínculo jurídico que gerou tal direito, seja em razão da aposentadoria ou da exoneração do servidor. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.555.466/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 24/5/2021, DJe de 27/5/2021" (AgInt nos EDcl no REsp 2.098.562/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024). 2. Nos termos da jurisprudência do STJ: "Verifica-se ser inviável o conhecimento do recurso especial, porquanto, não obstante a apresentação de ofensa a dispositivo de lei federal, o deslinde da controvérsia implica análise de ato normativo de natureza infralegal, qual seja, a Portaria Normativa n. 31/GM-MD, de 24/5/2018" (AgInt nos EDcl no REsp 1.910.398/PB, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.153.130/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 26/6/2024.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR MILITAR. RESERVA REMUNERADA. LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADA E NÃO CONTADA EM DOBRO COMO TEMPO DE SERVIÇO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. CONCESSÃO DA APOSENTADORIA. RESP 1.254.456/PE, JULGADO SOB RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. PRECEDENTES DO STJ, EM CASOS IDÊNTICOS. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de demanda na qual o autor, ora agravante - militar da Força Aérea Brasileira -, pleiteia a conversão de licenças especiais em pecúnia, ao argumento de que não houve necessidade em se computar esse referido período para fins de transferência para a reserva remunerada. A sentença reconheceu a prescrição do direito de ação, tendo sido mantida pelo Tribunal de origem, o que ensejou a interposição do Recurso Especial. III. É pacífico o entendimento desta Corte, "nos termos do que restou firmado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.254.456/PE, examinado pela sistemática do art. 543-C do CPC/1973, "(..) a contagem da prescrição quinquenal relativa à conversão em pecúnia de licença-prêmio não gozada tem como termo a quo a data em que ocorreu a aposentadoria do servidor público (..)"" (STJ, AgInt no REsp 1.926.038/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/03/2022), ou o ingresso na reserva remunerada). No mesmo sentido: STJ, AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.938.245/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/03/2022; EDcl no REsp 1.634.035/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/03/2018; REsp 1.634.035/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/08/2017; AgInt no REsp 1.591.726/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 18/08/2020. IV. Assinale-se, também, o não cabimento do Recurso Especial com base no dissídio jurisprudencial, pois as mesmas razões que inviabilizaram o provimento do apelo, pela alínea a, servem de justificativa quanto à alínea c do permissivo constitucional. V. Estando o acórdão recorrido em sintonia com o entendimento dominante deste Tribunal, aplica-se, ao caso, a Súmula 568 do STJ, in verbis: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.023.655/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 25/10/2022.) Desse modo, uma vez que as alegações feitas no agravo interno não são capazes de alterar o convencimento anteriormente manifestado, permanece íntegra a decisão agravada. Diante do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.