AREsp 1945983 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação (não indicação precisa dos dispositivos legais, óbice da Súmula 284/STF) e por ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial nos termos regimentais e jurisprudenciais (não apresentação de certidão/cópia autenticada,...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO MARANHÃO; Impetrado: Empresa impetrante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Licitação Fracassada, Mandado De Segurança, Dissídio Jurisprudencial, Admissão De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Art. 48, II E §3º Da Lei 8.666/1993
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Parties
ESTADO DO MARANHÃO
Agravante
Empresa impetrante
Impetrado
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 presença de interesse de agir/perda do objeto do mandado de segurança
- 2 interpretação do art. 48, II e §3º da Lei 8.666/1993 quanto à faculdade da Administração em caso de licitação fracassada
- 3 requisitos de demonstração do dissídio jurisprudencial para admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação (não indicação precisa dos dispositivos legais, óbice da Súmula 284/STF) e por ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial nos termos regimentais e jurisprudenciais (não apresentação de certidão/cópia autenticada, repositório ou cotejo analítico), razão pela qual o recurso especial não foi admitido.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ESTADO DO MARANHÃO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: LICITAÇÃO FRACASSADA PROPOSTA DE ACORDO COM O ESTIMADO PELA ADMINISTRAÇÃO ILEGALIDADE 1 ESTANDO A PROPOSTA DO LICITANTE DENTRO DA ESTIMATIVA ADOTADA NO EDITAL DO CERTAME NÃO HÁ FUNDAMENTO PARA DECLARAR A LICITAÇÃO FRACASSADA E DESCLASSIFICAR A PROPOSTA VENCEDORA 2 VIOLAÇÃO AO ART 48 II E §3º DA LEI 866693 3 SEGURANÇA CONCEDIDA UNANIMIDADE. Quanto à primeira controvérsia recursal, alega ausência de interesse do interesse de agir do recorrido ante a perda de objeto do mandado de segurança, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): A ausência dos pressupostos processais, por ser matéria de ordem pública, pode ser analisada a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. Nessa senda, é cediço que um dos pressupostos processuais é o interesse de agir, visualizado em suas diversas facetas pela doutrina majoritária, dentre as quais o interesse-utilidade, pelo qual se entende que, para haver interesse da parte autora no processo, este deve ser útil, isto é, deve ser capaz de proporcionar-lhe, ao final, um efetivo benefício almejado. Do contrário, haverá, inevitavelmente, perda do objeto da causa. Em suma, busca-se evitar o processo por mero capricho do autor. Por esses viés, houve, evidentemente, perda do objeto do mandado de segurança em apreço, haja vista que, ainda que mantido o acórdão do Juízo a quo, anulando-se o ato do Pregoeiro que cancelou a licitação, não haverá, para a Empresa impetrante, direito à contratação, por ser certo que, mesmo com a adjudicação do objeto e com a homologação do certame, o particular não adquire direito à contratação, a que tem mera expectativa de direito, eis que contratar ou não é juízo de conveniência e oportunidade da Administração Pública. Nessa linha ensina o professor Hely Lopes Meirelles ( Direito Administrativo Brasileiro ): (fls. 354). Quanto à segunda controvérsia recursal, alega interpretação divergente do art. 48, inciso II, § 3º, da Lei n. 8.666/1993, no que concerne à faculdade de a administração pública, nos casos de licitação fracassada, estabelecer o prazo de 8 dias úteis para apresentação de nova documentação ou de novas propostas, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Salta aos olhos que o preceito estabelece margem de discricionariedade para a atuação do agente público, no caso, o Pregoeiro da Secretaria de Estado de Governo do Maranhão, que deveria, e assim procedeu, avaliar a melhor postura a ser adotada entre fornecer o referido prazo ou repetir o certame público, com a abertura de nova licitação. Trata-se, verdadeiramente, de faculdade da Administração Pública, ato discricionário do Pregoeiro, que jamais esteve obrigado a optar pelo procedimento previsto no §3º do art. 48 da Lei Geral de Licitações. Nesse sentido decidiu recente e acertadamente o Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul: .. (fl. 356). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Quanto à segunda controvérsia recursal, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, pois não podem ser apontados como paradigmas acórdãos proferidos em sede de habeas corpus, mandado de segurança, recurso ordinário, conflito de competência ou ação rescisória, por não apresentarem o mesmo grau de cognição do recurso especial. Nesse sentido: "É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que os acórdãos proferidos em sede de habeas corpus, mandado de segurança, recurso ordinário, conflito de competência e ação rescisória não se prestam a comprovar dissídio jurisprudencial." (AgRg no AREsp 1.687.507/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020; REsp n. 1.717.263/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14/11/2018; AgRg no AREsp n. 1.710.214/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24/8/2020; e EDcl no REsp n. 1.254.636/ES, relator Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe de 23/4/2015; REsp n. 1.708.961/PB, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 13/11/2018. Além disso, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não apresentou certidão, cópia autenticada ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tenha sido publicado o acórdão divergente; ou ainda a reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte (art. 255, § 1º, do RISTJ). Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "O dissídio jurisprudencial não foi devidamente comprovado, tendo em vista a ausência de demonstração da divergência mediante certidão ou cópia autenticada, citação de repositório oficial ou credenciado ou reprodução de julgado disponível na internet com a indicação da respectiva fonte. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.244.772/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 13/11/2018.) Ainda nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não restou comprovado conforme exigido nos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 e 255, § 1º, do RISTJ, uma vez que a parte agravante não juntou cópia dos paradigmas mencionados, nem citou o repositório oficial, autorizado ou credenciado em que foram publicados (ressalte-se que o Diário de Justiça em que não é publicado o inteiro teor do acórdão não satisfaz a exigência)." (AgInt no AREsp n. 828.758/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 04/05/2020). Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.517.575/RN, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 12/6/2020; AgInt no REsp 1.790.289/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6/4/2020; REsp 1.790.038/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 9/6/2020; e AgInt no AREsp 1.225.434/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 24/10/2019; AgInt no AREsp n. 844.603/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 20/05/2019. Por fim, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.