AREsp 2838464 - DECISAO
O Superior Tribunal entendeu que o art. 1º da Lei n. 9.296/96 regula interceptação em tempo real e não se aplica à obtenção de dados já armazenados em aparelhos apreendidos dentro de estabelecimentos prisionais, onde a posse do aparelho é manifestamente ilícita (vedada pela LEP e tipificada no Código Penal); por essa razão, o acesso e a coleta de dados telemáticos (conversas de WhatsApp) desses celulares não exigem prévia autorização judicial, sendo as provas lícitas, devendo-se afastar a nulidade e devolver os autos ao Tribunal de origem para prosseguir no julgamento do mérito da apelação criminal.
- Parties
- Recorrente/agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAPÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Agravo Conhecido E Provido; Recurso Especial Conhecido E Provido
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido para reconhecer a licitude do acesso e coleta de dados telemáticos de celulares apreendidos na posse de detentos no interior de estabelecimento prisional.
- Legal Topics
- Licitude De Prova, Acesso a Dados De Celulares Em Estabelecimento Prisional, Interceptação De Comunicações, Nulidade De Prova, Sigilo Das Comunicações, Lei N. 9.296/96, Lei De Execução Penal
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ
Recorrente/agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAPÁ
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Agravo Conhecido E Provido; Recurso Especial Conhecido E Provido
Legal Issues
- 1 Licitude do acesso a dados armazenados em aparelhos celulares apreendidos no interior de estabelecimento prisional sem prévia autorização judicial; alcance do art. 1º da Lei n. 9.296/96 e sua relação com a proteção constitucional do sigilo das comunicações (art. 5º, XII, CF)
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal entendeu que o art. 1º da Lei n. 9.296/96 regula interceptação em tempo real e não se aplica à obtenção de dados já armazenados em aparelhos apreendidos dentro de estabelecimentos prisionais, onde a posse do aparelho é manifestamente ilícita (vedada pela LEP e tipificada no Código Penal); por essa razão, o acesso e a coleta de dados telemáticos (conversas de WhatsApp) desses celulares não exigem prévia autorização judicial, sendo as provas lícitas, devendo-se afastar a nulidade e devolver os autos ao Tribunal de origem para prosseguir no julgamento do mérito da apelação criminal.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido para reconhecer a licitude do acesso e coleta de dados telemáticos de celulares apreendidos na posse de detentos no interior de estabelecimento prisional.
Orders
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para reconhecer a licitude do acesso e coleta de dados telemáticos (conversas de WhatsApp) dos telefones celulares apreendidos na posse de detentos no interior do estabelecimento prisional, determinando o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que,...
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