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Superior Tribunal de Justiça

Liminar Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e25e07ccdbf40b17b10ff

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01

Holding and result

O pedido liminar não foi conhecido/foi indeferido porque existe óbice processual decorrente da Súmula n.691/STF que impede o STJ de conhecer de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar de Relator em outro writ na origem, e porque não se demonstrou teratologia ou a presença, de plano, dos requisitos para concessão da liminar (fumus e periculum), diante de documentos insuficientes e ausência de prova de situação de risco que justificasse antecipação da providência.

Court disposition

INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial.

Orders

  • INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

CLEYTON RODRIGUES TAVARES

Paciente

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Petição Inicial Com Pedido Liminar Indeferida

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Alega-se que o Paciente, em gozo de saída temporária, apresentou sintomas de COVID-19, buscou auxílio médico, realizou exame em 04.02.2021 e recebeu resultado positivo, tendo o Juízo da Execução indeferido pedido de prisão domiciliar apesar do quadro, razão pela qual se pleiteia liminar para concessão de prisão domiciliar até o julgamento do mérito.
Respondent
Sustenta-se que não há, a priori, requisitos para concessão de liminar (fumus comissi delicti e periculum libertatis), que os documentos juntados são insuficientes (prontuário e imagem de exame sem identificação) e que não há comprovação de que o paciente integra grupo de risco, além do óbice processual da Súmula n.691/STF que impede conhecer habeas corpus contra decisão denegatória de liminar de Relator em outro writ na origem; não há teratologia a ser corrigida.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula n.691/STF

    Não compete ao tribunal superior conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que indefere liminar em habeas corpus requerido a tribunal superior (obstáculo de súmula)

  2. 02

    STJ (jurisprudência e decisões citadas pelo acórdão)

    Para concessão de liminar em habeas corpus exigem-se fumus boni iuris e periculum in mora

  3. 03

    Recomendação nº 62 do CNJ, de 17/03/2020

    Aplicação da Recomendação nº 62 do CNJ exige adequação do caso e comprovação dos requisitos legais

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O pedido liminar não foi conhecido/foi indeferido porque existe óbice processual decorrente da Súmula n.691/STF que impede o STJ de conhecer de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar de Relator em outro writ na origem, e porque não se demonstrou teratologia ou a presença, de plano, dos requisitos para concessão da liminar (fumus e periculum), diante de documentos insuficientes e ausência de prova de situação de risco que justificasse antecipação da providência.

Obiter and limits

  • Em casos excepcionais o Superior Tribunal de Justiça pode intervir, mas apenas quando há decisão absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade
  • A intervenção da instância superior não pode suprimir a instância originária nem ser utilizada ordinariamente
  • A matéria demanda aprofundamento no julgamento do mérito pela Corte de origem

Court disposition

INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial.

  • INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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Superior Tribunal de Justiça

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de CLEYTON RODRIGUES TAVARES contra decisão indeferitória de provimento urgente do Desembargador Relator do HC n.0800735-04.2021.8.14.0000, em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Consta dos autos que o Juízo da Vara de Execução de PenaPrivativa de Liberdade em Meio Fechado e Semiaberto de Belém - SEEUindeferiupedido de prisão domiciliarao Paciente, que estava usufruindo do benefício desaída temporária,em razão da alegação desuposta contaminação pela Covid-19 (fl. 26). Irresignada, a Defesa impetrou habeas corpus, com pedido de liminar, perante o Tribunal a quo. O Desembargador Relator indeferiu o pleito urgente (fls. 40-41). Neste writ, a Parte Impetrante alega que o Paciente sofre constrangimento ilegal ao argumento de que " o Paciente em pleno gozo do benefício de saída temporária, apresentou sintomas de COVID-19, o levando a buscar auxílio médico, sendo colocado como suspeito de estar portando o vírus, e encaminhado para realização de exame no dia 04.02.2021 (Doc-04- Encaminhamento)" (fl. 4) e, mesmo diante desse quadro " o Juízo da Execução indeferiu o pedido (Doc 06 - Decisão), argumentando que os sintomas do Paciente eram leves, e que se tratava apenas de suspeita, e determinou prazo de 48 horas para que o mesmo se apresentasse à unidade prisional" (ibidem). Afirma que "quando da

impetração do Habeas Corpus, o Paciente recebeu o resultado de um dos exames que havia realizado, atestando positivo, tendo este exame sido juntado ao referido Remédio (Doc. 08 - Primeiro exame)" (fl. 05). Pede, em liminar, a concessão de prisão domiciliaraté o julgamento do mérito do writ(fl. 09). É o relatório. Decido. O entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal e por este Superior Tribunal de Justiça é no sentido de não se admitir habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, sob pena de indevida supressão de instância. É o que está sedimentado na Súmula n.691/STF ("não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar"), aplicável, mutatis mutandis, a este Superior Tribunal de Justiça (HC 373.455/AgRg-SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 28/11/2016; HC 376.893/AgRg-SE, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, DJe 24/11/2016; HC 298.009/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe 04/09/2014; e HC 349.829/SP, Rel. Ministra ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe 01/08/2016, v.g.). A despeito de tal óbice processual, tem-se entendido que, em casos excepcionais, deve preponderar a necessidade de se garantir a efetividade da prestação da tutela

jurisdicional de urgência para que flagrante constrangimento ilegal ao direito de liberdade possa ser cessado - tarefa a ser desempenhada caso a caso. Todavia, esse atalho processual não pode ser ordinariamente usado, senão em situações em que se evidenciar decisão absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade, na medida em que força o pronunciamento adiantado da Instância Superior, subvertendo a regular ordem do processo. Quanto à possibilidade de flexibilizar a prisão flagrancial visando a preservar a saúde do Paciente pela suposta contaminaçãopela Covid-19, não estão configurados os pressupostos autorizadores do acolhimento da pretensão liminar, quais sejam, o fumus boni iuris e opericulum in mora, pois o Desembargador da Corte Estadual, ao analisar a alegação, destacou que (fl. 41; sem grifos no original): "Em análise dos autos, não vislumbro, neste instante, a presença dos requisitos indispensáveis à concessão da liminar requerida, uma vez que a impetrante não afastou, primafacie, os requisitos da custódia cautelar, quais sejam: o fumus comissi delicti, bem como o periculum libertatis. Ademais, não merece prosperar a alegação genérica acerca do momento excepcional que estamos enfrentando, decorrente da pandemia de COVID-19, sem qualquer tipo de comprovação de que o coacto faça parte de grupo de risco de contaminação do coronavírus, uma vez que os

documentos acostados ao presente writ, são 01 (um) prontuário médico com relatos do paciente e solicitação de exame para atestar o COVID-19 e 01 (uma) imagem de resultado de exame recortado sem identificação do nome do paciente, a qual não se mostra suficiente para autorizar a prisão domiciliar do coacto. Assim, não se verifica, a priori, adequação da hipótese à Recomendação nº 62 do CNJ, de 17/03/2020, como pretende a impetrante. Ante essas razões, indefiro a liminar pleiteada, nada impedindo que esse entendimento seja revisto por ocasião do julgamento decisivo da Ordem. Solicitem-se informações pormenorizadas ao juízo inquinado coator. Em seguida, encaminhem-se os autos ao Parquet para emissão de parecer. Por fim, conclusos." Não há, assim, teratologia a ser corrigida. A matéria, como se vê, depende de aprofundamento do próprio mérito do writ, devendo-se reservar primeiro à Corte impetrada a análise, sendo defeso ao Superior Tribunal de Justiça adiantar-se nesse exame, sobrepujando a competência da instância a quo, mormente porque o writ, ao que parece, está sendo regularmente processado. Ante o exposto, INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR EM OUTRO HABEAS CORPUS NA ORIGEM, AINDA NÃO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA SÚMULA N. 691 DA SUPREMA CORTE. AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Súmula n.691/STF

Case cited

HC 373.455/AgRg-SP

Case cited

HC 376.893/AgRg-SE

Case cited

HC 298.009/SP

Case cited

HC 349.829/SP

Case cited

Recomendação nº 62 do CNJ, de 17/03/2020

Legislation

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