AREsp 2434600 - DECISAO
Conheceu‑se do agravo por preenchidos os requisitos de admissibilidade, mas não se conheceu do Recurso Especial por ausência de prequestionamento e deficiência de fundamentação quanto às normas federais apontadas, além da incidência de óbices de admissibilidade (súmulas 7 do STJ e 282, 356, 284 do STF), e por...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: DNIT; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Decisão (inadmissão De Recurso Especial) / Decisão Interlocutória (conhecimento Do Agravo)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Ação Rescisória, Prequestionamento, Súmulas (obstáculos Ao Recurso Especial), Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DNIT
Agravante
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo De Decisão (inadmissão De Recurso Especial) / Decisão Interlocutória (conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial por falta de prequestionamento
- 2 possibilidade de rediscutir mérito na fase de liquidação de sentença
- 3 aplicação das súmulas 7 do STJ e 282, 356, 284 do STF
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do agravo por preenchidos os requisitos de admissibilidade, mas não se conheceu do Recurso Especial por ausência de prequestionamento e deficiência de fundamentação quanto às normas federais apontadas, além da incidência de óbices de admissibilidade (súmulas 7 do STJ e 282, 356, 284 do STF), e por entendimento de que a liquidação não permite revolver a existência do dano ou modificar o título judicial, de sorte que eventual erro de fato pertence ao processo de conhecimento e não autoriza a rescisão.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo de decisão que inadmitiu Recurso Especial (art. 105, III, "a" da Constituição Federal) interposto contra acórdão cuja ementa é a seguinte: AÇÃO RESCISÓRIA. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA POR ARBITRAMENTO. PEDIDO PARA ALTERAR O TÍTULO DA LIQUIDAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 475-G DO CPC/73, ATUAL 509, §4 DO CPC/15. ERRO DE FATO E VIOLAÇÃO À NORMA LEGAL AFASTADOS. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS. RESCISÓRIA IMPROVIDA 1. Conforme expressa determinação legal, "na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou" (artigo 509, §4 do CPC/15, atualizando norma de igual conteúdo já disposta no art. 475-G do CPC/73). 2. Não cabe na liquidação revolver a existência de dano indenizável que compõe o título executivo originário. 3. A liquidação deve seguir as diretrizes do título judicial, não havendo como se falar em alterar a forma de composição do crédito definida no título judicial. 4. Eventual erro de fato originado no título executivo a ser liquidado deveria ser oposto contra o título constituído no processo de conhecimento, e não na decisão que julga a liquidação. Havendo a superação do prazo de dois anos em relação ao trânsito em julgado do processo de conhecimento, fica afastada a possibilidade de discussão pela via da rescisória. 5. Inexistindo erro de fato na liquidação ou violação manifesta de norma jurídica deve a Ação Rescisória ser julgada improcedente. Na origem, julgou-se improcedente a Ação Rescisória proposta pelo DNIT, com escopo nos incisos V e VIII do art. 966 do CPC/2015, para a desconstituição de coisa julgada formada em liquidação por arbitramento de título oriundo de Ação de Desapropriação Indireta, na qual o ora agravante foi condenado ao pagamento de reparação. O DNIT manejou Agravo de Instrumento contra a decisão de primeira instância, em Cumprimento de Sentença, na qual se desconsiderou a afirmação do perito judicial sobre a inexistência de dano indenizável e foi ordenado a ele que apenas avaliasse a área objeto da expropriatória. O desprovimento do Agravo, seguido da preclusão do acórdão, deu origem à referida Ação Rescisória. A pretensão é de invalidar decisum no qual se declarou a impossibilidade de se discutir novamente, em liquidação, o dever de indenizar. O recorrente alega violação dos arts. 373, II, 492, 504, II, 783 e 803, I, do CPC/2015. A inadmissão do Recurso Especial por incidência da Súmula 7 do STJ deu ensejo à interposição do Agravo sub examine. Sem contraminuta. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do apelo (fls. 243-248, e-STJ). É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 24.4.2024. Conheço do Agravo porque preenchidos os requisitos de admissibilidade, notadamente a impugnação aos fundamentos da decisão agravada. O Recurso Especial, contudo, não merece acolhimento, seja porque os dispositivos de lei federal que a parte agravante julga contrariados não passaram por debate judicial na origem e, portanto, não foram prequestionados, seja por deficiência de fundamentação. Com efeito, a improcedência dos pedidos foi assim declarada: 1) Não cabia na liquidação, como pretende o DNIT, discutir de novo a existência do dano discutido no processo originário, nem tampouco se houve valorização ou desapropriação indireta do imóvel, sob pena de se ofender o título judicial que estava sendo liquidado. Erro de fato, se existiu, foi no próprio julgamento do processo de conhecimento, e não no processo de liquidação, restando afastada a possibilidade de Rescisão com base no artigo 966, VIII, do CPC. (fls. 171, e-STJ) 2) Quanto ao argumento de que a liquidação poderia resultar em saldo zero, novamente, este somente poderia ser verificado se o valor do imóvel, excluída a parcela referente à faixa de domínio, resultasse em saldo zero, o que não ocorreu, e nem tampouco foi aventado pelo DNIT (fls. 172, e-STJ). 3) A discussão sobre a composição dos valores que levaram à fixação do valor da indenização e análise das construções nele existentes não é matéria passível de ser revolvida em ação rescisória. A análise da prova realizada no processo originário e sua valoração não são matérias passíveis de serem discutidas em Ação Rescisória (fls. 172, e-STJ). O recorrente, por seu turno, afirma (fls. 190, e-STJ): 1) houve a violação do artigo 373, inciso II, pois, o Réu, aqui, não conseguiu demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Autor; 2) ao desconsiderar a prova trazida aos autos de liquidação de sentença, violou-se diretamente o Princípio da Congruência, expresso no artigo 492 do NCPC; 3) indene de dúvidas quanto à necessidade de rescisão é o desrespeito aos artigos 783 e 803, inciso I, do CPC. Isso porque não ponderou o Magistrado que a liquidação de sentença poderá resultar zero, e que a obrigação só pode ser exigida se for certa, líquida e exigível; 4) a decisão que não extinguiu a liquidação de sentença sem análise do mérito também deve ser rescindida porque olvidou o magistrado que o artigo 504, inciso II, do CPC, aplica-se na execução. A motivação da sentença não é atingida pela coisa julgada. Como se denota, além de a ratio decidendi não ter sido formada à luz dos arts. 373, II, 492, 504, II, 783 e 803, I, do CPC/2015 - que, de todo modo, não teriam densidade normativa suficiente para refutar, por si sós, os argumentos judiciais lançados, notadamente o da rescisão transversa -, as razões de recorrer estão dissociados dos pontos que embasaram o acórdão recorrido. Dessa maneira, incidem na espécie as Súmulas 282, 356 e 284 do STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PARCELAMENTO IRREGULAR DO SOLO. DEMOLIÇÃO DE MURO. ÁREA NÃO PASSÍVEL DE REGULARIZAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO. CONDOMÍNIO. FRAÇÕES IDEAIS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284/STF. ANÁLISE DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280/STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL FUNDADO NA OFENSA A PRINCÍPIOS. NÃO CABIMENTO. NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando indenização por dano material e moral. A sentença acolheu parcialmente os pedidos formulados na ação. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada II - Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. III - A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IV - Dessarte, verifica-se, que a questão controvertida nos autos foi solucionada, pelo Tribunal de origem, com fundamento em leis locais. Logo, torna-se inviável, em recurso especial, o exame da matéria nele inserida, diante da incidência, por analogia, do enunciado n. 280 da Súmula do STF, que dispõe: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.304.409/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 31/8/2020, DJe 4/9/2020; AgInt no REsp 1.184.981/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 22/6/2020, DJe 30/6/2020; EDcl no AgInt no AREsp 1.506.044/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/8/2020, DJe 9/9/2020. V - Ademais, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. VI - Lado outro, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na ofensa a princípios, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lei federal. VII - A Corte a quo analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". VIII - Por fim, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há comprovação de que a Corte a quo tenha homenageado ato de governo local em detrimento de lei federal, aplicando-se, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." IX - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 2.088.544/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 1/12/2022.) PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. INTIMAÇÃO. NULIDADE. DISPOSITIVOS LEGAIS NÃO PREQUESTIONADOS. SÚMULAS 282 E 356 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. NÃO APONTADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. SÚMULA 211 DESTA CORTE. DISPOSITIVOS LEGAIS QUE NÃO AMPARAM AS TESES RECURSAIS. SÚMULA 284/STF. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. No recurso especial o recorrente sustentou violação dos arts. 271 e 272, § 2º, do Código de Processo Civil, uma vez que o substituto processual (DNIT) não foi intimado sobre as decisões proferidas na ação de desapropriação. Assim, o Estado do Piauí pleiteou a declaração de nulidade, o reconhecimento da substituição processual e da sua exclusão da demanda. 2. Extrai-se dos fundamentos do acórdão da apelação e dos embargos de declaração que o tema não foi decidido pelo colegiado de origem explícita ou implicitamente. Ademais, embora interpostos embargos de declaração, a parte não apontou violação ao art. 1.022, II, do Código de Processo Civil, o que impede a constatação, pelo Superior Tribunal de Justiça, de eventual omissão do acórdão e determinação de retorno dos autos a fim de completar a prestação jurisdicional. Em razão de tais deficiências, o recurso especial não pôde ser conhecido. Aplicação das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal e 211 desta Corte. 3. "O entendimento majoritário do Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, no âmbito dos recursos excepcionais, é indispensável o prequestionamento explícito ou implícito da questão objeto do recurso extraordinário ou especial" (AgInt no REsp 1765907/RS, minha relatoria, Segunda Turma, DJe 28/06/2019). 4. Outrossim, "o Superior Tribunal de Justiça aceita o prequestionamento explícito e implícito; contudo, não admite o chamado "prequestionamento ficto", que se daria com a mera oposição de aclaratórios, sem que o Tribunal de origem tenha efetivamente emitido juízo de valor sobre as teses debatidas" (AgInt no AREsp 1484121/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 25/06/2020). 5. Colhe-se da análise das razões recursais que as normas estampadas nos artigos 271 e 272, § 2º, do CPC não amparam as teses propostas pelo recorrente. Isso porque a interpretação dos dispositivos legais não conduz à conclusão de nulidade por falta de intimação da Autarquia Federal - DNIT, uma vez que não houve reconhecimento da substituição processual e nem a ordem de exclusão do ente estatal. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp 1.980.457/PI, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/8/2022.) Diante do exposto, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA