AREsp 2551600 - DECISAO
O acórdão recorrido enfrentou de forma suficiente as questões suscitadas, constatou que o perito prestou os esclarecimentos necessários e que o laudo observou os parâmetros judiciais estabelecidos; as alegações da recorrente resumem-se a inconformismo com o resultado pericial e demandariam reexame de fatos e provas,...
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- Parties
- Recorrente: ASSOCIACAO DE POUPANCA E EMPRESTIMO POUPEX
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Após Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Laudo Pericial, Cerceamento De Defesa, Coisa Julgada, Prequestionamento, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj
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Parties
ASSOCIACAO DE POUPANCA E EMPRESTIMO POUPEX
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Após Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 omissão/negativa de prestação jurisdicional (art. 489, §1º, IV; art. 1.022, II e par. único, II, CPC)
- 2 eventual erro nos cálculos periciais e violação da coisa julgada (arts. 369, 370, 473 III e IV; art. 477, §2º I e II, CPC)
- 3 uso de critérios de cálculo não previstos nas decisões judiciais ou no contrato (arts. 505, 507 e 509, §4º, CPC)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido enfrentou de forma suficiente as questões suscitadas, constatou que o perito prestou os esclarecimentos necessários e que o laudo observou os parâmetros judiciais estabelecidos; as alegações da recorrente resumem-se a inconformismo com o resultado pericial e demandariam reexame de fatos e provas, procedimento vedado no recurso especial pela Súmula 7/STJ; ademais, houve deficiência na especificação das alegadas violações legais no recurso especial, o que impede sua acolhida.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ASSOCIACAO DE POUPANCA E EMPRESTIMO POUPEX contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul assim ementado: "EMENTA - AGRAVO DE INSTRUMENTO - LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO - LAUDO PERICIAL EM CONSONÂNCIA COM OS CRITÉRIOS DEFINIDOS EM JUÍZO - HOMOLOGAÇÃO - PEDIDO DE ESCLARECIMENTO - ATENDIDO - CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTENTE - DESNECESSIDADE DE OITIVA DO PERITO - RECURSO NÃO PROVIDO. Se o expert respondeu a todos os quesitos formulados pelas partes e prestou os esclarecimentos necessários, não há falar em cerceamento de defesa. Deve ser mantida a decisão que homologou o laudo pericial elaborado em observância ao título judicial, apresentando o saldo de acordo com os critérios estabelecidos nas decisões judiciais transitadas em julgado na fase de conhecimento" (fl. 363 e-STJ). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 390/395 e-STJ). No recurso especial, a recorrente alega violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e parágrafo único, II, do Código de Processo Civil - porque o acórdão combatido teria incorrido em negativa de prestação jurisdicional ao não apreciar aspectos relevantes da demanda suscitados nos embargos declaratórios; (ii) arts. 369, 370, 473, III e IV, e 477, § 2º, I e II, do Código de Processo Civil - porque o cálculo dos juros elaborado pelo perito está equivocado e viola a coisa julgada; e (iii) arts. 505, 507 e 509, § 4º, do Código de Processo Civil - porque o laudo pericial foi elaborado com critérios que não constavam das decisões judiciais, tampouco d o contrato objeto da ação. Aduz que foram suscitadas diversas questões ao perito, as quais não foram esclarecidas, tampouco foi deferida a sua oitiva em juízo, configurando cerceamento de defesa. Sem as contrarrazões, o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. A recorrente sustenta a violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e parágrafo único, II, do CPC, aduzindo: "4.1. Como se confere dos autos, a recorrente POUPEX demonstrou que teve seu direito cerceado visto que de uma só vez lhe foi indeferido o direito de obter respostas aos quesitos apresentados na perícia, bem como de ouvir o perito em audiência. Além disso, a recorrente também demonstrou que na liquidação de sentença o perito não pode adotar critérios diversos do decidido e transitado em julgado na fase de conhecimento, em razão do disposto nos artigos 505, 507 e 509, todos do CPC. 4.2. Aconteceu que ao invés de enfrentar tais matérias, o Egrégio Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul repetiu o decidido em primeiro grau no contexto genérico do caso e concluiu que a regular prestação jurisdicional não impõe que todo e qualquer tema abordado pelas partes seja examinado" (fls. 407/408 e-STJ). Entretanto, verifica-se que o Tribunal de origem se pronunciou acerca dos pontos levantados pela recorrente, mesmo que de modo breve, afastando os argumentos deduzidos que, em tese, seriam capazes de infirmar a conclusão adotada. Como se sabe, cabe ao julgador apreciar os fatos e as provas da demanda segundo seu livre convencimento, declarando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos que o levaram a solucionar a lide. Desse modo, o não acolhimento das teses ventiladas pela parte recorrente não significa omissão ou deficiência de fundamentação da decisão, ainda mais quando o aresto aborda todos os pontos relevantes da controvérsia, como na espécie. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE PROCESSUAL. DECISÃO QUE DEFERIU O PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA EXECUTADA. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. TEORIA MENOR. OBSTÁCULO AO RESSARCIMENTO DOS DANOS CAUSADOS AOS CONSUMIDORES. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS CONSTATADOS. REVISÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. PENHORA SOBRE SALDO DE PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. POSSIBILIDADE. NÃO UTILIZAÇÃO PARA FINS ALIMENTARES. REVISÃO. NECESSIDADE DE INCURSÃO NO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. ANÁLISE CASUÍSTICA. NÃO OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ocorre negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, todas as questões que lhe foram submetidas, ainda que tenha decidido contrariamente à pretensão da parte. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que não há se confundir decisão contrária aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentação. 2.(..)" (AgInt no AREsp 2.205.438/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) No que se refere à alegada ofensa aos arts. 369 e 370 do CPC, a deficiência na fundamentação recursal ficou evidenciada, visto que a parte recorrente, apesar de apontá-los como malferidos, não especificou de que forma eles teriam sido contrariados pelo acórdão recorrido, inviabilizando a compreensão da controvérsia posta nos autos. Assim, incide, por analogia, a Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. INICIAL. ANÁLISE. SÚMULA Nº 83/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, as condições da ação, aí incluída a legitimidade, devem ser aferidas com base na teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Súmula nº 83/STJ. 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento. 5. Na hipótese, apesar de apontar o malferimento à legislação federal, o apelo extremo foi incapaz de evidenciar as ofensas aos dispositivos legais invocados. Nesse contexto, a fundamentação recursal é absolutamente deficiente, o que atrai a incidência dos óbices contidos nas Súmulas nºs 283 e 284/STF. 6. A Segunda Seção decidiu que a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. Precedente. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.818.651/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RENOVATÓRIA DE ALUGUEL. OMISSÃO. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, § 2º, DO CPC. PROVEITO ECONÔMICO. PARCIAL PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem dirimiu fundamentadamente a controvérsia, sem incorrer em omissão, obscuridade, contradição ou erro material. 2. A ausência de prequestionamento impede o conhecimento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula n. 211 do STJ. 3. É deficiente a argumentação do recurso especial que se sustenta em dispositivo de lei que não contém comando normativo capaz de infirmar os fundamentos do acórdão recorrido. Incidência da Súmula n. 284 do STF. 4. A Corte Especial, no julgamento do Tema Repetitivo 1076 (relator Ministro Og Fernandes, DJe de 31/5/2022), firmou entendimento no sentido de que "apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo", hipóteses que não se configuram na espécie. 5. A verba honorária referente a ação renovatória de aluguel julgada parcialmente procedente deve incidir sobre a diferença entre o valor do aluguel na data da citação e o novo valor fixado na sentença, quantia a ser multiplicada pelo período de vigência da renovação da locação, pois esse montante reflete objetivamente o proveito econômico obtido pela parte. 6. Agravo interno parcialmente provido." (AgInt no AREsp 2.103.614/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 16/12/2022 - grifou-se) Quanto ao mais, observa-se que as conclusões do tribunal de origem decorreram inquestionavelmente da análise do conjunto fático-probatório carreado aos autos, o que se pode aferir a partir da leitura dos fundamentos do julgado atacado, que ora se colaciona, na parte que interessa: "De fato, o entendimento do Juízo de primeiro grau encontra respaldo nos autos, não havendo falar em nulidade da decisão por cerceamento de defesa, eis que, apresentadas as divergências técnicas, o perito complementou a perícia prestando os esclarecimentos, oportunidade em que concluiu pela sua ratificação. O fato de haver diferença de valores entre os apontamentos dos assistentes técnicos com a conclusão do perito não implica em acatamento da sua tese no sentido de que houve equívoco na perícia. Outrossim, cumprindo o perito os parâmetros judiciais determinados, os apontamentos do assistente não se sobrepõem ao laudo. Não se verifica, de outro lado, opiniões pessoais do expert, isso porque limitou-se a explicar como procedeu ao cálculo, conforme questionado pela recorrente, além de valer-se dos fundamento em conformidade com o julgamento do STJ, como, p. ex, o questão dos juros/capitalização. Assim, ao homologar o laudo pericial com a ressalva dos encargos para atualização do saldo encontrado, não se vislumbra cerceamento de defesa, nem pressupõe a necessidade de oitiva do perito, até porque ele, intimado, prestou todos os esclarecimentos. No que diz respeito ao método para calcular os juros simples, o perito esclareceu (fl. 269): (..) Diante do parâmetro judicial, com a determinação de amortizar primeiro o valor pago para então fazer a correção, bem como de juros de 12% ao ano e capitalização anual, não se constata que o cálculo esteja equivocado. Ademais, não é plausível a substituição do laudo pericial elaborado pelo perito nomeado pelo Juízo pelos entendimentos dos assistentes sem a demonstração específica de divergência com os parâmetros fixados. Destarte, extrai-se que o laudo pericial consigna, expressamente, a utilização dos critérios de atualização erigidos pela decisão judicial. Posteriormente, em as respostas às objeções lançadas pelo assistente técnico, o perito prestou os necessários esclarecimentos, novamente consignando a utilização dos parâmetros fixados judicialmente. Logo, não resta demonstrado qualquer vício no julgamento, evidenciando-se que toda a irresignação da recorrente se resume ao mero inconformismo com as conclusões do perito oficial" (fls. 367/368 e-STJ - grifou-se). Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. REGRA DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. SÚMULA 83/STJ. INCONSISTÊNCIAS NOS CÁLCULOS PERICIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. MULTAS PREVISTAS NOS ARTS. 1.021, § 4º, E 1.026, § 2º, DO CPC/2015. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Apesar de rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi suficientemente enfrentada pela segunda instância, que sobre ela emitiu pronunciamento de forma fundamentada. 2. As matérias já enfrentadas por decisão com trânsito em julgado se submetem à preclusão consumativa, ainda que se tratem de questões de ordem pública, sendo vedado, por esse motivo, a sua rediscussão. 3. A desconstituição da convicção formada - a respeito da ausência de inconsistências nos cálculos periciais - demandaria o reexame de fatos e provas, medida defesa na seara extraordinária, em virtude do disposto no enunciado sumular n. 7 desta Casa. 4. Este STJ tem entendido que o mero não conhecimento ou a improcedência do agravo interno não enseja a necessária imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, tornando-se imperioso para tal que seja nítido o descabimento do recurso, o que não se verifica no presente caso. 5. É impossível acolher o pedido de incidência da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, considerando que o recurso interposto neste momento processual é o agravo interno, e não os embargos de declaração. 6. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp n. 2.477.380/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 17/4/2024 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM. AÇÃO CONDENATÓRIA. PROCESSUAL CIVIL. TRANSCRIÇÃO DE TRECHOS DA SENTENÇA. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PARÂMETROS FIXADOS EM TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. ERRO DE CÁLCULO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7, STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas. De fato, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. Precedentes. 2. Nos termos do entendimento jurisprudencial adotado por este Superior Tribunal de Justiça, é admitido ao Tribunal de origem, no julgamento da apelação, utilizar, como razões de decidir, os fundamentos delineados na sentença (fundamentação per relationem), medida que não implica negativa de prestação jurisdicional, não gerando nulidade do acórdão, seja por inexistência de omissão seja por não caracterizar deficiência na fundamentação. Precedentes. 3. O Tribunal de origem entendeu que a decisão agravada está em consonância com os parâmetros fixados no título executivo judicial formado no processo de conhecimento, não havendo que se falar, portanto, em ofensa à coisa julgada. 4. A verificação da existência de erro no cálculo promovido pela contadoria do juízo em liquidação de sentença pressupõe o reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável no âmbito do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula nº 7, do STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp n. 2.122.110/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 24/4/2023 - grifou-se ) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA