AREsp 2632274 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula n. 7/STJ); não houve concordância entre as partes quanto ao valor devido e a agravante não juntou elementos aptos a impugnar os orçamentos atualizados apresentados pela parte...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: SABARALCOOL S A ACUCAR E ALCOOL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Liquidação De Sentença, Admissibilidade De Recurso Especial, Ação De Cobrança, Correção Monetária, Súmula N. 7/stj
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Parties
SABARALCOOL S A ACUCAR E ALCOOL
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 190 do CPC quanto à homologação de valor acordado entre as partes
- 2 necessidade de apuração do valor de mercado de cilindros em liquidação de sentença
- 3 obstáculo da Súmula n. 7/STJ por requerer reexame de prova
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria reexame do conjunto fático-probatório (Súmula n. 7/STJ); não houve concordância entre as partes quanto ao valor devido e a agravante não juntou elementos aptos a impugnar os orçamentos atualizados apresentados pela parte contrária, de modo que não se verificou violação do art. 190 do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por SABARALCOOL S A ACUCAR E ALCOOL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE COBRANÇA - LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - PAGAMENTO DE VALORES REFERENTES A CILINDROS NÃO RESTITUÍDOS PELA PARTE DEVEDORA - DECISÃO RECORRIDA QUE HOMOLOGOU O MONTANTE MÉDIO APRESENTADO PELA PARTE CREDORA - MANUTENÇÃO - PRELIMINAR ALEGADA EM SEDE DE CONTRARRAZÕES - AUSÊNCIA DE JUNTADA DOS DOCUMENTOS ELENCADOS NO ARTIGO 1.017 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - NÃO ACOLHIMENTO - AUTOS ELETRÔNICOS - PROVIDÊNCIA DISPENSADA - INTELIGÊNCIA DO § 5º DO REFERIDO DISPOSITIVO LEGAL - MÉRITO - ALEGAÇÃO DE QUE FORAM ACOLHIDOS OS VALORES SUPERIORES APRESENTADOS POSTERIORMENTE, SENDO QUE NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA O AUMENTO DO PREÇO DOS CILINDROS - REJEIÇÃO - ACÓRDÃO QUE TRANSITOU EM JULGADO QUE DETERMINOU QUE O VALOR MÉDIO DE MERCADO DOS CILINDROS DEVERIAM SER APURADOS EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - AFASTAMENTO DO COMANDO DA SENTENÇA QUE HAVIA DETERMINADO A ATUALIZAÇÃO DO VALOR APRESENTADO INICIALMENTE PELA PARTE - DEVEDORA QUE NÃO APRESENTOU OS ORÇAMENTOS ATUALIZADOS REQUERIDOS PELO JUÍZO EM SEDE DE LIQUID AÇÃO E NÃO TROUXE AOS AUTOS FUNDAMENTOS E ELEMENTOS QUE PUDESSEM DESCONSTITUIR OS NOVOS ORÇAMENTOS JUNTADOS PELA CREDORA - INSURGÊNCIA A RESPEITO DA FORMA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DE ORÇAMENTOS DESATUALIZADOS - SITUAÇÃO HIPOTÉTICA MENCIONADA PELO JUÍZO DE ORIGEM APENAS COMO REFORÇO ARGUMENTATIVO - DESCABIMENTO DE DISCUSSÃO SOBRE O TEMA, POIS NÃO ALTERA A CONCLUSÃO DO JULGADO - RECURSO DESPROVIDO (fl. 58). Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 190 do CPC, no que concerne à necessidade de homologação do valor de cilindros de oxigênio convencionado pelas partes, trazendo a seguinte argumentação: Ocorre Excelências, que data máxima vênia, o r. acórdão desafia a aplicação do art. 190 do CPC, vez que o cerne do recurso trata do fato do Juízo de primeiro grau ter entendido por valor muito superior, APÓS, a parte Recorrente e Recorrida já terem concordado com outra quantia. .. Ora, se havia concordância de ambas as partes, cabia ao Magistrado homologar o valor apontado e não adotar novo valor que entendia por correto. Assim, evidenciada a ofensa ao art. 190 do CPC, faz jus a Recorrente à cassação do v. Acórdão, a fim de que sejam os autos devolvidos ao e. Tribunal a quo para que seja homologado o valor dos cilindros, conforme o acordado entre as partes (fl. 99). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o tribunal de origem se manifestou no seguinte sentido: Na situação dos autos, porém, não se verifica a ocorrência da lacuna apontada, dispensando a complementação requerida pela parte. Isso porque, conforme se observa da narrativa feita no acórdão sobre os atos processuais praticados ao longo do processo, foi indicado de forma clara que a decisão que transitou em julgado determinou que o montante devido deveria ser apurado em liquidação de sentença de acordo com o valor de mercado de cilindros seminovos, veja-se: Dessa forma, enquanto na sentença foi determinado que a requerida deveria pagar o valor de R$ 81.471,00 (oitenta e um mil, quatrocentos e setenta e um reais) referentes aos cilindros, com incidência de correção monetária pela média aritmética entre o INPC/IGP-DI, desde a data do orçamento de mov. 1.6 (05.07.2013), e de juros de mora de 1% ao mês, desde a citação, tem-se que, em sede recursal, houve modificação para que, na realidade, fosse apurado em sede de liquidação de sentença o valor de mercado de cilindros seminovos. Denotou-se, então, que "foi afastada a possibilidade de meramente proceder-se à correção monetária de valores encontrados em momento anterior para impor a observância do valor de mercado correspondente ao momento da liquidação de sentença". E ao refutar a pretensão recursal da parte ora embargante, foi expressamente mencionado que, "ao afirmar que não há justificativa para o aumento do preço dos cilindros, ao se comparar os orçamentos apresentados pela autora no mov. 231 e 267, especialmente considerando que dobraram de valor, a recorrente desconsidera o lapso temporal existente entre eles, já que os primeiros orçamentos foram confeccionados em setembro de 2020 e os últimos, em setembro de 2021". Ademais, ressaltou-se que, "tendo em vista que o valor de mercado dos produtos pode se alterar em razão de diversos fatores ao longo do tempo, deveria a parte agravante ter colacionado ao feito elementos capazes de contrapor os valores recentemente apurados pela parte contrária, o que, porém, não ocorreu tanto na origem quanto nessa via recursal". Inclusive, foi salientado que "a parte agravada cumpriu o comando judicial de anexar documentos aptos a comprovarem o atual valor médio de mercado de cilindros seminovos, enquanto a parte agravante optou por se reportar a orçamentos desatualizados já constantes no processo, deixando, desse modo, de se desincumbir do seu ônus probatório". Dessa forma, verifica-se que não houve concordância das partes sobre o valor devido, tampouco a autocomposição agora alegada, já que, como visto, a embargante na realidade concordou com os valores de mercado que já se encontravam defasados e não logrou êxito em contrapor os valores atualizados posteriormente apresentados pela parte contrária. Percebe-se, a propósito, que, ao interpor o Agravo de Instrumento, a parte recorrente não chegou a fazer referência ao art. 190 do CPC, ora indicado nos aclaratórios para respaldar a presente tese de autocomposição, reforçando a ausência de lacuna a ser suprida sobre o tema (fls. 89/90, grifo meu). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA