AREsp 2771846 - DECISAO
Indefere-se pedido de suspensão e de assistência judiciária gratuita por falta de comprovação; conhece-se em parte do agravo e dá-lhe provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, porque aquele Tribunal limitou os juros à taxa média de mercado sem considerar os requisitos e fatores exigidos...
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- Parties
- Agravante: PORTOCRED S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo
- Outcome
- Agravo conhecido em parte e provido para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem; pedidos de suspensão e de assistência judiciária gratuita indeferidos.
- Legal Topics
- Liquidação Extrajudicial, Assistência Judiciária Gratuita, Juros Remuneratórios, Ação Revisional De Contrato, Súmulas 5, 7 E 83 Do STJ, Negativa De Prestação Jurisdicional (arts. 489 E 927 Do Cpc)
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Parties
PORTOCRED S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo
Legal Issues
- 1 suspensão de processos em razão de liquidação extrajudicial (art. 18 da Lei n. 6.024/1974)
- 2 concessão de assistência judiciária gratuita a pessoa jurídica
- 3 alegada negativa de prestação jurisdicional (arts. 489 e 927 do CPC)
Ratio Decidendi
Indefere-se pedido de suspensão e de assistência judiciária gratuita por falta de comprovação; conhece-se em parte do agravo e dá-lhe provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem, porque aquele Tribunal limitou os juros à taxa média de mercado sem considerar os requisitos e fatores exigidos pela jurisprudência do STJ (REsp 1.061.530/RS), exigindo nova análise da abusividade dos juros remuneratórios segundo os parâmetros estabelecidos pelo STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte e provido para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem; pedidos de suspensão e de assistência judiciária gratuita indeferidos.
Orders
- Indeferir o pedido de suspensão do processo formulado pela agravante.
- Indeferir o pedido de concessão da assistência judiciária gratuita à agravante.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PORTOCRED S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL) contra decisão que inadmitiu recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. A agravante, preliminarmente, defende a suspensão do processo nos termos do art. 18 da Lei n. 6.024/1974, tendo em vista a decretação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Alternativamente, pugna pela assistência judiciária gratuita, argumentando que o recolhimento das custas poderá comprometer significativamente sua saúde financeira, pois há um número expressivo de ações tramitando em seu desfavor. Afirma não serem aplicáveis ao caso as Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. O recurso especial, fundado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul em apelação nos autos de ação revisional de contrato de empréstimo pessoal consignado. O julgado foi assim ementado (fl. 624-625): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. REVISIONAL BANCÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUSPENSÃO DO FEITO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DA SENTENÇA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PRESCRIÇÃO NÃO IMPLEMENTADA. IMPUGNAÇÃO AO CÁLCULO AFASTADA. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE CONSTATADA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PEDIDO DE APLICAÇÃO DA TAXA SELIC REJEITADO. ABUSIVIDADE DO IGP-M NÃO VERIFICADA. MANUTENÇÃO DA VERBA HONORÁRIA ARBITRADA. SUSPENSÃO DO FEITO. A liquidação extrajudicial da ré não tem o condão de, por si só, suspender a demanda, especialmente ao se considerar que o feito está em fase de conhecimento e, assim, não está apto a produzir efeitos imediatos na esfera patrimonial da financeira. NULIDADE DA SENTENÇA. O relatório cumpre os requisitos do artigo 489, inciso I, do Código de Processo Civil. Não obstante inexistir detalhamento, na sentença, no que diz respeito à apreciação da integralidade das teses arguidas pela parte embargada e das provas produzidas no processo, revela-se possível compreender a linha de raciocínio adotada pelo Magistrado prolator para o acolhimento do pedido inicial. De qualquer modo, o órgão fracionário tem o poder de suprimento de eventuais lacunas da fundamentação, a partir da apreciação expressa dos argumentos debatidos pelas partes, observada a função integradora do grau recursal. Nulidade da sentença afastada. CERCEAMENTO DE DEFESA. Caso em que o Juiz entendeu que os elementos constantes nos autos eram suficientes para o julgamento da demanda, tornando desnecessária a prolação de despacho saneador. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A revisão judicial do contrato não se submete à prescrição trienal, mas ao prazo decenal, previsto no artigo 205 do Código Civil, considerando-se a natureza da contratação. O mesmo prazo se aplica à pretensão de restituição dos valores pagos indevidamente. Preliminar afastada. IMPUGNAÇÃO AO CÁLCULO. O cálculo apresentado mostrou-se adequado para o fim à que se destinava, ou seja, indicar estimativa do valor incontroverso e a discrepância entre a taxa de juros contratual e a taxa média de mercado. Caso em que não houve apreciação dos cálculos apresentados na inicial, tendo a decisão determinado a limitação dos juros remuneratórios, de modo que eventual valor a ser restituído será calculado em fase de cumprimento de sentença, inclusive quanto à carência alegada. JUROS REMUNERATÓRIOS. A revisão da taxa de juros representa medida excepcional, reservada aos casos em que seja evidente a abusividade, analisada em cada caso, diante das condições do negócio jurídico e do contratante. Hipótese em que os juros remuneratórios discrepam excessivamente da média de mercado. COMPENSAÇÃO E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Cabível a pretensão da parte demandante, diante da cobrança de taxa abusiva de juros, como uma forma de evitar o enriquecimento ilícito da instituição financeira. INDEXADOR UTILIZADO. Existindo marcos iniciais distintos para a incidência de correção monetária e juros de mora, inviável a aplicação apenas da taxa SELIC. Ademais, não há comprovação da abusividade decorrente da aplicação do IGP-M para a correção monetária da condenação, o que afasta a possibilidade de alteração do índice adotado na sentença. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. O valor a título de honorários advocatícios deve ser compatível com a dignidade da profissão e arbitrado considerando o caso concreto, representando a adequada remuneração ao trabalho do profissional. Manutenção da verba honorária fixada em sentença. APELO DESPROVIDO. Não foram opostos embargos de declaração. Nas razões do recurso especial, a ora agravante aponta, além de divergência jurisprudencial quanto à interpretação do art. 51, IV e § 1º, III, do Código de Defesa do Consumidor, violação dos arts. 489, § 1º, VI, e 927, III, do Código de Processo Civil e 51, IV, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor. Aduz que a decisão recorrida deixou de seguir jurisprudência e precedentes invocados. Sustenta a inexistência de abusividade dos juros remuneratórios, porquanto não se justifica sua limitação à taxa média de mercado. Argumenta ainda que a abusividade dos juros remuneratórios foi constatada mediante simples cotejo com a taxa média de mercado publicada pelo Bacen, sem análise individualizada das peculiaridades do caso concreto, contrariamente ao decidido no REsp n. 1.061.530/RS. Requer a reforma do acórdão para que se declarem válidas as cláusulas que estipulam a cobrança dos juros remuneratórios e demais encargos, com sua consequente manutenção nos percentuais estabelecidos pelas partes. Pleiteia ainda a imposição dos ônus de sucumbência exclusivamente à parte recorrida caso a demanda seja provida. É o relatório. Decido. I - Do pedido de suspensão A respeito da suspensão dos processos em decorrência da decretação de liquidação extrajudicial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a regra contida no art. 18, a, da Lei n. 6.024/1974 deve ser interpretada com temperamento, afastando-se sua incidência nos processos de conhecimento que buscam obter declaração judicial de crédito, a qual interferirá na formação do título executivo, que será passível de habilitação no processo de liquidação, sem implicar a redução do acervo patrimonial da massa objeto de liquidação (REsp n. 1.298.237/DF, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 19/5/2015, DJe de 25/5/2015). No mesmo sentido: AgInt no REsp n. 1.969.577/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 31/3/2023; AgInt no REsp n. 1.985.667/ES, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 8/8/2022, DJe de 15/8/2022; AgInt no REsp n. 1.783.833/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 19/10/2020, DJe de 27/10/2020; e AgInt no AREsp n. 1.526.212/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/6/2020, DJe de 12/6/2020. Assim, não merece acolhimento o pedido de suspensão. II - Da assistência judiciária gratuita Pontue-se que a concessão do benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica não dispensa a prévia comprovação de hipossuficiência, nos termos da orientação do STJ consolidada com a edição da Súmula n. 481, in verbis: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. Nessa linha de raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça já estabeleceu que a simples decretação de liquidação extrajudicial não tem o condão de, por si só, induzir ao reconhecimento da hipossuficiência financeira da pessoa jurídica (AgInt no AREsp n. 1.978.978/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 29/4/2022). No caso, ausente a apresentação de outros elementos pela instituição financeira que pudessem comprovar sua impossibilidade de pagamento dos encargos processuais, é insuficiente, para tanto, o balanço patrimonial juntado aos autos. Assim, não há como deferir o pedido de assistência judiciária gratuita. III - Da alegada negativa de prestação jurisdicional (violação dos arts. 489 e 927 do CPC) Afasta-se a alegada ofensa aos arts. 489 e 927 do CPC, porquanto a Corte de origem examinou e decidiu, de modo claro e objetivo, as questões que delimitam a controvérsia, não ocorrendo nenhum vício que possa nulificar o acórdão recorrido. Esclareça-se que o órgão colegiado não está obrigado a repelir todas as alegações expendidas no recurso, pois basta que se atenha aos pontos relevantes e necessários ao deslinde do litígio e adote fundamentos que se mostrem cabíveis à prolação do julgado, ainda que, relativamente às conclusões, não haja a concordância das partes. IV - Dos juros remuneratórios A Segunda Seção do STJ, no Recurso Especial n. 1.061.530/RS, processado segundo o rito previsto no art. 543-C do CPC de 1973, consolidou o entendimento de que as instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulados na Lei de Usura; de que aos contratos de mútuo bancário não se aplicam as disposições do art. 591 c/c o art. 406, ambos do CC de 2002; e de que a estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade. Dessa forma, "é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante as peculiaridades do caso concreto". Considerando o entendimento firmado no julgamento do recurso especial repetitivo acima indicado, as Turmas da Segunda Seção do STJ já esclareceram também que a limitação da taxa de juros com base apenas no fato de estar acima da taxa média de mercado não encontra respaldo na jurisprudência desta Corte, uma vez que devem ser observados diversos fatores para a revisão da taxa de juros, tais como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. Para melhor compreensão, confiram-se os seguintes julgados: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO BANCÁRIO. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADA. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP N. 1.061.530/RS. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS. JUROS COMPOSTOS. MORA NÃO CONFIGURADA. ALEGAÇÃO DE DECISÃO CITRA PETITA. LITISPENDÊNCIA. REEXAME CONTRATUAL E FÁTICO DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. 1. A eventual redução da taxa de juros, somente pelo fato de estar acima da média de mercado, sem que seja mencionada circunstância relacionada ao custo da captação dos recursos, à análise do perfil de risco de crédito do tomador e ao spread da operação, apenas cotejando, de um lado, a taxa contratada e, de outro, o limite aprioristicamente adotado pelo julgador em relação à taxa média divulgada pelo Bacen - estaria em confronto com a orientação firmada na Segunda Seção desta Corte, nos autos do REsp 1.061.530/RS. .. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.007.281/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 19/9/2022, destaquei.) RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE MÚTUO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. REVISÃO. CARÁTER ABUSIVO. REQUISITOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. .. 4- Deve-se observar os seguintes requisitos para a revisão das taxas de juros remuneratórios: a) a caracterização de relação de consumo; b) a presença de abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada; e c) a demonstração cabal, com menção expressa às peculiaridades da hipótese concreta, da abusividade verificada, levando-se em consideração, entre outros fatores, a situação da economia na época da contratação, o custo da captação dos recursos, o risco envolvido na operação, o relacionamento mantido com o banco e as garantias ofertadas. 5- São insuficientes para fundamentar o caráter abusivo dos juros remuneratórios: a) a menção genérica às "circunstâncias da causa" - ou outra expressão equivalente; b) o simples cotejo entre a taxa de juros prevista no contrato e a média de mercado divulgada pelo BACEN e c) a aplicação de algum limite adotado, aprioristicamente, pelo próprio Tribunal estadual. 6- Na espécie, não se extrai do acórdão impugnado qualquer consideração acerca das peculiaridades da hipótese concreta, limitando-se a cotejar as taxas de juros pactuadas com as correspondentes taxas médias de mercado divulgadas pelo BACEN e a aplicar parâmetro abstrato para aferição do caráter abusivo dos juros, impondo-se, desse modo, o retorno dos autos às instâncias ordinárias para que aplique o direito à espécie a partir dos parâmetros delineados pela jurisprudência desta Corte Superior. 7- Recurso especial parcialmente provido. (REsp n. 2.009.614/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 27/9/2022, DJe de 30/9/2022, destaquei.) Acrescente-se que, no julgamento do REsp n. 1.061.530/RS, ficou vencida a proposta da Ministra relatora de estabelecer critérios objetivos para a aferição da abusividade dos juros remuneratórios, mediante a fixação de um teto a partir da taxa média informada pelo Banco Central à época da contratação, prevalecendo o entendimento de impossibilidade de estipulação do teto de juros aceitável com base apenas na taxa média de mercado, devendo a abusividade ser aferida no caso concreto, pois dependente da análise dos diversos fatores acima já indicados. Nesse sentido, o seguinte precedente: REsp n. 1.821.182/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 23/6/2022, DJe de 29/6/2022. No caso em apreço, o Tribunal a quo limitou os juros remuneratórios do contrato sub judice à taxa média de mercado divulgada pelo Bacen, porquanto concluiu que a taxa nele pactuada caracterizava abusividade, nestes termos (fls. 620-621). A revisão da taxa de juros, portanto, na letra expressa do julgado cuja ementa foi acima transcrita, representa medida excepcional, reservada aos casos em que seja evidente a abusividade, analisada em cada caso, diante das condições do negócio jurídico e do contratante. Com efeito, o caráter abusivo da taxa de juros deve ser demonstrado no caso concreto, mediante a realização do cotejo entre a taxa aplicada, a média de mercado para a época da contratação e as peculiaridades do caso, tais como o risco da contratação, a forma de adimplemento das parcelas, o prazo para pagamento, o valor financiado e as garantias apresentadas. .. No caso em exame, conforme informação obtida no site do Banco Central (bcb.gov.br), verifica-se que, em agosto de 2013 e fevereiro de 2014, para os contratos de empréstimo pessoal consignado, a média da taxa de juros foi de 1,71% e 1,74% ao mês, respectivamente, enquanto, nos contratos em tela, foi aplicado o percentual de 6% ao mês, acima da taxa média de mercado .. Muito embora um dos contratos esteja em situação de inadimplência, embora consignado, essa Câmara Cível não considera essa circunstância na análise da abusividade, tendo por parâmetro apenas a taxa média de mercado da modalidade contratada, ainda que descumprida. Portanto, com base no princípio da colegialidade, deve ser mantida a redução dos juros à taxa média de mercado para contrato consignado nos dois pactos, ainda que naquele firmado em 2013, não tenha havido a consignação de todas as prestações. Assim, o Tribunal de origem limitou-se a afirmar que a taxa de juros remuneratórios fora pactuada acima da taxa média de mercado estipulada pelo Bacen, sem apresentar outros fundamentos a respeito do tema além da natureza e da forma de pagamento, que, contudo, já se inserem no cálculo da taxa média referenciada. Esse entendimento não está de acordo com a jurisprudência do STJ, considerando que a Corte a quo utilizou como único parâmetro a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central, deixando de analisar efetivamente eventual vantagem exagerada, que justificaria a limitação determinada para o contrato de empréstimo pessoal consignado. Dessa forma, é necessário o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, à luz dos requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STJ, proceda a novo julgamento, considerando as particularidades do caso concreto e verificando a existência de abusividade dos juros remuneratórios. V - Conclusão Ante o exposto, indefiro os pedidos de suspensão do processo e de concessão da assistência judiciária gratuita, formulados em preliminar. No mérito, conheço do ag ravo para conhecer em parte do recurso especial e dar-lhe provimento a fim de determinar a devolução dos autos à origem para que novo julgamento seja realizado, avaliando-se eventual abusividade dos juros remuneratórios de acordo com os parâmetros estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Publique-se. Intimem -se. EMENTA