AREsp 3041774 - DECISAO
O agravo foi conhecido para não conhecer do Recurso Especial porque a matéria impugnada exige reexame de prova (incidindo a Súmula n. 7/STJ) e porque não se demonstrou dissídio jurisprudencial por meio do cotejo analítico exigido para a alínea 'c' do art. 105 da CF/88; em consequência, manteve-se a condenação por...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LUCIANA MARIA CARDOSO DE MORAIS FRANCA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido (conhecido O Agravo E Não Conhecido O Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Litigância De Má Fé, Reexame De Prova (súmula 7/stj), Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios, Recurso Especial Não Conhecido
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUCIANA MARIA CARDOSO DE MORAIS FRANCA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido (conhecido O Agravo E Não Conhecido O Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Existência de litigância de má-fé
- 2 Incidência da Súmula n. 7 do STJ (vedação ao reexame de prova no Recurso Especial)
- 3 Comprovação do dissídio jurisprudencial na alínea c do art. 105 da CF/88 (necessidade de cotejo analítico)
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido para não conhecer do Recurso Especial porque a matéria impugnada exige reexame de prova (incidindo a Súmula n. 7/STJ) e porque não se demonstrou dissídio jurisprudencial por meio do cotejo analítico exigido para a alínea 'c' do art. 105 da CF/88; em consequência, manteve-se a condenação por litigância de má-fé imposta pelo tribunal de origem e majoraram-se os honorários em 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Conheço do Agravo
- Não conheço do Recurso Especial
Full Case Text
Judgment text and source record
5 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por LUCIANA MARIA CARDOSO DE MORAIS FRANCA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. ALEGAÇÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS APÓS A QUITAÇÃO DO CONTRATO. IMPROCEDÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE ATRASOS NOS PAGAMENTOS POR INSUFICIÊNCIA DE SALDO. AUSÊNCIA DE COBRANÇA INDEVIDA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ CONFIGURADA. APELO DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte aduz violação e dissídio jurisprudencial atinente à aplicação dos arts. 80, II e V, e 81 do CPC/2015, no que concerne à necessidade de afastamento da condenação por litigância de má-fé, em razão de ausência de prova inequívoca de dolo processual na conduta da recorrente, trazendo a seguinte argumentação: A Recorrente não apresentou documento falso, não omitiu informação de forma dolosa e não causou prejuízo concreto à parte contrária. Sua atuação se deu de boa-fé, exercendo o direito constitucional de ação (art. 5º, XXXV, da CF/88), apenas buscando esclarecer possível cobrança indevida com base em sua limitada compreensão dos registros bancários. (fl. 507) (fls. 507). Todavia, tal conclusão viola frontalmente o disposto no art. 80 do CPC/2015, que exige, para a configuração da má-fé, conduta dolosa e intencional, com objetivos como alterar a verdade dos fatos (inciso II), usar o processo para objetivo ilegal (inciso III) ou agir de forma temerária (inciso V). Nenhuma dessas hipóteses se verifica no presente caso. (fl. 507)
Assim, diante da ausência de qualquer prova do elemento subjetivo indispensável à configuração da má-fé processual, a manutenção da penalidade imposta à Recorrente representa ofensa à legislação federal, impondo-se a reforma do acórdão por meio do presente Recurso Especial. (fl. 507)
Dessa forma, a manutenção da condenação por litigância de má-fé, sem qualquer demonstração concreta da conduta dolosa da parte autora, implica violação aos artigos 80 e 81 do CPC/2015, bem como afronta o princípio constitucional do direito de ação (art. 5º, XXXV, da CF/88). (fl. 511)
Por todo o exposto, resta claro que a condenação por litigância de má-fé imposta à Recorrente (e, reflexamente, ao seu advogado) encontra-se desprovida de fundamentação concreta e viola o art. 80, incisos II e V, do CPC/15. (fl. 514)
Diante do exposto, resta demonstrado que a Recorrente não alterou a verdade dos fatos (art. 80, II, do CPC), nem agiu de forma temerária (art. 80, V, do CPC), inexistindo dolo ou má-fé processual. (fl. 514). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Quanto à aplicação ou não da multa por litigância de má-fé prevista na sentença, entendo deve ser mantida. Com efeito, há nos autos elementos suficientes que comprovem conduta que configure má-fé da parte. .. Ademais, a apelante após juntada dos documentos que comprovam que os pagamentos sempre foram feitos de forma fracionada, sequer trouxe isso aos autos, ou seja, em sua inicial defende que quitou tudo e que a instituição financeira estaria efetuando os descontos para além do contratado. Ou seja, omitiu deliberadamente que os pagamentos estavam irregulares, vindo a tona tão somente quando da contestação, isto é, mascarou a verdade para se locupletar ilicitamente, demonstrando nitidamente que "embarcou numa aventura judicial" com o fim de obter proveito (fls. 489-490). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o reexame da premissa fixada pelo acórdão recorrido quanto à existência ou não de má-fé na conduta do litigante exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em Recurso Especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à existência ou não de má-fé na conduta do litigante exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em recurso especial" (REsp n. 2.167.205/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 13/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.563.993/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 14/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.505.321/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 15/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.179.308/SP, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJe de 15/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.450.482/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 29/5/2024; AgInt no REsp n. 2.095.784/BA, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 25/4/2024; AgInt no REsp n. 2.069.929/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 1/12/2023; AgInt no REsp n. 2.073.178/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 28/9/2023; EDcl no AgInt nos EDcl no REsp n. 1.898.156/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 29/9/2022. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas" ;(AgInt no REsp n. 2.175.976/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.037.832/RO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.365.913/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.701.662/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.698.838/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 19/12/2024; AgInt no REsp n. 2.139.773/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt no REsp n. 2.159.019/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA