REsp 1872815 - ACORDAO
Mantida a incidência da Súmula n. 83 e da jurisprudência consolidada (Tema n. 936), por envolver a concessão e complementação de aposentadoria interesse exclusivo da entidade fechada e do participante, não se admite litisconsórcio passivo com a patrocinadora; eventual responsabilização do empregador por ato ilícito...
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- Parties
- Agravante: FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS - FUNCEF; Agravado: José Theodoro Gonçalves
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Colegiado (decisão Da Quarta Turma)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (negado provimento)
- Legal Topics
- Litisconsórcio Passivo, Legitimidade Da Patrocinadora, Ação De Regresso, Competência Da Justiça Do Trabalho, Súmula 83 Do STJ, Aplicação Do CDC
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Parties
FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS - FUNCEF
Agravante
José Theodoro Gonçalves
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Colegiado (decisão Da Quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Se a patrocinadora possui legitimidade passiva em demandas entre participante/assistido e entidade fechada de previdência complementar
- 2 Se há exceção à indisponibilidade da patrocinadora quando há ato ilícito do empregador
- 3 Qual é a competência para reparação de prejuízos decorrentes de ilícito do empregador
Ratio Decidendi
Mantida a incidência da Súmula n. 83 e da jurisprudência consolidada (Tema n. 936), por envolver a concessão e complementação de aposentadoria interesse exclusivo da entidade fechada e do participante, não se admite litisconsórcio passivo com a patrocinadora; eventual responsabilização do empregador por ato ilícito deve ser buscada na Justiça do Trabalho ou por meio de ação de regresso da entidade, nos termos do art. 21 da LC 109/2001; por isso, nego provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão de origem quanto à inexistência de litisconsórcio passivo necessário
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. LITISCONSÓRCIO COM A PATROCINADORA. IMPOSSIBILIDADE. RECONHECIMENTO DE ILÍCITO DO PATROCINADOR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA LABORAL. EVENTUAL PREJUÍZO DA ENTIDADE FECHADA DEVE SER RESSARCIDO POR MEIO DE AÇÃO DE REGRESSO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A Segunda Seção do STJ, no julgamento do REsp n. 1778938/SP, processado pelo rito dos recursos repetitivos, consolidou o entendimento de que "Os eventuais prejuízos causados ao participante ou ao assistido que não puderam contribuir ao fundo na época apropriada ante o ato ilícito do empregador poderão ser reparados por meio de ação judicial a ser proposta contra a empresa ex-empregadora na Justiça do Trabalho" (Tema n. 1.021). 2. "A patrocinadora não possui legitimidade passiva para litígios que envolvam participante/assistido e entidade fechada de previdência complementar, ligados estritamente ao plano previdenciário, como a concessão e a revisão de benefício ou o resgate da reserva de poupança, em virtude de sua personalidade jurídica autônoma" (Tema n. 936). 3. A entidade de previdência privada que se sentir prejudicada pela conduta da patrocinadora pode promover ação de regresso contra o terceiro que deu causa ao dano, nos termos do art. 21 da Lei Complementar n. 109/2001. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF contra decisão de fls. 1.180-1.184 que deu parcial provimento ao recurso especial somente para afastar a aplicação do CDC e manter a conclusão do acórdão recorrido no que se refere a inexistência de litisconsórcio passivo necessário. Na origem, José Theodoro Gonçalves propôs ação de cobrança contra a ora agravada, aduzindo que, após a concessão de sua aposentadoria pelo INSS, também começou a receber os benefícios da FUNCEF, mas que, 13 meses depois, foi informado pelo INSS sobre um erro administrativo que suspendeu sua aposentadoria por falta de oito contribuições e que, consequentemente, a FUNCEF também cortou a complementação da aposentadoria. Dessa forma, requereu na sua petição inicial o valor não pago pela FUNCEF no período de agosto de 1998 a junho de 2008 com atualização monetária e juros de mora. A sentença fora julgada parcialmente procedente (fls. 619-627). Inconformada, a ora agravante apelou. Por ocasião do julgamento do recurso de apelação, o Tribunal de origem reformou parcialmente a sentença, mas, em relação ao pedido de reconhecimento de litisconsórcio, decidiu que, diante da relação existente entre o associado e a FUNCEF, decorrente de contrato de previdência privada e, por não se tratar de relação direta com o extinto contrato de trabalho a referida pretensão era indevida. Sobrevindo, pois, o recurso especial de fls. 784-819 e 982-1.017. Contudo, conforme anteriormente relatado, o recurso fora parcialmente provido, somente para afastar a aplicação do CDC e manter a conclusão do acórdão recorrido no que se refere a inexistência de litisconsórcio passivo necessário. No presente agravo interno, aduz que, apesar de a decisão se amparar na tese firmada no Tema n. 936 dos Recursos Repetitivos, que geralmente exclui a legitimidade da patrocinadora em litígios entre participantes e entidades de previdência complementar, há uma exceção quando a ação envolve um ato ilícito, como no caso em análise, afastando a incidência da Súmula n. 83 do STJ. Sustenta, portanto, que a CEF é considerada responsável no polo passivo da demanda, conforme item "II" da tese repetitiva. Requer a reconsideração da decisão impugnada ou a submissão do presente agravo interno ao colegiado. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. LITISCONSÓRCIO COM A PATROCINADORA. IMPOSSIBILIDADE. RECONHECIMENTO DE ILÍCITO DO PATROCINADOR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA LABORAL. EVENTUAL PREJUÍZO DA ENTIDADE FECHADA DEVE SER RESSARCIDO POR MEIO DE AÇÃO DE REGRESSO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A Segunda Seção do STJ, no julgamento do REsp n. 1778938/SP, processado pelo rito dos recursos repetitivos, consolidou o entendimento de que "Os eventuais prejuízos causados ao participante ou ao assistido que não puderam contribuir ao fundo na época apropriada ante o ato ilícito do empregador poderão ser reparados por meio de ação judicial a ser proposta contra a empresa ex-empregadora na Justiça do Trabalho" (Tema n. 1.021). 2. "A patrocinadora não possui legitimidade passiva para litígios que envolvam participante/assistido e entidade fechada de previdência complementar, ligados estritamente ao plano previdenciário, como a concessão e a revisão de benefício ou o resgate da reserva de poupança, em virtude de sua personalidade jurídica autônoma" (Tema n. 936). 3. A entidade de previdência privada que se sentir prejudicada pela conduta da patrocinadora pode promover ação de regresso contra o terceiro que deu causa ao dano, nos termos do art. 21 da Lei Complementar n. 109/2001. 4. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não comporta acolhimento. Como salientado na decisão agravada, no presente caso, a Corte de origem concluiu que o pagamento da complementação de aposentadoria envolve interesse somente da entidade de previdência privada e o participante. Nesse contexto, a decisão da Corte de origem encontra amparo na jurisprudência do STJ de que a patrocinadora não possui legitimidade passiva para litígios que envolvam participante/assistido e entidade fechada de previdência complementar, ligados estritamente ao plano previdenciário, como a concessão de benefício, em virtude de sua personalidade jurídica autônoma. A propósito, além dos julgados citados na decisão recorrida, destaco ainda, os seguintes: AgInt no REsp n. 1.914.576/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024 e AgInt no REsp n. 1.931.439/DF, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 27/4/2023. Mantenho, pois, a incidência da Súmula n. 83 do STJ. Por outro lado, é importante destacar que a Segunda Seção do STJ, no julgamento do REsp n. 1778938/SP, processado pelo rito dos recursos repetitivos, consolidou o entendimento de que "Os eventuais prejuízos causados ao participante ou ao assistido que não puderam contribuir ao fundo na época apropriada ante o ato ilícito do empregador poderão ser reparados por meio de ação judicial a ser proposta contra a empresa ex-empregadora na Justiça do Trabalho" (Tema n. 1.021). Ademais, nada afasta o direito da entidade privada que se sentir prejudicada pela conduta da patrocinadora em promover ação de regresso, porquanto, "Nos termos do art. 21 da Lei Complementar nº 109/2001, eventual resultado deficitário no plano poderá ser equacionado, entre outras alternativas, por meio de ação regressiva dirigida contra o terceiro que deu causa ao dano ou prejudicou a entidade de previdência complementar" EREsp n. 1.557.698/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 22/8/2018, DJe de 28/8/2018. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.