REsp 2197046 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão agravada; conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se provimento para reconhecer a existência de litisconsórcio passivo necessário, anulando-se os atos decisórios e determinando o retorno dos autos à instância de origem para citação do ente federado contratante e...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial parcialmente conhecido e provido para reconhecer litisconsórcio passivo necessário, anular os atos decisórios e determinar o retorno dos autos à instância de origem para citação do ente federado contratante.
- Legal Topics
- Litisconsórcio Passivo Necessário, Revisão Da Tabela Do SUS, Saúde Complementar, Admissibilidade De Recurso Especial, Competência E Legitimidade Passiva
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Parties
UNIÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 legitimidade passiva da União
- 2 necessidade de citação do ente federado contratante como litisconsorte passivo necessário
- 3 inadmissibilidade de alegação de violação constitucional em recurso especial
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão agravada; conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se provimento para reconhecer a existência de litisconsórcio passivo necessário, anulando-se os atos decisórios e determinando o retorno dos autos à instância de origem para citação do ente federado contratante e providências previstas no art. 115, parágrafo único, do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial parcialmente conhecido e provido para reconhecer litisconsórcio passivo necessário, anular os atos decisórios e determinar o retorno dos autos à instância de origem para citação do ente federado contratante.
Orders
- Reconsidero a decisão de fls. 794-795.
- Conheço do agravo e, na extensão, conheço parcialmente do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo interno interposto pela UNIÃO contra decisão que não conheceu do recurso especial, por incidência da Súmula 182/STJ. Argumenta a parte agravante que "rechaçou a aplicação do enunciado sumular 83/STJ .. resta evidente, que o entendimento do Tribunal Regional Federal não está de acordo com o atual entendimento do Superior Tribunal de Justiça" (fls. 802-804). Sustenta, ainda, que, "diante dos argumentos apresentados, a União entende que deve ser superado o óbice para o conhecimento do seu recurso especial e o seu posterior provimento" (fl. 805). Ao final, requer a reconsideração da decisão agravada ou o provimento do recurso. Impugnação da parte agravada pelo improvimento do recurso . É o relatório. Passo a decidir. Considerando a relevância dos argumentos apresentados pela parte agravante, reconsidero a decisão agravada e passo a nova análise do recurso. Em análise, agravo em recurso especial manejado pela UNIÃO contra decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que negou seguimento, quanto ao Tema 1.033/STF, e inadmitiu, quanto aos demais argumentos, o recurso especial interposto em face de acórdão que reconheceu o direito à revisão dos valores de ressarcimento da Tabela de Procedimentos Ambulatoriais e Hospitalares do Sistema Único de Saúde - SUS. No recurso especial o recorrente alegou, preliminarmente, que houve violação, ao teor dos arts. 199, § 1º, da CF/88, 17, III e IX, e 18 da Lei 8.080/1990, por ilegitimidade passiva da União Federal, bem como violação aos arts. 198 da CF/88; e 114 do CPC/2015, por necessidade de citação dos entes federados locais como litisconsortes passivos necessários. No mérito, aponta violação aos arts. 18, 26 e 47 da Lei 8.080/1990, sob a alegação de que a Tabela SUS não tem caráter vinculativo, sendo facultativa a participação da iniciativa privada na complementação do atendimento do SUS, bem como ao art. 32 da Lei 9.656/1998, por suposta inexistência de previsão legal para aplicação da tabela TUNEP. Foram apresentadas contrarrazões. Sobreveio juízo negativo de admissibilidade, o que deu ensejo ao presente agravo. É, em síntese, o relatório. Inicialmente, cumpre salientar que não cabe a parte litigante invocar, em sede de recurso especial, violação à norma constitucional, haja vista que referido exame é reservado ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da CF/88, motivo pelo qual, nessa parte, não conheço do recurso com relação à apontada ofensa aos arts. 198 e 199, §1º, da CF/88. Ultrapassado esse ponto, apura-se que uma das controvérsias em comento foi recentemente decidida pela Primeira Turma desta Corte no julgamento do AREsp 2.067.898/DF, de relatoria do Sr. Ministro Sérgio Kukina, tendo assentado entendimento no sentido de que, nos litígios em que se aponta desequilíbrio econômico-financeiro do contrato ou de convênio firmado com hospitais particulares para prestação de serviços de saúde em caráter complementar, o polo passivo deve ser necessariamente composto pela União e pelo ente federado contratante - estado ou município, restando assim ementada: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. ENTIDADE PRIVADA. SAÚDE COMPLEMENTAR. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO. DEFASAGEM DA TABELA DO SUS. PRETENSÃO DE UTILIZAÇÃO DA TABELA TUNEP. ALEGAÇÃO DE OFENSA A REGRAMENTO CONSTITUCIONAL. NÃO CABIMENTO EM SEDE DE ESPECIAL APELO. COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA DO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE PARA DEFINIR CRITÉRIOS E VALORES DOS SERVIÇOS PRESTADOS NO ÂMBITO DO SUS. LEGITIMIDADE DA UNIÃO PARA RESIDIR NO POLO PASSIVO DA DEMANDA. CONFIGURAÇÃO. CASO CONCRETO. NECESSIDADE DA TAMBÉM PRESENÇA DO ENTE SUBNACIONAL CONTRATANTE NA RELAÇÃO JURÍDICO-PROCESSUAL. INCIDÊNCIA DO ART. 114 DO CPC. FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. INDISPENSABILIDADE CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DA UNIÃO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Em sede de recurso especial, não cabe invocar violação a normativo constitucional, motivo pelo qual não se conhece da alegada ofensa ao art. 199, § 1º, da Constituição Federal. 2. Cuida-se, na origem, de ação ordinária, em que hospital privado, prestador de serviço complementar no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, busca a revisão da Tabela do SUS e dos valores que com base nela recebeu pelos serviços prestados, com a consequente condenação da União ao pagamento das diferenças a serem oportunamente apuradas. A tanto, sob a alegação de desequilíbrio econômico-financeiro no ajuste celebrado, almeja a parte autora tomar como referência os valores constantes da Tabela TUNEP (editada pela ANS), no lugar da Tabela de Procedimentos Ambulatoriais e Hospitalares do Sistema Único de Saúde - SUS. 3. Em se cuidando da prestação de saúde por meio da participação complementar da iniciativa privada, nos termos do art. 26 da Lei 8.080/90, "Os critérios e valores para a remuneração de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde". 4. Sendo, pois, da União o encargo de fixar, em tabela própria, os valores a serem pagos aos entes particulares no âmbito da saúde complementar, legítima se descortina sua presença no polo passivo da presente demanda condenatória, em que se postula a revisão da referida tabela. 5. Nos casos em que a estrutura pública se mostre insuficiente para garantir cobertura assistencial à população, o gestor do SUS pode recorrer à contratação de entidades particulares para prestação de serviços faltantes ou deficitários. 6. Essa contratação pode se dar por meio de convênio, contrato de gestão e termo de parceria (Lei 9.790/99), observada a subsidiária aplicação da Lei 8.666/93. 7. Tendo em vista a coparticipação da União, dos Estados e dos Municípios na formação do Fundo Nacional de Saúde, bem como o caráter contratual da relação estabelecida entre os entes público e privado, quando prestada a saúde na modalidade complementar, necessária se revelará a presença do contratante subnacional (Estado ou Município) para compor o polo passivo de ações judiciais como a que ora se está a apreciar, uma vez que, em tese, tais entes federados também suportarão as consequências financeiras do acolhimento da pretensão pecuniária autoral, ou seja, do hospital particular. 8. Agravo conhecido, com o recurso especial da União parcialmente provido, ante a evidenciada afronta ao art. 114 do CPC, restando anulados os atos decisórios produzidos nas instâncias ordinárias. (AREsp n. 2.067.898/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 20/12/2022.) Dessa maneira, após detida análise sobre a questão, coaduno com o entendimento apresentado, uma vez que, em que pese a responsabilidade solidária entre os entes com relação ao funcionamento do Sistema Único de Saúde, não se mostra razoável, in casu, que o ente federativo que efetivamente realizou a contratação com ente privado não seja citado para oportunizar a participação na demanda judicial. Nesse mesmo sentido, sobre o tema: AREsp n. 2.523.163/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 16/2/2024; AREsp n. 2.520.849/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 16/2/2024; AgInt no REsp n. 2.038.755/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023 e AgInt no AREsp n. 2.072.138/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023. Isso posto, reconsidero a decisão de fls. 794-795, e nos termos do art. 253, II, a e c, conheço do agravo para conhecer p arcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento a fim de reconhecer a existência de litisconsórcio passivo necessário, com a consequente anulação dos atos decisórios proferidos. Determino o retorno dos autos à instância de origem, onde se deve intimar à parte autora para providências disposta no art. 115, parágrafo único, do CPC/2015. Prejudicadas as demais alegações. Intimem-se. EMENTA