HC 682531 - DECISAO
A ordem foi concedida porque as instâncias ordinárias indeferiram o livramento condicional com fundamento em exigência de passagem prévia pelo regime intermediário e motivos de gravidade abstrata, fundamentos não previstos no art. 83 do Código Penal; diante da jurisprudência pacífica do STJ que afasta tal...
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- Parties
- Impetrante: MARCOS VINICIUS FARIAS DA SILVA; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Concessiva
- Outcome
- ordem concedida determinando que o Juízo da execução reaprecie o pedido de livramento condicional estritamente segundo os requisitos do art. 83 do Código Penal
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Passagem Por Regime Intermediário, Fundamentação Concreta, Art. 83 Do Código Penal
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Parties
MARCOS VINICIUS FARIAS DA SILVA
Impetrante
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Concessiva
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de passagem por regime intermediário para concessão de livramento condicional
- 2 Validade de fundamentação baseada em gravidade abstrata e necessidade de cumprimento da pena em regime aberto
Ratio Decidendi
A ordem foi concedida porque as instâncias ordinárias indeferiram o livramento condicional com fundamento em exigência de passagem prévia pelo regime intermediário e motivos de gravidade abstrata, fundamentos não previstos no art. 83 do Código Penal; diante da jurisprudência pacífica do STJ que afasta tal obrigatoriedade, determinou-se que o Juízo da execução reaprecie o pedido estritamente segundo os requisitos do art. 83 do Código Penal.
Court Disposition
ordem concedida determinando que o Juízo da execução reaprecie o pedido de livramento condicional estritamente segundo os requisitos do art. 83 do Código Penal
Orders
- Determinar ao Juízo da execução penal que reaprecie o pedido de livramento condicional estritamente segundo os requisitos legais previstos no art. 83 do Código Penal.
- Desconsiderar a necessidade de vivenciar maior lapso temporal no regime intermediário antes de conceder o livramento condicional.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO MARCOS VINICIUS FARIAS DA SILVA alega sofrer constrangimento ilegal em seu direito de locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no Agravo em Execução n. 0007622-13.2021.8.26.0482. Nas razões do writ, adefesa aduz que o apenado faz jus ao livramento condicional, pois preenche os requisitos objetivo e subjetivo à concessão da benesse. Destaca que a longa pena a cumprir, a gravidade dos delitos pelos quais o reeducando foi condenado e a prévia passagem pelo regime semiaberto não seriam fundamentos idôneos para o indeferimento do benefício, porquantonão previstos em lei. A liminar foi indeferida. Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pela concessão da ordem, consoante parecer assim ementado (fl. 65): Habeas corpus. Execução Penal. Livramento condicional indeferido. Gravidade abstrata do delito e necessidade de cumprimento da pena em regime aberto. Fundamentação inidônea. Constrangimento ilegal evidenciado. Precedentes. Parecer pala concessão parcial da ordem para que, afastados os óbices apontados pelas instâncias ordinárias, o Juízo das Execuções reaprecie o pedido de livramento condicional. Decido. O writ comporta concessão da ordem, pois existe jurisprudência pacífica sobre o tema. O Juízo singular, ao indeferir o pedido de livramento condicional, ressaltou o seguinte (fl. 43): apenado possui histórico prisional desfavorável à imediata liberdade, sobretudo considerando que cumpre pena por crime grave e de natureza equiparada a hedionda - tráfico ilícito de drogas - , revelando-se tratar de pessoa com periculosidade acentuada e nociva à sociedade, sendo recomendável a manutenção de sua segregação por maior período de tempo, visando a necessária e adequada reeducação penal para, posteriormente, fazer jus à liberdade condicional.Assim, os elementos colhidos nos autos dão conta de que o reeducando preenche os requisitos objetivo e subjetivo necessários para alcançar o regime menos rigoroso, mas não a imediata liberdade condicional. A Corte de origem, por sua vez, "Reputou recomendável a prévia passagem peloregime intermediário, no intuito de observar a paulatina assimilação doprocesso de reinserção social" (fl. 44, destaquei). Todavia, as instâncias ordinárias decidiram em sentido oposto à jurisprudência sedimentada desta Corte, que entende"não haver obrigatoriedade deo sentenciado vivenciar primeiramente o regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, em razão da inexistência de tal previsão no art. 83 do Código Penal" (HC n. 482.168/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 19/2/2019). No mesmo sentido: 3. Sobre a matéria, a jurisprudência deste Tribunal consolidou entendimento no sentido de que não há obrigatoriedade de o(a) apenado(a) passar por regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, ante a inexistência de previsão no art. 83 do Código Penal. .. (HC n. 468.579/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 31/10/2018). Dessa forma, constata-se que a benesse foi indeferida sem a devida fundamentação concreta, a impor ao paciente patente constrangimento ilegal. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, concedo a ordem postulada, a fim de determinar ao Juízo da execução penal que reaprecie o pedido defensivo de livramento condicional estritamente segundo os requisitos legais previstos no art. 83 do Código Penal, devendo desconsiderar a necessidade de vivenciar maior lapso temporal no regime intermediário antes de ser concedidoo livramento. Publique-se e intimem-se.