HC 894282 - DECISAO
Constatou-se que as instâncias ordinárias indeferiram o livramento condicional fundamentando-se de forma inidônea na impossibilidade de progressão per saltum e na exigência de passagem pelo regime semiaberto; diante da flagrante ilegalidade, ainda que não se conheça do habeas corpus substitutivo, concedeu-se a ordem...
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- Parties
- Paciente: FERNANDO HENRIQUE MOREIRA MARTINS; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão (concessão Da Ordem De Ofício)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus. Contudo, concedo a ordem, de ofício, para cassar as decisões das instâncias de origem e determinar o reexame do pedido de livramento condicional nos estritos termos legais, afastada a fundamentação relativa à obrigatoriedade de passagem por regime intermediário.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Progressão De Regime, Habeas Corpus Substitutivo, Flagrante Ilegalidade, Requisito Subjetivo Na Execução Penal
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Parties
FERNANDO HENRIQUE MOREIRA MARTINS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão (concessão Da Ordem De Ofício)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 exigência de passagem por regime semiaberto para concessão do livramento condicional
- 3 impossibilidade de progressão per saltum como fundamento para indeferimento
Ratio Decidendi
Constatou-se que as instâncias ordinárias indeferiram o livramento condicional fundamentando-se de forma inidônea na impossibilidade de progressão per saltum e na exigência de passagem pelo regime semiaberto; diante da flagrante ilegalidade, ainda que não se conheça do habeas corpus substitutivo, concedeu-se a ordem de ofício para cassar as decisões de origem e determinar o reexame do pedido nos estritos termos legais, afastada a fundamentação relativa à obrigatoriedade de passagem por regime intermediário.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus. Contudo, concedo a ordem, de ofício, para cassar as decisões das instâncias de origem e determinar o reexame do pedido de livramento condicional nos estritos termos legais, afastada a fundamentação relativa à obrigatoriedade de passagem por regime intermediário.
Orders
- Cassam-se as decisões das instâncias de origem.
- Determinar ao Juízo da execução que reexamine o pedido de livramento condicional nos estritos termos legais, afastada a fundamentação inidônea relativa à obrigatoriedade de passagem por regime intermediário.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de FERNANDO HENRIQUE MOREIRA MARTINS, no qual aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que negou provimento ao agravo em execução defensivo, nos termos do acórdão assim ementado: "AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. RECURSO DEFENSIVO. Pleito por concessão do benefício independentemente de prévia passagem pelo regime semiaberto, cuja progressão foi concedida há pouco tempo. Descabimento. Impossibilidade de progressão por saltos. RECURSO DESPROVIDO." (e-STJ, fl. 252). Neste writ, o impetrante alega constrangimento ilegal sofrido pelo paciente, em decorrência da decisão que indeferiu o pedido de livramento condicional, sob o fundamento da necessidade de passagem pelo regime semiaberto. Assevera que o apenado atingiu o requisito temporal exigido e teve boa conduta carcerária atestada pela direção da unidade prisional. Ressalta a ausência de faltas disciplinares em seu histórico carcerário. Aduz que a fundamentação adotada pelas instâncias ordinárias é inidônea, eis que não há previsão legal que condicione a passagem por regime intermediário ao reeducando que cumpriu o lapso temporal para a aquisição do livramento condicional. Requer, inclusive liminarmente, que seja concedido o livramento condicional ao paciente. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, relator Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020, DJe de 25/8/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC n. 180.365/PB, Primeira Turma, relatora Ministra Rosa Weber, julgado em 27/3/2020, DJe de 2/4/2020; AgRg no HC n. 147.210/SP, Segunda Turma, relator Ministro Edson Fachin, julgado em 30/10/2018, DJe de 20/2/2020 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. No tocante ao livramento condicional, nos termos dos arts. 83 do Código Penal, 112 e 131 da Lei de Execuções Penais, para a concessão do benefício, deve o apenado preencher os requisitos de natureza objetiva (fração de cumprimento da pena) e subjetiva (comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover ao próprio sustento de maneira lícita). Nesse contexto, a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça entende que a gravidade abstrata do delito praticado, a longa pena a cumprir e a impossibilidade da chamada progressão per saltum de regime prisional não são fundamentos idôneos para o indeferimento do livramento condicional: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL INDEFERIDO. REQUISITO SUBJETIVO NÃO IMPLEMENTADO. HISTÓRICO PRISIONAL CONTURBADO. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO DO REQUISITO SUBJETIVO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que a gravidade do delito, a longa pena a cumprir e a impossibilidade da chamada progressão per saltum de regime prisional não são fundamentos idôneos para o indeferimento do livramento condicional. 2. No entanto, o Tribunal Estadual concluiu que o preso apresenta histórico prisional conturbado, com a prática de faltas disciplinares de natureza grave, situação, pois, que demonstra a sua inaptidão para a benesse. 3. O "atestado de boa conduta carcerária não assegura o livramento condicional ou a progressão de regime ao apenado que cumpriu o requisito temporal, pois o Juiz não é mero órgão chancelador de documentos administrativos e pode, com lastros em dados concretos, fundamentar sua dúvida quanto ao bom comportamento durante a execução da pena" (AgRg no HC 572.409/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 2/6/2020, DJe 10/6/2020). 4. De acordo com o entendimento assente nesta Corte Superior, "as faltas graves praticadas pelo apenado durante todo o cumprimento da pena, embora não interrompam a contagem do prazo para o livramento condicional, justificam o indeferimento do benefício por ausência do requisito subjetivo", bem como, "não se aplica limite temporal à análise do requisito subjetivo, devendo ser analisado todo o período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado" (HC 564.292/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 16/6/2020, DJe 23/6/2020). 5. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC n. 780.731/SP, deste relator, Quinta Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 17/3/2023). No caso dos autos, verifica-se que as instâncias ordinárias indeferiram a benesse com base em fundamento inidôneo, relativo à impossibilidade de progressão per saltum, o que demonstra a existência de constrangimento ilegal a ser reparado mediante a concessão da ordem, de ofício. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Todavia, concedo a ordem, de ofício, para cassar as decisões das instâncias de origem e determinar ao Juízo da execução que reexamine o pedido de livramento condicional nos estritos termos legais, afastada a fundamentação inidônea relativa à obrigatoriedade de o apenado passar por regime intermediário para obtenção do benefício. Publique-se. Intimem-se. EMENTA