HC 911715 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade, uma vez que o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo cassou o livramento condicional em razão de falta grave constante no histórico prisional, decisão que se alinha à jurisprudência da Terceira Seção do STJ (REsp 1.970.217/Tema 1161)...
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- Parties
- Paciente: WESLEY HENRIQUE AZEVEDO DE SOUZA; Ministério Público: Ministério Público Federal - MPF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Requisito Subjetivo, Jurisprudência Repetitiva (tema 1161)
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Parties
WESLEY HENRIQUE AZEVEDO DE SOUZA
Paciente
Ministério Público Federal - MPF
Ministério Público
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 Existência de flagrante ilegalidade que autorize concessão de ordem de ofício
- 3 Alcance da valoração do requisito subjetivo (bom comportamento) para concessão de livramento condicional: período de 12 meses versus todo o histórico prisional
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por ausência de flagrante ilegalidade, uma vez que o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo cassou o livramento condicional em razão de falta grave constante no histórico prisional, decisão que se alinha à jurisprudência da Terceira Seção do STJ (REsp 1.970.217/Tema 1161) que exige considerar todo o histórico prisional para avaliar o requisito subjetivo do art. 83, III, "a", do Código Penal.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de WESLEY HENRIQUE AZEVEDO DE SOUZA contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO proferido no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 0002674-33.2024.8.26.0996. Consta dos autos que o juízo da execução penal deferiu o livramento condicional ao paciente, em cumprimento de pena pela prática do delito de homicídio qualificado. O Ministério Público interpôs agravo de execução penal, o qual foi provido para cassar o benefício, em razão da existência de falta grave, por aresto de fls. 83/93. A impetrante sustenta que o paciente obteve resultado favorável no exame criminológico, não se mostrando razoável o indeferimento do benefício com base, apenas, em falta grave praticada há 1 ano e 8 meses, estando o paciente reabilitado. Requer, assim, o restabelecimento do livramento condicional. A liminar foi indeferida por decisão de fls. 105/106. As informações foram prestadas às fls. 113/127 e 129/130. O Ministério Público Federal - MPF opinou pela concessão da ordem, de ofício, conforme parecer de fls. 135/141. É o relatório. Decido. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal - STF, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. No caso, o Tribunal a quo cassou a benesse do livramento condicional considerando a falta de preenchimento do requisito subjetivo, tendo em vista que o paciente possui registro de prática de faltas graves. Confira-se: "Consta, em seu Boletim Informativo, a prática de falta grave cometida em 30/06/2022 (desacato e desrespeito, reabilitação em 30/06/2023 fls. 308/311)." (fl. 85) O acórdão impugnado está em consonância com a jurisprudência desta Corte, pacificada pela Terceira Seção no julgamento do REsp 1.970. 217/MG, no qual fixou-se a seguinte tese jurídica sintetizada no Tema Repetitivo 1161: "A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal". Eis a ementa do julgado: PENAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LIVRAMENTO CONDICIONAL. FALTA GRAVE. ÚLTIMOS 12 MESES. REQUISITO OBJETIVO. BOM COMPORTAMENTO. REQUISITO SUBJETIVO. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO TEMPORAL. AFERIÇÃO DURANTE TODO O HISTÓRICO PRISIONAL. TESE FIRMADA. CASO CONCRETO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. RECURSO PROVIDO. 1. Recurso representativo de controvérsia. Atendimento ao disposto no art. 1036 e seguintes do Código de Processo Civil e da Resolução n. 8/2008 do STJ. 2. Delimitação da controvérsia: definir se o requisito objetivo do livramento condicional consistente em não ter cometido falta grave nos últimos 12 meses (art. 83, III, "b", do CP, inserido pela Lei Anticrime) limita a valoração do requisito subjetivo (bom comportamento durante a execução da pena, alínea "a" do referido inciso). 3. Tese: a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal. 4. No caso concreto, o recorrido não preenche os requisitos para a obtenção do livramento condicional, diante da prática de falta grave, considerada pelo juízo da execução como demonstrativa de irresponsabilidade e indisciplina no cumprimento de pena. 5. Recurso especial provido. (REsp n. 1.970.217/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 24/5/2023, DJe de 1/6/2023.) Nesse contexto, não se vislumbra flagrante ilegalidade apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA