HC 675014 - DECISAO
A liminar foi indeferida porque, embora a jurisprudência do STJ afirme que não é obrigatório o cumprimento prévio de regime intermediário para o livramento condicional, a existência de infração disciplinar grave recente (occorrida em 20/10/2018) macula o requisito subjetivo de bom comportamento exigido pelo art. 83...
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- Parties
- Paciente: WILLIAN RODRIGUES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente o habeas corpus, com fundamento no art. 210 do RISTJ.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Disciplinar Grave, Regime Intermediário, Progressão De Regime, Art. 83 Do Código Penal
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Parties
WILLIAN RODRIGUES DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de cumprimento de regime intermediário antes do livramento condicional
- 2 Efeito de falta disciplinar grave recente sobre requisito subjetivo do livramento condicional
- 3 Se gravidade abstrata do crime e comprimento da pena justificam indeferimento do benefício
Ratio Decidendi
A liminar foi indeferida porque, embora a jurisprudência do STJ afirme que não é obrigatório o cumprimento prévio de regime intermediário para o livramento condicional, a existência de infração disciplinar grave recente (occorrida em 20/10/2018) macula o requisito subjetivo de bom comportamento exigido pelo art. 83 do Código Penal, justificando o indeferimento liminar com fundamento no art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o habeas corpus, com fundamento no art. 210 do RISTJ.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO WILLIAN RODRIGUES DA SILVA alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0005410-29.2021.8.26.0996, em que foi mantido o indeferimento da benesse do livramento condicional. A defesa alega que " t odos os requisitos previstos em lei foram cumpridos pelo paciente. O requisito objetivo sequer foi controvertido pelo Ministério Público, sendo reconhecido desde o primeiro momento processual pertinente. No que toca ao requisito subjetivo, o sentenciado possui bom comportamento, vez que não praticou falta grave nos últimos doze meses" (fl. 5). Decido. O Juízo singular, ao indeferir o benefício, ressaltou que, " p ertinente ao livramento condicional, deve passar primeiro pelo regime intermediário, como prova de que irá absorver a terapia penal, para, posteriormente, fazer jus a imediato livramento, uma vez que praticou faltas disciplinares de natureza grave no curso do cumprimento da pena, demonstrando ausência de senso de responsabilidade" (fl. 46, grifei). Com efeito, a preocupação em torno da readaptação do indivíduo censurado circunda, antes mesmo da execução penal, a própria dosimetria da reprimenda imposta, a qual se considera necessária à satisfação de uma concepção preventiva da pena. "Para as teorias relativas a pena se justifica, não para retribuir o fato delitivo cometido, mas, sim, para prevenir a sua prática. .. a pena deixa de ser concebida como um fim em si mesmo, .. e passa a ser concebida como meio para o alcance de fins futuros e a estar justificada pela sua necessidade: a prevenção de delitos" (BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. 17. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 141). A esse respeito, destaco que a gravidade em abstrato dos delitos pelos quais foi condenado o paciente, bem como a longa pena a cumprir, sem maiores detalhamentos, não justificam a negativa da benesse ou a produção de prova pericial, uma vez que não refletem a avaliação do efetivo cumprimento da pena pelo condenado. Confira-se: .. 3. A gravidade dos delitos pelos quais o paciente foi condenado (roubo), bem como a longa pena a cumprir não são fundamentos idôneos para indeferir os benefícios da execução penal. Precedentes. 4. Esta Corte Superior tem se manifestado no sentido de que faltas graves antigas e já reabilitadas não configuram fundamento idôneo para indeferir o pedido de progressão de regime. Por aplicação da mesma ratio decidendi, também não devem ser consideradas como motivo bastante para o indeferimento do livramento condicional. 5. Por fim, a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que não há obrigatoriedade de o(a) apenado(a) passar por regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, ante a inexistência de previsão no art. 83 do Código Penal. 6. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para determinar que o Juízo das Execuções novamente analise o pedido de livramento condicional, afastada a fundamentação anteriormente adotada (HC n. 508.784/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 22/8/2019, destaquei). Da mesma forma, " s egundo a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, não há obrigatoriedade de o sentenciado vivenciar primeiramente o regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, em razão da inexistência de tal previsão no art. 83 do Código Penal" (HC n. 482.168/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 19/2/2019). Todavia, quanto ao fundamento atrelado ao histórico disciplinar, urge consignar que a última infração disciplinar grave foi praticada em 20/10/2018 (fl. 34), ou seja, em data recente, de modo a macular o preenchimento do requisito de ordem subjetiva. Portanto, verifica-se que foi indeferida a benesse em função do histórico prisional desfavorável ao apenado, o que consiste na prática recente de infração disciplinar grave, argumento que encontra guarida na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual " n ão há que falar, dessa forma, em criação de situação não prevista em lei, nem em violação do princípio da vedação das penas perpétuas, porque, para obtenção do livramento condicional, além do requisito de não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses, deve ser comprovado o bom comportamento durante a execução da pena (art. 83, III, "a", do CP)" (AgRg no HC n. 664.578/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 24/5/2021, sublinhei). À vista do exposto, com fundamento no art. 210 do RISTJ, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se e intimem-se.