HC 686763 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus porque não há flagrante ilegalidade no acórdão que indeferiu o livramento condicional e a progressão de regime; a decisão de manter o indeferimento decorre da valoração pelo Juízo de execução do histórico prisional do paciente (faltas graves, reincidência, gravidade dos crimes e...
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- Parties
- Paciente: ALEX DA SILVA SANTOS; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Progressão De Regime, Exame Criminológico, Falta Grave, Requisito Subjetivo
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Parties
ALEX DA SILVA SANTOS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 existência de flagrante ilegalidade no indeferimento do livramento condicional e progressão de regime
- 3 valoração do requisito subjetivo em face de faltas disciplinares graves
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus porque não há flagrante ilegalidade no acórdão que indeferiu o livramento condicional e a progressão de regime; a decisão de manter o indeferimento decorre da valoração pelo Juízo de execução do histórico prisional do paciente (faltas graves, reincidência, gravidade dos crimes e necessidade de exames), matéria que envolve reexame do conjunto fático-probatório e, portanto, não é adequada à via do habeas corpus.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ALEX DA SILVA SANTOS, em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Consta dos autos que o Juízo da Execução indeferiu ao paciente o pedido de livramento condicional e progressão de regime (e-STJ, fls. 69-70). Inconformada, a Defesa interpôs agravo em execução para que lhe fosse concedido o livramento condicional ou progressão, o qual foi negado provimento. Neste writ, o impetrante alega que o paciente preencheu todos os requisitos exigidos pela lei para concessão do livramento condicional e progressão de regime, vez que cumpriu o requisito objetivo e possui também o requisito subjetivo, apresentando bom comportamento carcerário e tendo sido reabilitado da falta grave que cometeu. Ressalva que o paciente foi submetido a uma avaliação conjunta a Diretoria do Centro de Segurança e Disciplina, a Diretoria do Centro de Trabalho e Educação, a Diretoria do Centro de Reintegração e Atendimento a Saúde e o Diretor Técnico da Unidade prisional em que Paciente se encontra manifestaram-se favoravelmente ao livramento condicional e à progressão ao regime semiaberto. Aduz que não existem profissionais suficientes para a realização do exame pretendido e o sentenciado não pode aguardar no regime fechado até que seja realizada a avaliação. Pleiteia seja deferido pedido de livramento condicional e, ou, de progressão ao regime semiaberto, ou determinada a análise do pedido independentemente da realização de exame criminológico. É o relatório. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus de ofício. O Magistrado de primeiro grau indeferiu o pedido de livramento condicional nos seguintes termos (e-STJ, fl. 70): "Passando à analise da presente execução criminal, a necessidade do exame criminológico se justifica diante das peculiaridades do caso concreto: a) a gravidade dos delitos (homicídio simples, porte ilegal de armas e latrocínio); b) as faltas graves praticadas pelo sentenciado durante o cumprimento da pena privativa de liberdade; c) a reincidência do apenado; d) o tempo de pena a cumprir (término em 25/01/2026)." O Tribunal a quo manteve o indeferimento do pedido, pelos seguintes fundamentos: "Ora, no caso em apreço, o MM. Juiz a quo determinou a realização do exame psiquiátrico complementando o exame criminológico -, a fim de que os pedidos de progressão e de livramento condicional sejam analisados de forma mais criteriosa, máxime porque considerou que os crimes atribuídos ao paciente são da maior gravidade, perpetrados com violência e/ou grave ameaça à pessoa (homicídio, latrocínio e porte ilegal de arma de fogo), bem como levou em conta o cometimento de faltas graves durante o cumprimento da pena e a reincidência, de modo a exigir maior cautela para a concessão das benesses reclamadas. Logo, o r. decisum objurgado apresenta motivação suficiente, nos termos do artigo 93, inciso IX, Constituição Federal, para a adoção da medida pretendida pelo MM. Juiz da Execução. Frente a esse quadro, não se vislumbrando o constrangimento contrário ao ordenamento jurídico com que acena o ilustre impetrante, exsurge imperiosa a denegação do remédio heroico." (e-STJ, fls. 92-93) A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que a gravidade do delito, a longa pena a cumprir não constituem fundamentos idôneos para o indeferimento do benefício do livramento condicional ou progressão de regime. Contudo, verifica-se que o Tribunal a quo entendeu também que o caso em questão requer cautela, diante do histórico prisional do paciente, que cometeu falta disciplinar de natureza grave e ainda não demonstrou aptidão ao convívio em sociedade. Embora o paciente tenha cumprido o requisito temporal para o livramento condicional e progressão de regime, é sabido que o magistrado define sua convicção pela livre apreciação da prova, analisando os critérios subjetivos, in casu, diante do histórico prisional desfavorável do apenado. Ademais, o "atestado de boa conduta carcerária não assegura o livramento condicional ou a progressão de regime ao apenado que cumpriu o requisito temporal, pois o Juiz não é mero órgão chancelador de documentos administrativos e pode, com lastros em dados concretos, fundamentar sua dúvida quanto ao bom comportamento durante a execução da pena" (AgRg no HC 572.409/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 02/06/2020, DJe 10/06/2020). Sobre o tema, com destaques: "EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOHABEAS CORPUS. PROGRESSÃO DE REGIME. COMETIMENTO DE NOVO DELITO E FALTAS GRAVES. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DO REQUISITO SUBJETIVO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O art. 112 da Lei de Execução Penal exige, para a concessão da progressão de regime, o preenchimento dos requisitos de natureza objetiva (lapso temporal) e subjetiva (bom comportamento carcerário). 2. Na hipótese, a Corte de origem entendeu que o paciente não preenche os requisito necessários para a progressão posto que "quando agraciado com o livramento condicional, foi preso em flagrante pela prática de novo delito, traindo a confiança daquele Juízo, bem como registra a prática de três faltas disciplinares de natureza grave." 3. Embora o paciente tenha cumprido o requisito temporal para progressão do regime, é sabido que o magistrado define sua convicção pela livre apreciação da prova, analisando os critérios subjetivos,in casu, o abandono do cumprimento de pena, não se verificando, portanto, o alegado constrangimento ilegal. Precedentes. 4. O "atestado de boa conduta carcerária não assegura, automaticamente, a progressão de regime ao apenado que cumpriu o requisito temporal, pois o Juiz das Execuções não é mero órgão chancelador de documentos emitidos pela direção da unidade prisional" (AgRg no HC 426.201/SP, Rel. Ministro ROGÉRIO SCHIETTI, SEXTA TURMA, julgado em 5/6/2018, Dje 12/6/2018). 5. O remédio constitucional não é o mecanismo próprio para a análise de questões que exijam o exame do conjunto fático-probatório em razão da incabível dilação probatória que seria necessária. 6. Agravo regimental desprovido. " (AgRg no HC 633.813/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 26/02/2021) "EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. LIVRAMENTO CONDICIONAL. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE. EXAME CRIMINOLÓGICO DESFAVORÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CONFIGURADO. WRIT NÃO CONHECIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. 2. Na espécie, o entendimento do Tribunal a quo encontra-se em harmonia com a jurisprudência consolidada por esta Corte Superior de Justiça, no sentido de que, conquanto não interrompa a contagem do prazo para fins de livramento condicional (enunciado n. 441 da Súmula do STJ), a prática de falta grave impede a concessão do aludido benefício, por evidenciar a ausência do requisito subjetivo exigido durante o resgate da pena, nos termos do art. 83, III, do Código Penal. Outrossim, o exame criminológico desfavorável impossibilita a concessão da mencionada benesse. 3. Por outro lado, é firme o posicionamento desta Corte Superior no sentido de ser inviável, em sede de habeas corpus, desconstituir a conclusão a que chegaram as instâncias ordinárias sobre o não preenchimento do requisito subjetivo, uma vez que tal providência implica no reexame do conjunto fático-probatório dos autos da execução, procedimento incompatível com os estreitos limites da via eleita. 4. Habeas corpus não conhecido" (HC 481.569/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 26/02/2019, DJe 15/03/2019). Cumpre destacar que "as faltas graves praticadas pelo apenado durante todo o cumprimento da pena, embora não interrompam a contagem do prazo para o livramento condicional, justificam o indeferimento do benefício por ausência do requisito subjetivo. "3. Não se aplica limite temporal à análise do requisito subjetivo, devendo ser analisado todo o período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado" (HC 564.292/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020, grifou-se). Corroboram: "HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. REQUISITO SUBJETIVO AUSENTE. HISTÓRICO PRISIONAL CONTURBADO. NECESSIDADE DE AFERIMENTO DURANTE TODO O CURSO DA EXECUÇÃO. MÉRITO PESSOAL NÃO EVIDENCIADO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EXISTENTE. WRIT NÃO CONHECIDO. I - A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso, o que implica o seu não conhecimento, ressalvados casos excepcionais, onde seja possível a concessão da ordem, de ofício. II - "A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que a gravidade dos delitos pelos quais o paciente foi condenado, bem como a longa pena a cumprir não são fundamentos idôneos para indeferir os benefícios da execução penal, pois devem ser levados em consideração, para a análise do requisito subjetivo, eventuais fatos ocorridos durante o cumprimento da pena" (HC n. 480.233/SP, Quinta Turma, de minha relatoria, DJe de 19/02/2019). III - No caso concreto, o v. acórdão considerou, além da longa pena a cumprir e da gravidade abstrata dos delitos cometidos, ausente o requisito subjetivo, com base em elementos concretos extraídos da execução penal - embora a falta grave que ensejou a denegação do benefício tenha sido cometida após o implemento do requisito objetivo. Writ não conhecido" (HC 565.712/RJ, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020). "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. REQUISITO SUBJETIVO NÃO PREENCHIDO. HISTÓRICO PRISIONAL. PRÁTICA DE FALTAS GRAVES . BENEFÍCIO INDEFERIDO. DECISÃO MANTIDA. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 1. Embora a prática de falta disciplinar de natureza grave não interrompa a contagem do prazo para fins de livramento condicional, nos termos da Súmula n. 441/STJ, constitui motivo idôneo para o indeferimento do benefício, por ausência do preenchimento do requisito subjetivo previsto no art. 83, inciso III, do Código Penal. Precedentes. 2. Na espécie, o registro de 7 faltas graves apuradas no histórico prisional do agravante é motivação suficiente para o indeferimento da benesse, nos termos da jurisprudência deste Sodalício. 3. Agravo regimental desprovido" (AgRg no HC 536.450/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 05/12/2019, DJe 13/12/2019). Nesse contexto, não verifico a ocorrência de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.