HC 683712 - DECISAO
Não se conhece do writ por inadequação da via, mas, de ofício, concede-se a ordem aplicando a Súmula 441 do STJ: a falta grave cometida pelo paciente não interrompe o prazo para concessão do livramento condicional, entendimento que se estende ao caso de unificação de penas; ressalta-se, ademais, a possibilidade de a...
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- Parties
- Paciente: GUSTAVO JESUS DE MOURA; Recorrido (órgão Julgador): Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Desta Corte (não Conhecimento Do Writ E Concessão Da Ordem De Ofício)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício para determinar que a falta grave não interrompa o prazo para concessão do livramento condicional, ratificando a liminar anteriormente deferida.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Unificação De Penas, Admissibilidade De Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio
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Parties
GUSTAVO JESUS DE MOURA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Recorrido (órgão Julgador)
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão Desta Corte (não Conhecimento Do Writ E Concessão Da Ordem De Ofício)
Legal Issues
- 1 Se a prática de falta grave interrompe o prazo para concessão do livramento condicional
- 2 Se o STJ admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 3 Aplicação da Súmula 441/STJ no caso de unificação de penas e superveniência de nova condenação
Ratio Decidendi
Não se conhece do writ por inadequação da via, mas, de ofício, concede-se a ordem aplicando a Súmula 441 do STJ: a falta grave cometida pelo paciente não interrompe o prazo para concessão do livramento condicional, entendimento que se estende ao caso de unificação de penas; ressalta-se, ademais, a possibilidade de a Corte conceder a ordem de ofício em presença de flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício para determinar que a falta grave não interrompa o prazo para concessão do livramento condicional, ratificando a liminar anteriormente deferida.
Orders
- Writ não conhecido.
- Concedo a ordem, de ofício, para determinar que a falta grave cometida pelo paciente não interrompa o prazo para concessão do livramento condicional, ratificando a liminar anteriormente deferida.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de GUSTAVO JESUS DE MOURA contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferido no Agravo em Execução n. 2182994-64.2020.8.26.0000. A impetrante alega, em síntese, que o acórdão impugnado mostra-se contrário ao disposto no enunciado n. 441 da Súmula desta Corte, segundo o qual "a falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional". Requer, em liminar e no mérito, o afastamento da referida interrupção. Deferido o pedido de liminar e prestadas as informações, o Ministério Público Federal manifestou-se pela concessão da ordem (fls. 241/244). É o relatório. Decido. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. Nos termos do disposto no enunciado n. 441 da Súmula desta Corte, "a falta grave não interrompe o prazo para a concessão do livramento condicional", por ausência de previsão legal, e esse entendimento se aplica mesmo no caso de unificação de penas. A propósito confiram-se os seguintes precedentes: HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. DESCABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. NOVA CONDENAÇÃO. UNIFICAÇÃO DAS PENAS. ALTERAÇÃO DA DATA-BASE PARA A CONCESSÃO DE NOVOS BENEFÍCIOS. DATA DO TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA CONDENAÇÃO. RESSALVA DO LIVRAMENTO CONDICIONAL, INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENAS. REFORMATIO IN PEJUS. WRIT NÃO CONHECIDO. .. 2. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que, sobrevindo nova condenação, altera-se a data-base na execução penal, firmando-se novo interregno a partir do trânsito em julgado do decreto condenatório superveniente. 3. Nos termos da Súmula n. 441 do Superior Tribunal de Justiça - STJ, a falta grave não interrompe o prazo para a concessão do livramento condicional, por ausência de previsão legal, e esse entendimento se aplica mesmo no caso de unificação de pena, a qual, do mesmo modo, não atinge o indulto e a comutação. Precedentes. 4. Na hipótese, a data da publicação da última sentença condenatória, tese adotada no acórdão recorrido, é mais benéfica à paciente, devendo ser evitada a reformatio in pejus. Habeas corpus não conhecido. (HC 357.587/PR, de minha relatoria, QUINTA TURMA, DJe 19/08/2016). EXECUÇÃO PENAL. COMUTAÇÃO. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE (NOVO DELITO). INTERRUPÇÃO DO LAPSO TEMPORAL PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL DEMONSTRADO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 1. Consoante entendimento pacífico deste Sodalício, sobrevindo condenação ao apenado no curso da execução, a contagem do prazo para concessão de benefícios, como regra geral, é interrompida, sendo realizado novo cálculo com base no somatório das reprimendas. 2. Entretanto, a ocorrência da unificação das penas não altera a data-base para a concessão do livramento condicional, indulto e comutação por ausência de expressa previsão legal. Súmulas 441 e 535/STJ. 3. Writ não conhecido. Habeas corpus concedido de ofício para restabelecer a decisão do Juízo da execução que deferiu a comutação das penas do paciente com fulcro no Decreto Presidencial n. 7.873/2012. (HC 306.808/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, DJe 02/06/2016). HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. EXECUÇÃO PENAL. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO. UNIFICAÇÃO DAS PENAS. ALTERAÇÃO DA DATA-BASE PARA FINS DE PROGRESSÃO DE REGIME. LIVRAMENTO CONDICIONAL. MANUTENÇÃO DO MARCO INICIAL. .. 2. Firmou-se nesta Corte Superior de Justiça entendimento de que a superveniência de nova condenação no curso da execução penal acarreta a unificação das penas e a interrupção do prazo para progressão de regime, não se alterando o marco inicial para fins de concessão de livramento condicional. 3. Habeas corpus não conhecido. Contudo, ordem concedida de ofício, para determinar que a data-base para a concessão do livramento condicional não se altere em decorrência da unificação das penas. (HC 343.262/PR, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 15/02/2016). Ante o exposto, não conheço do writ, mas concedo a ordem, de ofício, para determinar que a falta grave cometida pelo paciente não interrompa o prazo para concessão do livramento condicional, ratificando a liminar anteriormente deferida. Publique-se. Intimações necessárias.