HC 688265 - DECISAO
Concedeu-se a ordem porque a infração disciplinar invocada como fundamento para o indeferimento foi praticada há mais de oito anos e, após a alteração do art. 83 do Código Penal pela Lei n. 13.964/2019, só constitui obstáculo ao livramento condicional a prática de falta grave nos doze meses anteriores ao pedido;...
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- Parties
- Paciente: GABRIEL DA SILVA GONÇALVES; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 October 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- ordem concedida
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Art. 83 Do Código Penal, Lei N. 13.964/2019
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Parties
GABRIEL DA SILVA GONÇALVES
Paciente
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Pode a prática de falta grave ocorrida há mais de doze meses justificar o indeferimento do livramento condicional?
- 2 O indeferimento do livramento condicional com base em infrações disciplinares antigas é compatível com a alteração promovida pela Lei n. 13.964/2019 ao art. 83 do CP?
Ratio Decidendi
Concedeu-se a ordem porque a infração disciplinar invocada como fundamento para o indeferimento foi praticada há mais de oito anos e, após a alteração do art. 83 do Código Penal pela Lei n. 13.964/2019, só constitui obstáculo ao livramento condicional a prática de falta grave nos doze meses anteriores ao pedido; determinou-se que o Juízo da Execução reexamine o pedido e conceda o benefício se confirmados o bom comportamento e o cumprimento do lapso objetivo do art. 83 do CP.
Court Disposition
ordem concedida
Orders
- Determinar ao Juízo da Execução que reexamine o pedido de livramento condicional e, uma vez confirmados o bom comportamento carcerário e o cumprimento do lapso objetivo do art. 83 do CP, nos dias atuais, conceda o benefício ao paciente, sem sopesar dados não relacionados ao período de resgate da pena.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO GABRIEL DA SILVA GONÇALVES alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo, em que foi mantida a decisão de primeiro grau, que determinou a elaboração de prova pericial para aferição do requisito subjetivo para o livramento condicional. A defesa assere que "a análise promovida pelo órgão julgador de 1º e 2º graus, ao indeferir o pleito de livramento condicional com base na ausência de requisito subjetivo, levou em consideração a prática de falta grave/crime doloso em 07/05/2013, há mais de 8 anos" (fl. 5). Requer, liminarmente e no mérito, a concessão do benefício. O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem (fls. 251-255). Decido. A Corte de origem assim se manifestou sobre a controvérsia (fl. 235): Conforme o relatório da situação processual executória emitido em 20.5.2021, o agravante alcançou o requisito objetivo para o livramento condicional em 20.2.2021. Contudo, praticou crime doloso durante o cumprimento da pena, em 7.5.2013, quando se encontrava em regime aberto/domiciliar. É incontroverso que o agravante cumpriu os requisitos objetivos para a concessão do livramento condicional. No entanto, o critério subjetivo, no que tange ao bom comportamento, não restou atendido, devido à prática de crime doloso enquanto cumpria a pena em regime aberto/domiciliar. Todavia, "A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que a gravidade do delito, as faltas graves antigas, a longa pena a cumprir e a impossibilidade da chamada progressão per saltum de regime prisional não constituem fundamentos idôneos para o indeferimento do benefício do livramento condicional" (HC n. 384.838/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 7/4/2017, grifei). Na hipótese, percebe-se que, à época da análise do pedido (12/5/2021), a infração disciplinar mencionada já distava mais de 8 anos de seu cometimento, visto que foi praticada em 7/5/2013, de modo que não macula, per si, o preenchimento do requisito de ordem subjetiva. É imperioso destacar a alteração promovida pela Lei n. 13.964/2019 no inciso III do artigo 83 do Código Penal, cuja redação estabelece que, para a concessão do livramento condicional, é necessário que o apenado comprove o "não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses". Portanto, reside o óbice tão somente nos doze meses antecedentes à solicitação do benefício, o que torna ainda mais desarrazoado seu indeferimento com fulcro em infrações disciplinares cometidas há mais de 8 anos. À vista do exposto, concedo a ordem, para determinar ao Juízo da Execução que reexamine o pedido de livramento condicional e, uma vez confirmados o bom comportamento carcerário e o cumprimento do lapso objetivo do art. 83 do CP, nos dias atuais, conceda o benefício ao paciente, sem sopesar dados não relacionados ao período de resgate da pena. Publique-se e intimem-se.