HC 936634 - DECISAO
Adotou-se a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (incluindo Súmulas 535, 534 e 441 e o REsp 1.364.192/RS), segundo a qual a prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional; por isso, reformou-se o acórdão do Tribunal de origem para afastar a interrupção da...
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- Parties
- Paciente: JULIO CESAR CAVALCANTE JACINTHO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; entretanto, concedo a ordem, de ofício, para afastar a interrupção da contagem do lapso temporal para concessão do livramento condicional.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Progressão De Regime, Retificação De Cálculos, Súmula
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Parties
JULIO CESAR CAVALCANTE JACINTHO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Se a prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para obtenção de livramento condicional
- 2 Se cabe habeas corpus substitutivo de recurso legalmente previsto
- 3 Se o acórdão do Tribunal de origem está em consonância com a jurisprudência consolidada do STJ
Ratio Decidendi
Adotou-se a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (incluindo Súmulas 535, 534 e 441 e o REsp 1.364.192/RS), segundo a qual a prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional; por isso, reformou-se o acórdão do Tribunal de origem para afastar a interrupção da contagem do lapso temporal para concessão do livramento condicional do paciente.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; entretanto, concedo a ordem, de ofício, para afastar a interrupção da contagem do lapso temporal para concessão do livramento condicional.
Orders
- Concedo a ordem, de ofício, para afastar a interrupção da contagem do lapso temporal para concessão do livramento condicional ao paciente.
- Oficie-se, com urgência, ao Tribunal de origem e ao Juízo singular, encaminhando-lhes cópias desta decisão.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de JULIO CESAR CAVALCANTE JACINTHO, apontando-se como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que negou provimento ao agravo em execução, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 23): "AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - Retificação de cálculos - Livramento condicional - Interrupção do lapso temporal para a concessão do benefício após a prática da falta grave - Possibilidade - Infração que consistiu, inclusive, em nova prática delituosa, a ensejar a unificação de penas - Interrupção que se revela inafastável - Decisão mantida - Recurso desprovido" Colhe-se dos autos que o Magistrado de primeiro grau reconheceu a falta grave praticada pelo sentenciado, com a consequente interrupção dos lapsos temporais para fins de livramento condicional. Inconformado, o sentenciado interpôs agravo em execução, que foi desprovido pelo Tribunal de origem. Nas razões do writ, a defesa alega que a falta grave não interrompe o prazo para o livramento condicional, portanto, não pode ser utilizada como marco interruptivo, de modo que o acórdão contraria a lei e jurisprudência consolidada por este Superior Tribunal de Justiça. Requer a concessão da ordem a fim de determinar a retificação do cálculo de penas do sentenciado, sem a interrupção por cometimento de falta grave. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus de ofício. A Corte Estadual, ao julgar o agravo em execução, confirmou a decisão do Juízo de primeiro grau que considerou que a prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para fins de livramento condicional. Entretanto, a Terceira Seção desta Corte, em 12/2/2014, ao julgar o Recurso Especial n. 1.364.192/RS, sob o rito de recurso repetitivo (CPC, art. 543-C), consolidou o posicionamento de que a prática de falta grave, no curso da execução da pena, altera a data-base para a concessão de novos benefícios, exceto para fins de livramento condicional, indulto e comutação da pena. Os fundamentos do voto estão sintetizados na seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C DO CPC). PENAL. EXECUÇÃO. FALTA GRAVE. PROGRESSÃO DE REGIME. INTERRUPÇÃO. PRAZO. LIVRAMENTO CONDICIONAL. AUSÊNCIA DE EFEITO INTERRUPTIVO. COMUTAÇÃO E INDULTO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. DECRETO PRESIDENCIAL. 1. A prática de falta grave interrompe o prazo para a progressão de regime, acarretando a modificação da data-base e o início de nova contagem do lapso necessário para o preenchimento do requisito objetivo. 2. Em se tratando de livramento condicional, não ocorre a interrupção do prazo pela prática de falta grave. Aplicação da Súmula 441/STJ. 3. Também não é interrompido automaticamente o prazo pela falta grave no que diz respeito à comutação de pena ou indulto, mas a sua concessão deverá observar o cumprimento dos requisitos previstos no decreto presidencial pelo qual foram instituídos. 4. Recurso especial parcialmente provido para, em razão da prática de falta grave, considerar interrompido o prazo tão somente para a progressão de regime." (REsp 1.364.192/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, j. 12/2/2014, DJe 17/9/2014). Esse entendimento está, inclusive, consolidado nas Súmulas 441, 534 e 535 do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcritas: "A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou indulto." (julgado em 10/6/2015, DJe 15/6/2015). "A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração." (Julgado em 10/6/2015, DJe 15/6/2015). "A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional." (Julgado em 28/4/2010, DJe 13/5/2010). Desse modo, merece reforma o acórdão impugnado que, em dissonância com o posicionamento consolidado nesta Corte, confirmou a interrupção do cálculo do requisito objetivo do livramento condicional, em face da falta grave cometida. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Entretanto, concedo a ordem, de ofício, a fim de afastar a interrupção da contagem do lapso temporal para concessão do livramento condicional ao paciente. Oficie-se, com urgência, ao Tribunal de origem e ao Juízo singular, encaminhando-lhes cópias desta decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA