HC 940899 - DECISAO
Concedeu-se a ordem para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional porque a súmula e a jurisprudência desta Corte (Terceira Seção) consolidam o entendimento de que a prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional, ainda que possa constituir marco...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LUCAS ROBERTO SANTOS TEIXEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Execução / Concessão Liminar
- Outcome
- Ordem concedida para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Progressão De Regime, Súmula 441/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUCAS ROBERTO SANTOS TEIXEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Execução / Concessão Liminar
Legal Issues
- 1 Se a prática de falta grave interrompe o lapso para aquisição do livramento condicional
- 2 Aplicação da Súmula 441 do STJ e jurisprudência da Terceira Seção sobre efeitos da falta grave
Ratio Decidendi
Concedeu-se a ordem para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional porque a súmula e a jurisprudência desta Corte (Terceira Seção) consolidam o entendimento de que a prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional, ainda que possa constituir marco interruptivo para outros benefícios, como a progressão de regime.
Court Disposition
Ordem concedida para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
Orders
- Afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
- Publique-se e intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO LUCAS ROBERTO SANTOS TEIXEIRA alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0004729-24.2024.8.26.0521, em que foi mantida a interrupção do lapso para o livramento condicional. Irresignada, interpôs a defesa agravo em execução, "requerendo a retificação do cálculo de penas, uma vez que o magistrado considerou a falta grave (novo crime) como interruptiva do lapso temporal para a aquisição do livramento condicional, adotando como data base o dia da prática da última conduta delitiva" (fl. 51). Decido. Na hipótese, apontou a Corte de origem que "o magistrado da origem não interrompeu o lapso do livramento condicional, mas diante da somatória das penas, o marco inicial para cálculo do prazo de aquisição dos benefícios seja compatível com todas as penas cominadas nas diferentes condenações unificadas" (fl. 52). A esse respeito, é imperioso destacar que a Lei de Execução Penal estipula como um dos seus vetores o mérito do apenado, cuja avaliação realizar-se-á a partir do cumprimento de seus deveres (art. 39), da disciplina praticada dentro do estabelecimento prisional (art. 44) e, por óbvio, do comportamento observado quando em gozo dos benefícios previstos na aludida norma de regência, quais sejam, o trabalho externo (arts. 36 a 37), as saídas temporárias (arts. 122 a 125), o livramento condicional (art. 131), a progressão de regime (art. 112), a anistia e o indulto (arts. 187 a 193). Inserido nesse escopo, a configuração da falta de natureza grave enseja vários efeitos (LEP, art. 48, parágrafo único), entre eles: a possibilidade de colocação do sentenciado em regime disciplinar diferenciado (LEP, art. 56); a interrupção do lapso para a aquisição de outros instrumentos ressocializantes, como, por exemplo, a progressão para regime menos gravoso (LEP, art. 112); a regressão no caso do cumprimento da pena em regime diverso do fechado (LEP, art. 118), além da revogação em até 1/3 do tempo remido (LEP, art. 127). Diferentemente, a caracterização da falta grave não interrompe a fluência do prazo para a obtenção de livramento condicional, consoante disciplina a Súmula n. 441 do STJ. A temática já foi enfrentada pela Terceira Seção desta colenda Corte Nacional, que, ao julgar os EREsp n. 1.176.486/SP, sedimentou a orientação de que a prática de falta grave resulta em novo marco interruptivo para concessão de novos benefícios, exceto indulto, comutação e livramento condicional, consoante estampa a ementa abaixo transcrita: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. FALTA DISCIPLINAR GRAVE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS, ENTRE ELES A PROGRESSÃO DE REGIME, EXCETO LIVRAMENTO CONDICIONAL E COMUTAÇÃO DAS PENAS. PRECEDENTES DO STJ E STF. EMBARGOS PROVIDOS PARA ASSENTAR QUE A PRÁTICA DE FALTA GRAVE REPRESENTA MARCO INTERRUPTIVO PARA OBTENÇÃO DE PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL. 1. O cometimento de falta grave pelo sentenciado no curso da execução da pena, nos termos do art. 127 da Lei 7.210/84, implica a perda integral dos dias remidos pelo trabalho, além de nova fixação da data-base para concessão de benefícios, exceto livramento condicional e comutação da pena; se assim não fosse, ao custodiado em regime fechado que comete falta grave não se aplicaria sanção em decorrência dessa, o que seria um estímulo ao cometimento de infrações no decorrer da execução. 2. Referido entendimento não traduz ofensa aos princípios do direito adquirido, da coisa julgada, da individualização da pena ou da dignidade da pessoa humana. Precedentes do STF e do STJ. 3. Para reforçar esse posicionamento, foi editada a Súmula Vinculante 09/STF, segundo a qual o disposto no artigo 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58. 4. Entender de forma diversa, como bem asseverou o eminente Ministro CARLOS AYRES BRITTO, quando do julgamento do HC 85.141/SP, implicaria tornar despidas de sanção as hipóteses de faltas graves cometidas por sentenciados que já estivessem cumprindo a pena em regime fechado. De modo que não seria possível a regressão no regime (sabido que o fechado já é o mais severo) nem seria reiniciada a contagem do prazo de 1/6. Conduzindo ao absurdo de o condenado, imediatamente após sua recaptura, tornar a pleitear a progressão prisional com apoio em um suposto bom comportamento (DJU 12.05.2006). 5. Embargos providos para assentar que a prática de falta grave representa marco interruptivo para obtenção de progressão de regime prisional. (EREsp n. 1.176.486/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia, 3 S., DJe 1/6/2012). Cumpre ressaltar que a Terceira Seção do STJ, no julgamento do REsp representativo de controvérsia n. 1.364.192/RS, em sessão de julgamento realizada no dia 12/2/2014, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso especial para, em razão da prática de falta grave, considerar interrompido o prazo tão somente para a progressão de regime (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 3ª S., DJe 17/9/2014). Portanto, a caracterização da falta grave não interrompe a fluência do prazo para a obtenção do livramento condicional, entendimento também sintetizado no enunciado da Súmula n. 441 desta Corte Superior de Justiça. À vista do exposto, com fulcro no art. 34, XX, do RISTJ, concedo, in limine, a ordem para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional. Publique-se e intime-se. EMENTA