HC 940054 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração configura writ substitutivo de recurso próprio e não há demonstrado constrangimento ilegal passível de correção de ofício; o indeferimento do livramento condicional funda-se em conclusões do exame criminológico e na análise do requisito subjetivo que exige reavaliação...
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- Parties
- Paciente: DANIEL DIAS DOS SANTOS; Impetrante: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Órgão Julgador Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - TJSP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Requisito Subjetivo, Falta Grave, Exame Criminológico, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Reexame Do Conjunto Fático Probatório
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Parties
DANIEL DIAS DOS SANTOS
Paciente
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Impetrante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - TJSP
Órgão Julgador Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 concessão de livramento condicional
- 2 análise do requisito subjetivo para livramento condicional
- 3 possibilidade de conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração configura writ substitutivo de recurso próprio e não há demonstrado constrangimento ilegal passível de correção de ofício; o indeferimento do livramento condicional funda-se em conclusões do exame criminológico e na análise do requisito subjetivo que exige reavaliação de fatos e provas da execução penal, matéria vedada à cognição sumária do habeas corpus. Fundamenta-se, ainda, no art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de DANIEL DIAS DOS SANTOS, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - TJSP proferido no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 0004411-71.2024.8.26.0996. Consta dos autos que o Juízo da Unidade Regional de Departamento Estadual de Execução Criminal DEECRIM 5ª RAJ, da Comarca de Presidente Prudente/SP, indeferiu pedido de livramento condicional formulado em favor do paciente, nos termos da decisão de fl. 30. Irresignada, a defesa interpôs agravo, que foi desprovido pela Sétima Câmara de Direito Criminal do TJSP, nos termos do acórdão de fls. 9/11. No presente writ, a DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO sustenta que o paciente preenche os requisitos necessários para a concessão de livramento condicional. Alega que a última falta grave foi registrada em 21/1/2021 e que o período decorrido desde então é suficiente para implementar a reabilitação. Pondera que o histórico criminal do agente não aponta qualquer fator que justifique a realização de exame criminológico. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão de livramento condicional. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração nem sequer deveria ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do Superior Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável o processamento do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. O Tribunal local afirmou o descumprimento do requisito subjetivo exigido para o livramento condicional, como se observa: "O relatório de avaliação do exame criminológico atesta que o sentenciado não exerce atividades educacionais e não apresenta os aspectos subjetivos necessários. Ao final, opinou de forma desfavorável ao livramento condicional6. Ademais, tem falta grave praticada em 20217. O Superior Tribunal de Justiça (TemaRepetitivo 1161) entende que para aferir o requisito subjetivo do livramento deve ser levado em consideração todo o histórico prisional: "Tese: a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal."8 Deste modo, ante os elementos trazidos de rigor a mantença da negativa do livramento condicional." (fls. 10/11). A despeito dos argumentos desenvolvidos na insurgência, o acórdão impugnado está em consonância com o entendimento atual desta Corte Superior sobre a implementação do requisito subjetivo. A propósito, cito julgado do STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. LIVRAMENTO CONDICIONAL. INDEFERIMENTO. HISTÓRICO CONTURBADO. INOVAÇÃO. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. REGISTRO DE 27 FALTAS DISCIPLINARES DE NATUREZA GRAVE, ALÉM DE 14 ENTRE MÉDIAS OU LEVES. REQUISITO SUBJETIVO NÃO PREENCHIDO. 1. A jurisprudência desta Corte consolidou o entendimento de que o Tribunal de origem pode, desde que não agrave a situação final do condenado e mantenha as circunstâncias fáticas delineadas nos autos, lastrear-se em fundamentos diversos dos adotados em primeira instância. 2. No caso, não houve agravamento da situação da executada, tendo o Tribunal a quo mantido o indeferimento do livramento condicional, embora se utilizando de fundamento diverso do mencionado em 1º grau. 3. O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que as faltas disciplinares de natureza grave, embora não interrompam o prazo (requisito objetivo) do livramento condicional, podem indicar a ausência de mérito (requisito subjetivo) do apenado, obstando, assim, a concessão do benefício. Cumpre ressaltar, também, que não se aplica limite temporal à análise do requisito subjetivo, devendo ser analisado todo o período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado. 4. "O requisito previsto no art. 83, III, b, do Código Penal, inserido pela Lei n. 13.964/2019, consubstanciado no não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses, é pressuposto objetivo para a concessão do livramento condicional; não limita a avaliação de conduta satisfatória durante o período de resgate da pena" (AgRg no HC n. 660.197/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 25/8/2021). 5. Na hipótese dos autos, ficou constatada a inaptidão da sentenciada para a obtenção do livramento condicional, pois possui um histórico prisional conturbado, com registro de 27 faltas disciplinares de natureza grave, além de 14 faltas entre médias ou leves, que, embora estejam reabilitadas (a última em 15.1.2021), indicam a não assimilação da terapêutica penal aplicada e a dificuldade em obedecer às ordens e cumprir regras, ainda que dentro de um ambiente vigiado. 6. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 836.457/SP, relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 27/11/2023, DJe de 30/11/2023). Ademais, esta Corte Superior entende ser impossível, na via estreita do habeas corpus, desconstituir as conclusões das instâncias ordinárias sobre o não preenchimento de requisito subjetivo necessário à concessão de benefícios da execução, como a progressão de regime e o livramento condicional, uma vez que tal providência implica reexame do conjunto fático-probatório. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. SUCEDÂNEO RECURSAL. ANÁLISE DA QUESTÃO DE MÉRITO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. CORREÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO REGIME. LIVRAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA DO CASO CONCRETO. EXAME CRIMINOLÓGICO. ANÁLISE DO REQUISITO DE ORDEM SUBJETIVA NA VIA ESTREITA DO WRIT. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O novel posicionamento jurisprudencial do STF e desta Corte é no sentido de que não deve ser conhecido o habeas corpus substitutivo de recurso próprio, mostrando-se possível tão somente a verificação sobre a existência de eventual constrangimento ilegal que autorize a concessão da ordem de ofício, o que não ocorre no presente caso, tendo em vista que o indeferimento do benefício deu-se com base em circunstâncias concretas extraídas de fatos ocorridos no curso do cumprimento da pena, com destaque no "resultado do exame criminológico, que concluiu pela inaptidão do sentenciado para voltar ao convívio da sociedade". 2. É pacífico o entendimento desta Corte Superior no sentido de não ser possível a análise relativa ao preenchimento do requisito subjetivo para concessão de progressão de regime prisional ou livramento condicional, tendo em vista que depende do exame aprofundado do conjunto fático-probatório relativo à execução da pena, procedimento totalmente incompatível com os estreitos limites do habeas corpus, que é caracterizado pelo seu rito célere e cognição sumária. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 711.127/SP, de minha relatoria, QUINTA TURMA, julgado em 22/2/2022, DJe de 2/3/2022.) Dessarte, não vislumbro ilegalidade ensejadora da concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA