HC 920573 - DECISAO
O Tribunal estadual fundamentou de modo idôneo que o requisito subjetivo para o livramento condicional não estava preenchido em razão de elementos concretos do histórico prisional do sentenciado (reincidência, múltiplos crimes anteriores, prática de delitos graves, reiteração delitiva depois de benefícios, pena...
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- Parties
- Impetrante: Impetrante; Paciente: Paciente; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Agravante Em Execução Penal: Ministério Público Estadual; Interveniente Com Parecer: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- ordem denegada
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Requisito Subjetivo, Progressão De Regime, Atestado De Boa Conduta Carcerária, Exame Criminológico
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Parties
Impetrante
Impetrante
Paciente
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Tribunal De Origem
Ministério Público Estadual
Agravante Em Execução Penal
Ministério Público Federal
Interveniente Com Parecer
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 preenchimento do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional
- 2 vinculação do magistrado aos atestados de boa conduta carcerária e aos exames criminológicos
- 3 valoração de histórico prisional e reincidência na análise do mérito para benefícios executórios
Ratio Decidendi
O Tribunal estadual fundamentou de modo idôneo que o requisito subjetivo para o livramento condicional não estava preenchido em razão de elementos concretos do histórico prisional do sentenciado (reincidência, múltiplos crimes anteriores, prática de delitos graves, reiteração delitiva depois de benefícios, pena remanescente relevante e recente promoção ao regime semiaberto), conclusão que o Superior Tribunal de Justiça reputou não ilegal, reconhecendo que o juiz não está vinculado apenas ao atestado de boa conduta ou a exames e pode considerar fatos da execução para indeferir o benefício; assim, negou-se a ordem de habeas corpus.
Court Disposition
ordem denegada
Orders
- Denego o habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 65): AGRAVO EM EXECUÇÃO Livramento condicional - Ausência do requisito subjetivo - Prática de crimes graves - Evidenciada a ausência de mérito - Juiz que não está atrelado, ademais, à conclusão de atestados de conduta e exames periciais Princípio do livre convencimento motivado Além do mais, foi recentemente promovido ao regime semiaberto, devendo vivenciar - Necessidade de maior assimilação da terapêutica penal - Recurso ministerial provido. Consta dos autos que o Juízo da Execução deferiu o pedido de livramento condicional formulado em favor do paciente e dispensou a realização de exame criminológico. No julgamento do agravo de execução penal interposto pelo Ministério Público, o Tribunal de origem cassou a decisão do juízo da execução e determinou a regressão ao regime semiaberto. A impetrante sustenta, em suma, que o paciente preenche os requisitos legais necessários para a obtenção do livramento condicional, pois além de ter atingido o lapso temporal exigido, ostenta bom comportamento carcerário. Informa que o paciente atualmente está usufruindo de livramento condicional desde o dia 13/1/2024, tendo, inclusive, retornado ao antigo emprego. Argumenta que o acórdão estadual teria adotado fundamentação genérica, pois considerou, tão somente, a gravidade abstrata dos delitos e a quantidade de pena a ser cumprida, sem, contudo, indicar elementos concretos aptos a justificar a negativa do benefício. Requer, liminarmente e no mérito, seja concedida a ordem para cassar o acórdão impugnado, determinando a manutenção do paciente no gozo do livramento condicional e a expedição do contramandado de prisão. Subsidiariamente, solicita "que outra decisão seja proferida declinando-se fatos concretos e atuais da execução penal" (fl. 11). Indeferida a liminar e prestadas as informações, o Ministério Público Federal, em parecer, opinou pela concessão parcial da ordem (fls. 106-110). É o relatório. Decido. A controvérsia diz respeito ao preenchimento do requisito subjetivo necessário à concessão do livramento condicional. O Juízo da Execução Criminal deferiu ao apenado o pedido de livramento condicional, aduzindo o seguinte (fls. 33-35, destaque acrescido): O pedido de livramento é procedente. O requisito temporal foi cumprido, conforme cálculo de liquidação de penas e há notícia nos autos de boa conduta carcerária atual e inexistência de falta disciplinar recente. Além disso, o "boletim informativo" não foi impugnado pelo Ministério Público. .. De outra banda, sem argumentos concretos autorizantes de um Juízo objetivo de necessidade, não se sustenta eventual submissão do reeducando a exame criminológico, eis que não bastam alegações subjetivas amparadas somente na gravidade abstrata do delito e no tempo de prisão a cumprir. E, por fim, a gravidade abstrata do delito e total de pena aplicada, igualmente não são fatores a impedir a concessão da progressão de regime prisional e sequer do livramento condicional. Desta forma, mostra-se evidente que a concessão do benefício será estímulo a sua recuperação. Ressalta-se que os requisitos previstos no artigo 131, da LEP c. c. o artigo 83 do Código Penal foram preenchidos. Não há notícias de prisão cautelar por outro processo. Assim, não vejo argumentos para o indeferimento do pleito. Por sua vez, o Tribunal de origem deu provimento ao agravo em execução interposto pelo Ministério Público Estadual, cassando o deferimento do benefício nos seguintes termos (fls. 66-69, destaque acrescido): A Lei nº 13.964/2019, embora tenha inserido, no art. 83, do CP, como um dos requisitos para a obtenção do livramento condicional, o não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses, tal disposição não implicou dizer que, decorrido tal lapso, haveria de se reconhecer, obrigatoriamente, a conduta do sentenciado como sendo boa, já que tal requisito continua a existir, agora em seu inciso III, alínea a. Deveras, tal previsão apenas procurou afastar, quando verificada a ocorrência de falta grave no interregno de 12 meses, a possibilidade de concessão do benefício. Nada impediu, portanto, que outros elementos viessem a influir na aferição do comportamento da conduta carcerária do sentenciado. Outrossim, no presente caso, são muitos os fatos que desabonam a conduta do sentenciado ao longo de sua execução e que demonstram a não assimilação da terapêutica penal. Ora, do supracitado boletim informativo, extrai-se que o ora agravado, reincidente, já cumpriu penas por 05 delitos de embriag uez ao volante e estelionato e, atualmente, cumpre penas que somam 04 anos, 04 meses e 20 dias de reclusão, pela prática de lesão corporal, lesão corporal na direção de veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou outra substância psicoativa e resultou lesão corporal de natureza grave ou gravíssima e, mais uma vez, embriaguez ao volante (fls. 24/28). Todas as vezes em que beneficiado com a liberdade, tornou a delinquir. Tais fatos não podem ser ignorados, porquanto revelem que o sentenciado não teve comprometimento com a reabilitação, objetivo da execução penal, o que corrobora a necessidade de uma análise mais acurada de seu mérito para a obtenção de benefícios. Vale lembrar que, no curso da execução de penas, prevalece o princípio do in dubio pro societate; caso contrário, a vida em sociedade representaria um "laboratório" para testar a recuperação do preso. E por todo já discorrido, resta evidenciado que o sentenciado não reúne mérito suficiente para a obtenção do benefício em pauta. De fato, para aferir o requisito subjetivo, o Juiz precisa de elementos que indiquem o merecimento do reeducando, que forneçam a certeza de que aquele interno está apto para retornar ao convívio social, o que não restou evidenciado no caso em comento. Principalmente em casos como o dos autos, em que o agravado encontra-se em cumprimento, como adiantado, de penas por delitos gravíssimos, reiterados, muitas vezes cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, necessária se faz a análise mais aprofundada no tocante à concessão de qualquer benesse, sendo certo que o benefício ora pretendido exige enorme senso de responsabilidade. .. Além do mais, de acordo com o boletim informativo já mencionado, o sentenciado foi recentemente promovido ao regime semiaberto, sendo interessante observá-lo por mais tempo na semiliberdade para aferir se ele possui mérito para ser agraciado com a última etapa do cumprimento de pena. .. Por todos esses motivos, inviável a concessão do livramento condicional em favor do agrado, dada a ausência de requisito subjetivo. Como visto, o livramento condicional foi cassado por acórdão devidamente fundamentado, valendo-se de elementos concretos, relacionados ao histórico prisional desfavorável do paciente. Não há, portanto, ilegalidade no indeferimento do benefício. No caso em análise, o Tribunal estadual reputou ausente o requisito subjetivo, ao entendimento de que, quando anteriormente beneficiado com o livramento condicional, tornou a delinquir. Convém destacar que, embora o sentenciado apresente bom comportamento carcerário (fl. 14), isso não implica automaticamente aptidão para o convívio social e, tampouco, vincula o julgador à concessão do benefício, devendo ser sopesadas todas as demais particularidades fáticas. Ademais, o magistrado, ao intuito de formar o seu livre convencimento, pode avaliar o cumprimento do requisito subjetivo para a concessão dos benefícios executórios, considerando outros elementos do cas o concreto e os fatos ocorridos ao longo da execução da pena. Na esteira desse entendimento vale citar os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS . EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL INDEFERIDO. REQUISITO SUBJETIVO NÃO IMPLEMENTADO. FALTA GRAVE COMETIDA HÁ MAIS DE 12 MESES. NOVO DELITO COMETIDO EM 2/4/2021. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO DO REQUISITO SUBJETIVO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. .. 2. Embora o paciente tenha cumprido o requisito temporal para o livramento condicional, é sabido que o magistrado define sua convicção pela livre apreciação da prova, analisando os critérios subjetivos, in casu, diante do histórico prisional desfavorável do apenado. 3. É cediço que o "atestado de boa conduta carcerária não assegura o livramento condicional ou a progressão de regime ao apenado que cumpriu o requisito temporal, pois o Juiz não é mero órgão chancelador de documentos administrativos e pode, com lastros em dados concretos, fundamentar sua dúvida quanto ao bom comportamento durante a execução da pena" (AgRg no HC n. 572.409/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 2/6/2020, DJe de 10/6/2020). 4. Ademais, a circunstância de o paciente já haver se reabilitado, pela passagem do tempo, desde o cometimento da falta, não impede que se invoque o histórico de infrações praticadas no curso da execução penal, como indicativo de mau comportamento carcerário (AgRg no HC n. 684.918/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 20/8/2021). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 807.274/AL, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO PARA O REGIME SEMIABERTO. REQUISITO SUBJETIVO NÃO PREENCHIDO. EXAME CRIMINOLÓGICO QUE NÃO VINCULA O MAGISTRADO. EXAME APROFUNDADO DE PROVA. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que, ainda que haja atestado de boa conduta carcerária, a análise desfavorável do mérito do condenado feita pelo Juízo das execuções, ou mesmo pelo Tribunal de origem, com base nas peculiaridades do caso concreto e levando em consideração fatos ocorridos durante a execução penal, justificaria o indeferimento do pleito de progressão de regime prisional pelo inadimplemento do requisito subjetivo. 2. Na hipótese, as instâncias ordinárias fundamentaram de forma idônea o não preenchimento do requisito subjetivo. O histórico prisional conturbado, com registro de faltas graves, inclusive consistentes em fugas e abandono do regime semiaberto, indica a necessidade de maior cautela no caso concreto, tendo em vista o diminuto senso de responsabilidade do apenado. .. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 818.659/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 16/8/2023.) Ante o exposto, denego o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. PRISÃO _______. ORDEM DENEGADA.