HC 924193 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o apenado, em regime fechado, apresentou histórico de faltas disciplinares graves (incluindo três faltas graves) que impede o reconhecimento do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional, nos termos da tese do Tema Repetitivo n. 1.161 que exige...
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- Parties
- Agravante: IAGO DOS SANTOS FERREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Faltas Disciplinares, Requisito Subjetivo, Tema Repetitivo N. 1.161
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Parties
IAGO DOS SANTOS FERREIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento
Legal Issues
- 1 valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional
- 2 alcance do período de 12 meses previsto no art. 83, III, alínea 'b', do Código Penal
- 3 efeito de faltas graves no pedido de livramento condicional
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o apenado, em regime fechado, apresentou histórico de faltas disciplinares graves (incluindo três faltas graves) que impede o reconhecimento do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional, nos termos da tese do Tema Repetitivo n. 1.161 que exige valoração de todo o histórico prisional.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Agravo regimental não provido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 24/09/2024 a 30/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. APENADO DO REGIME FECHADO. PEDIDO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL. HISTÓRICO DE FALTAS GRAVES. NÃO PREENCHIMENTO DO REQUISITO SUBJETIVO. TEMA REPETITIVO N. 1.161. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O apenado do regime fechado não preenche o requisito subjetivo para a antecipação direta de liberdade, em livramento condicional, ante o histórico de faltas disciplinares. 2. Segundo a tese jurídica fixada no Tema Repetitivo n. 1.161: "a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal" (REsp n. 1.970.217/MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe 1º/6/2023). 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO IAGO DOS SANTOS FERREIRA agrava da decisão de fls. 95-97. O insurgente reitera o pedido de livramento condicional, pois, a seu ver, não é necessário o bom comportamento carcerário durante toda a execução penal para o deferimento do benefício, sendo suficiente a inexistência de falta grave nos últimos 12 meses. Para a parte, a prática de três faltas graves não revela histórico prisional conturbado e não é possível analisar o requisito subjetivo do livramento condicional dando ênfase apenas aos aspectos negativos do cumprimento da pena. Requer, por isso, a concessão da ordem pelo colegiado. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. APENADO DO REGIME FECHADO. PEDIDO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL. HISTÓRICO DE FALTAS GRAVES. NÃO PREENCHIMENTO DO REQUISITO SUBJETIVO. TEMA REPETITIVO N. 1.161. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O apenado do regime fechado não preenche o requisito subjetivo para a antecipação direta de liberdade, em livramento condicional, ante o histórico de faltas disciplinares. 2. Segundo a tese jurídica fixada no Tema Repetitivo n. 1.161: "a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal" (REsp n. 1.970.217/MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe 1º/6/2023). 3. Agravo regimental não provido. VOTO Mantenho a decisão agravada e faço referência aos seus fundamentos para a negativa do regimental, para evitar repetições. O apenado do regime fechado (fl. 73), com término de execução previsto para 3/9/2037, não preenche o requisito subjetivo para a antecipação direta de liberdade, em livramento condicional, ante o histórico de faltas disciplinares graves. Depreende-se dos autos que o benefício foi indeferido porquanto o reeducando praticou "faltas graves consistentes em descumprimento de condição imposta ao cumprimento de pena em regime aberto, e três crimes dolosos (dois crimes de receptação e tráfico de drogas) no curso da execução, sempre quando beneficiado com incidentes" (fl. 63). Segundo a tese jurídica fixada no Tema Repetitivo n. 1.161: "a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal" (REsp n. 1.970.217/MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe 1º/6/2023). Além da previsão objetiva de não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses, a legislação também estabelece requisito subjetivo mais rigoroso para o livramento condicional, fase mais benéfica da execução e que não pressupõe a passagem pelos regimes semiaberto e aberto. A exigência é proporcional à amplitude do benefício. Para alcançar a liberdade antecipada é imprescindível cumprir determinadas exigências, uma delas o bom comportamento durante a execução da pena. Veja-se, na guia penal, o registro de homologação da última falta grave praticada em 8/2/2022. Seria inconsistente permitir que um reeducando com histórico de faltas disciplinares obtenha a antecipação de liberdade quando nem sequer preenche os requisitos para ser transferido aos regimes mais brandos, semiaberto ou aberto, principalmente quando considerado o objetivo da execução, de reintegração gradual e segura ao convívio social, de maneira a minimizar o risco de reincidência criminal. À vista do exposto, nego provimento ao regimental.