HC 950003 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por ser, em sua natureza, substitutivo de recurso próprio; no exame de mérito não se identificou flagrante ilegalidade, pois no caso concreto houve interrupção da continuidade da primeira prisão (período de liberdade entre 09/06/2017 e 01/07/2021), de modo que a data da última...
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- Parties
- Paciente: SEBASTIÃO BARBOSA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Data Base Para Benefícios, Unificação De Penas, Falta Grave, Retificação De Cálculos
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
SEBASTIÃO BARBOSA DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Qual a data-base para obtenção do livramento condicional (primeira prisão ou última prisão)
- 2 Aplicabilidade da Súmula 441/STJ sobre falta grave e contagem para livramento condicional
- 3 Efeito da prática de novo crime/unificação de penas sobre a contagem do prazo para benefícios
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por ser, em sua natureza, substitutivo de recurso próprio; no exame de mérito não se identificou flagrante ilegalidade, pois no caso concreto houve interrupção da continuidade da primeira prisão (período de liberdade entre 09/06/2017 e 01/07/2021), de modo que a data da última prisão constitui termo a quo adequado para efeitos de concessão de benefícios, razão pela qual não se prestou a concessão da ordem.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido de liminar, impetrado em benefício de SEBASTIÃO BARBOSA DA SILVA , impugnando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento do agravo em execução n. 0002247-09.2024.8.26.0520. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais indeferiu o pedido de retificação de cálculos, considerando como data base para obtenção do Livramento condicional o dia da prisão em flagrante do novo fato delituoso - 1º/7/2021 (e-STJ, fls. 40 e 33). Contra a decisão, a defesa interpôs agravo em execução, perante a Corte de origem, o qual negou provimento ao recurso, recebendo o acórdão a seguinte ementa (e-STJ, fl. 62): AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. Decisão pela qual foi indeferido o pedido de retificação do cálculo de penas. Novo delito cometido pelo agravante. Não aplicação da Súmula 441 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Prática de novo crime a implicar interrupção da própria execução. Adoção de marco interruptivo para obtenção do livramento condicional. Unificação das penas e data-base para aquisição do benefício. Data da última prisão do sentenciado que deve ser adotada como termo inicial para fim de progressão de regime, como corretamente considerou o magistrado de origem. RECURSO DESPROVIDO. Nesta impetração, a defesa alega que o cálculo de penas se encontra equivocado ao utilizar como data-base para obtenção do livramento condicional o dia da falta grave cometida pelo sentenciado. Lembra a Súmula de n. 441 deste Colendo Superior Tribunal de Justiça, que assim dispôs: "a falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional". Acrescenta que com a alteração trazida pela Lei n. 13.964/2019, que acrescentou o §6º ao artigo 112 da LEP, esta questão restou legalizada, ou seja, somente no caso da progressão de regime, a prática de falta grave interrompe a contagem de lapso temporal, vedada em direito penal a interpretação extensiva ou analogia in malam partem. Diante disso, requer seja considerada como data-base para fins de obtenção do livramento condicional a data da primeira prisão. É o relatório. Decido. As disposições previstas nos arts. 64, III, e 202 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, ou a contraria (AgRg no HC n. 513.993/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe 1º/7/2019; AgRg no HC n. 475.293/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 3/12/2018; AgRg no HC n. 499.838/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC n. 426.703/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018; e AgRg no RHC n. 37.622/RN, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido ( EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). No que concerne ao conhecimento da impetração, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados, exemplificativos dessa nova orientação das Cortes Superiores do País: HC n. 320.818/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 21/5/2015, DJe 27/5/2015; e STF, HC n. 113.890/SC, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, julg. em 3/12/2013, DJ 28/2/2014. Assim, de início, incabível o presente habeas corpus substitutivo de recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, passa-se ao exame da insurgência para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Data base para livramento condicional O tribunal concordou com a decisão primeva, fundamentando que a data base para a concessão do Livramento deve ser a data da última prisão do paciente, não devendo ser aplicada a súmula 441 do STJ (e-STJ, fls. 63/67): O agravo não comporta provimento. O artigo 111, parágrafo único, da Lei nº 7.210/84, dispõe que: .. Sucede que o sentenciado cometeu novo delito, tendo sido preso em flagrante em 02.07.2021. .. A unificação das penas por condenação superveniente implica o reinício da contagem do lapso temporal para a concessão do benefício do livramento condicional, consoante entendimento emanado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça: .. Assim, sobrevindo nova condenação ao agravante no curso da execução da pena deve ser interrompida a contagem do prazo para a concessão de benefícios, inclusive para o livramento condicional. Isso porque se para a prática de mera falta grave se opera o efeito de interrupção da contagem do prazo para obtenção de benefícios, com mais razão tal aplicação no caso da prática de fato criminoso, não sendo o caso de adotar o entendimento previsto na Súmula nº 441 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (não vinculante), destinada aos casos de faltas graves meramente administrativas e, portanto, inaplicável à hipótese dos autos na qual fora cometido crime doloso durante o cumprimento de penas, também falta grave, mas de maior envergadura. .. Diante de tais considerações, não há que se falar em novo cálculo de pena, mantido como termo inicial para fins de progressão de regime a data da última prisão do agravante, qual seja, 02.07.21. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Embora correta a data base estipulada pelas instância de origem, ouso divergir dos fundamentos adotados por ela. O entendimento desta corte é que deve ser respeitada a súmula 441 do STJ, ainda que não seja vinculante, porquanto o livramento condicional não é regime de pena, e com isso, tem regras diferenciadas. Preceitua a súmula 441 do STJ que a falta grave não interrompe o prazo para obtenção do Livramento condicional. Assim, em regra, a data base a ser considerada para a concessão de livramento condicional é a data da primeira prisão do executado. Nesse sentido: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. CONDENAÇÃO ANTERIOR EXTINTA POR CUMPRIMENTO INTEGRAL ENQUANTO O AGRAVADO ESTAVA PRESO PREVENTIVAMENTE. NOVA SENTENÇA CONDENATÓRIA. ALTERAÇÃO DA DATA-BASE PARA BENEFÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO PARA FINS DE PROGRESSÃO DE REGIME. DATA DA PRIMEIRA PRISÃO PARA FINS DE LIVRAMENTO CONDICIONAL, COMUTAÇÃO E INDULTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do precedente firmado no julgamento do Recurso Especial n. 1.557.461/SC, de relatoria do Ministro Rogerio Schietti Cruz, a superveniência do trânsito em julgado da sentença penal condenatória não serve de marco inicial para a concessão de novos benefícios na execução, não podendo, assim, ser desconsiderado o período de cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado após e já apontado como falta grave. 2. "A execução da pena não se inicia apenas com a superveniência do título judicial exequível. Já se admite a execução provisória nas hipóteses de existência de prisão cautelar e, atualmente, quando há a confirmação da condenação pelo Tribunal de Justiça/Tribunal Regional e não há prisão preventiva" (HC n. 381.248/MG, relator para o acórdão o Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Terceira Seção, DJe de 3/4/2018). 3. No presente caso, o agravado cumpria pena em regime aberto quando foi preso preventivamente em 7/3/2018. A reprimenda da condenação anterior foi extinta pelo integral cumprimento em 21/3/2019. Contudo, ele permaneceu custodiado preventivamente, não se sustentando a tese ministerial de que a superveniência do trânsito em julgado da nova sentença condenatória deve ser o termo inicial para eventuais benefícios da execução. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 667.552/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022.) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. UNIFICAÇÃO DE PENAS. DATA-BASE PARA CONCESSÃO DE NOVOS BENEFÍCIOS. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO. NOVO ENTENDIMENTO DESTA CORTE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal - STF, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. 2. A Terceira Seção deste Tribunal Superior, em recente julgado (REsp 1.557.461, Rel. Ministro ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, DJe 15/3/2018), alterou seu entendimento para estabelecer que a unificação das penas, por si só, não altera a data-base para concessão de novos benefícios, devendo ser considerada a data da última prisão ou a data da última infração disciplinar. 3. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para fixar a data da última prisão ou da última falta grave homologada como termo a quo para futuros benefícios da execução, exceto livramento condicional, indulto e comutação, que terão como termo inicial a primeira prisão. (HC n. 520.096/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19/9/2019, DJe de 26/9/2019.) No caso, entretanto, verifico que o executado iniciou o cumprimento da pena em 8/06/2017, data em que foi preso em flagrante, referente ao processo n. 0007176-74.2020.8.26.0278, tendo sido solto no dia 9/06/2017. Em 1º/07/2021, foi preso novamente em flagrante, depois preventivamente no dia 2/07/2021, referente ao processo n. 5006225-67.2021.4.03.611 (e-STJ, fls. 34/35). Desse modo, como depois da primeira prisão do paciente, ele foi solto logo depois de 1 dia, em 9/06/2017, ficando em liberdade provisória até ser preso novamente por novo crime em 1/07/2021, deve esta data ser considerada como novo marco para concessão do livramento, tendo em vista a ausência de continuidade da primeira prisão, sob pena de contabilizar como tempo efetivo de pena período no qual o executado esteve solto. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL. DATA-BASE. DIA DA PRIMEIRA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. MARCO INICIAL. DATA DA PRISÃO PARA O INÍCIO DO CUMPRIMENTO DA PENA. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM SINTONIA COM PRECEDENTES DESTA CORTE. RECURSO NÃO PROVIDO. De acordo com reiterada jurisprudência desta Corte Superior, havendo uma única condenação a pena privativa de liberdade e tendo o sentenciado permanecido solto durante o curso do processo, o período em que esteve preso preventivamente deve ser considerado tão somente para fins de detração penal, devendo-se considerar para fins de progressão de regime e livramento condicional a data da prisão para o início de cumprimento da pena. Agravo Regimental não provido. (AgRg no HC n. 765.564/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL. RETIFICAÇÃO DA DATA-BASE. DIA DA PRIMEIRA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA JÁ USADO NA DETRAÇÃO. MARCO INICIAL. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO. INÍCIO DO EFETIVO CUMPRIMENTO DA PENA. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM SINTONIA COM OS PRECEDENTES DESTA CORTE. RAZÕES QUE NÃO INFIRMARAM OS FUNDAMENTOS DO DECISUM ATACADO. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 743.554/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 12/12/2022.) O período anterior em que ele esteve preso, de 8/6/2017 a 9/6/2017 (1 dia), conforme os precedentes acima, deve ser contabilizado para fins apenas de detração penal, se ainda não efetuado pelo Juízo da execução. Assim, não ficou configurada flagrante ilegalidade. Ante o exposto, com amparo no art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus. Intimem-se. EMENTA