HC 960527 - DECISAO
Indeferimento liminar por deficiência de instrução do habeas corpus: o impetrante não juntou peças processuais indispensáveis (notadamente o inteiro teor do acórdão do TRF4), de modo que não há prova pré-constituída do alegado constrangimento ilegal, razão pela qual se indefere a liminar com fundamento no art. 210...
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- Parties
- Paciente: JEFFERSON DIEGO ALVES DE ANDRADE; Agravante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por deficiência de instrução.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Monitoramento Eletrônico, Habeas Corpus, Prova Pré Constituída, Reinstalação De Tornozeleira Eletrônica
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Parties
JEFFERSON DIEGO ALVES DE ANDRADE
Paciente
Ministério Público Federal
Agravante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 possibilidade de imposição de monitoramento eletrônico em livramento condicional
- 2 exigência de prova pré-constituída em habeas corpus
- 3 instrução deficiente por ausência de peças processuais indispensáveis (inteiro teor do acórdão)
Ratio Decidendi
Indeferimento liminar por deficiência de instrução do habeas corpus: o impetrante não juntou peças processuais indispensáveis (notadamente o inteiro teor do acórdão do TRF4), de modo que não há prova pré-constituída do alegado constrangimento ilegal, razão pela qual se indefere a liminar com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ e na jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Liminar indeferida; habeas corpus não conhecido por deficiência de instrução.
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus com base no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de JEFFERSON DIEGO ALVES DE ANDRADE contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento do Agravo em Execução Penal n. 9000993-41.2024.4.04.7002/PR. Narra o impetrante que foi concedido ao paciente o livramento condicional, sem necessidade de monitoramento eletrônico, tendo o Ministério Público interposto agravo em execução penal junto ao TRF 4ª Região. Aduz, ainda, que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ao julgar agravo interposto pelo Ministério Público Federal, determinou a reinstalação da tornozeleira eletrônica, decisão que prejudica diretamente a dignidade e a liberdade do paciente. Atualmente, o paciente trabalha na região de fronteira, e o uso do monitoramento comprometeria sua locomoção e suas atividades laborais, que são a única fonte de sustento de sua família (e-STJ fl. 4). Na presente impetração, a defesa sustenta que A imposição de monitoramento eletrônico no presente caso configura evidente constrangimento ilegal, diante da ausência de fundamentos concretos que justifiquem tal medida (e-STJ fl. 5). Alega que O paciente vem cumprindo rigorosamente todas as condições impostas no livramento condicional, demonstrando total comprometimento com sua ressocialização (e-STJ fl. 5). Por fim, argumenta que Conforme o artigo 146-B da Lei de Execução Penal, o monitoramento eletrônico é medida excepcional, aplicável somente quando houver necessidade concreta e devidamente fundamentada, ou que não ocorra no presente caso (e-STJ fl. 5). Requer, liminarmente, sejam suspensos os efeitos do acórdão que determinou a reinstalação do monitoramento eletrônico, até o julgamento definitivo do presente writ e, no mérito, seja concedida a ordem para que o paciente permaneça em regime aberto sem a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica (e-STJ fl. 6). É o relatório. Decido. Como se sabe, o rito do habeas corpus, em razão da necessária celeridade, pressupõe a apresentação de prova pré-constituída do direito alegado, sob pena de não conhecimento da ordem. No caso concreto, não foram juntadas cópias de peças processuais indispensáveis à compreensão da controvérsia, notadamente o inteiro teor do acórdão que julgou o agravo em execução interposto pelo Ministério Público. Diante desse contexto, impossível a exata compreensão da controvérsia sem as peças essenciais ao seu conhecimento. De se lembrar que incumbe ao impetrante o dever de demonstrar, de maneira inequívoca, por meio de documentos, a existência do constrangimento ilegal imposto ao paciente, situação que não ocorre na espécie, ensejando o não conhecimento do writ. Nesse sentido, confiram-se os precedentes desta Corte: EXECUÇÃO PENAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PROGRESSÃO DE REGIME. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DA DECISÃO DE DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO PELO JUÍZO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há previsão legal de pedido de reconsideração, motivo pelo qual, em homenagem ao princípio da fungibilidade, recebe-se a presente petição como agravo regimental. 2. Na hipótese, não foram juntadas cópias de peças processuais indispensáveis à compreensão da controvérsia, notadamente a decisão do Juízo da primeira instância que deferiu o pedido de progressão ao paciente. Caracterizada a deficiência de instrução. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido. (PET no HC n. 941.704/SP, DE MINHA RELATORIA, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINARMENTE O RECURSO. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS E LAVAGEM DE CAPITAIS. PRISÃO PREVENTIVA. RECORRER EM LIBERDADE. FUNDAMENTAÇÃO. SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. AUSÊNCIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. APRECIAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA NEGATIVA DE RECORRER EM LIBERDADE. INVIABILIDADE. 1. "Cabe apenas ao Julgador, verdadeiro destinatário das provas, a verificação de quais documentos entende como imprescindíveis para a análise das controvérsias suscitadas. Sendo, no caso, constatada a ausência de peças necessárias para a verificação do constrangimento alegado, correta a decisão que entendeu pela instrução deficitária do recurso ordinário em habeas corpus" (AgRg no RHC n. 100.336/RS, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 3/9/2019, DJe 16/9/2019). 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC 132.359/RJ, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 08/09/2020, DJe 14/09/2020) HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. IRREGULARIDADE DA PRISÃO EM FLAGRANTE. WRIT DEFICITARIAMENTE INSTRUÍDO. NÃO CONHECIMENTO. PRISÃO PREVENTIVA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA PELOS MESMOS FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. QUANTIDADE DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE APREENDIDA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. INSUFICIÊNCIA, NO CASO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. 1. O habeas corpus encontra-se deficitariamente instruído, não havendo como esclarecer, exatamente, em qual situação se deu a prisão em flagrante do Paciente, o que impede, no caso, a compreensão da controvérsia. Conforme o entendimento já consolidado nesta Corte, o procedimento do habeas corpus não permite a dilação probatória, exigindo prova pré-constituída das alegações, sendo ônus do impetrante trazê-la no momento da impetração. Precedentes. (..) 6. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nessa extensão, denegada a ordem. (HC 479.238/MS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 15/10/2019, DJe 25/10/2019) No mesmo sentido, esta Corte assentou que, "em sede de habeas corpus, a prova deve ser pré-constituída e incontroversa, cabendo ao impetrante apresentar documentos suficientes à análise de eventual ilegali dade flagrante no ato atacado" (AgRg no HC n. 549.417/SC, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 10/12/2019, DJe 17/12/2019). Ante o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Intimem-se. EMENTA