HC 932229 - DECISAO
Por aplicação da Súmula 441/STJ e do entendimento consolidado desta Corte, a caracterização de falta grave não interrompe o prazo para aquisição do livramento condicional; por isso afasta-se a interrupção do lapso temporal para o livramento condicional no caso concreto.
Source-derived case information.
- Parties
- Impetrante: NAPOLEÃO FERREIRA SOUZA NETO; Órgão De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Concessão Da Ordem/decisão Interlocutória Final
- Outcome
- Ordem concedida para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Falta Grave, Interrupção De Prazo, Progressão De Regime, Súmula 441/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NAPOLEÃO FERREIRA SOUZA NETO
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão De Origem
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Concessão Da Ordem/decisão Interlocutória Final
Legal Issues
- 1 Se a prática de nova condenação ou falta grave no curso da execução interrompe o prazo para aquisição do livramento condicional
- 2 Distinção entre efeitos da falta grave sobre diversos benefícios (progressão de regime, livramento condicional, comutação, indulto)
Ratio Decidendi
Por aplicação da Súmula 441/STJ e do entendimento consolidado desta Corte, a caracterização de falta grave não interrompe o prazo para aquisição do livramento condicional; por isso afasta-se a interrupção do lapso temporal para o livramento condicional no caso concreto.
Court Disposition
Ordem concedida para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
Orders
- Afaste-se a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional.
- Publique-se e intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO NAPOLEÃO FERREIRA SOUZA NETO alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no Agravo em Execução n. 0002138-92.2024.8.26.0000, em que foi mantida a interrupção do lapso para o livramento condicional. A defesa busca a retificação do cálculo de penas, ao argumento, em síntese, de que a prática de novo crime no curso da execução não seria causa interruptiva do lapso temporal paro o livramento condicional. Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ. Decido. Na hipótese, a Corte de origem entendeu que "a superveniência de nova condenação no curso da execução provoca o reinício da contagem dos prazos permissivos de novos benefícios, conforme determina o artigo 118, incisos I e II, da Lei nº 7.210/84" (fl. 69). A esse respeito, é imperioso destacar que a Lei de Execução Penal estipula como um dos seus vetores o mérito do apenado, cuja avaliação realizar-se-á a partir do cumprimento de seus deveres (art. 39), da disciplina praticada dentro do estabelecimento prisional (art. 44) e, por óbvio, do comportamento observado quando em gozo dos benefícios previstos na aludida norma de regência, quais sejam, o trabalho externo (arts. 36 a 37), as saídas temporárias (arts. 122 a 125), o livramento condicional (art. 131), a progressão de regime (art. 112), a anistia e o indulto (arts. 187 a 193). Inserido nesse escopo, a configuração da falta de natureza grave enseja vários efeitos (LEP, art. 48, parágrafo único), entre eles: a possibilidade de colocação do sentenciado em regime disciplinar diferenciado (LEP, art. 56); a interrupção do lapso para a aquisição de outros instrumentos ressocializantes, como, por exemplo, a progressão para regime menos gravoso (LEP, art. 112); a regressão no caso do cumprimento da pena em regime diverso do fechado (LEP, art. 118), além da revogação em até 1/3 do tempo remido (LEP, art. 127). Diferentemente, a caracterização da falta grave não interrompe a fluência do prazo para a obtenção de livramento condicional, consoante disciplina a Súmula n. 441 do STJ. A temática já foi enfrentada pela Terceira Seção desta colenda Corte Nacional, que, ao julgar os EREsp n. 1.176.486/SP, sedimentou a orientação de que a prática de falta grave resulta em novo marco interruptivo para concessão de novos benefícios, exceto indulto, comutação e livramento condicional, consoante estampa a ementa abaixo transcrita: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. FALTA DISCIPLINAR GRAVE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS, ENTRE ELES A PROGRESSÃO DE REGIME, EXCETO LIVRAMENTO CONDICIONAL E COMUTAÇÃO DAS PENAS. PRECEDENTES DO STJ E STF. EMBARGOS PROVIDOS PARA ASSENTAR QUE A PRÁTICA DE FALTA GRAVE REPRESENTA MARCO INTERRUPTIVO PARA OBTENÇÃO DE PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL. 1. O cometimento de falta grave pelo sentenciado no curso da execução da pena, nos termos do art. 127 da Lei 7.210/84, implica a perda integral dos dias remidos pelo trabalho, além de nova fixação da data-base para concessão de benefícios, exceto livramento condicional e comutação da pena; se assim não fosse, ao custodiado em regime fechado que comete falta grave não se aplicaria sanção em decorrência dessa, o que seria um estímulo ao cometimento de infrações no decorrer da execução. 2. Referido entendimento não traduz ofensa aos princípios do direito adquirido, da coisa julgada, da individualização da pena ou da dignidade da pessoa humana. Precedentes do STF e do STJ. 3. Para reforçar esse posicionamento, foi editada a Súmula Vinculante 09/STF, segundo a qual o disposto no artigo 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58. 4. Entender de forma diversa, como bem asseverou o eminente Ministro CARLOS AYRES BRITTO, quando do julgamento do HC 85.141/SP, implicaria tornar despidas de sanção as hipóteses de faltas graves cometidas por sentenciados que já estivessem cumprindo a pena em regime fechado. De modo que não seria possível a regressão no regime (sabido que o fechado já é o mais severo) nem seria reiniciada a contagem do prazo de 1/6. Conduzindo ao absurdo de o condenado, imediatamente após sua recaptura, tornar a pleitear a progressão prisional com apoio em um suposto bom comportamento (DJU 12.05.2006). 5. Embargos providos para assentar que a prática de falta grave representa marco interruptivo para obtenção de progressão de regime prisional. (EREsp n. 1.176.486/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia, 3 S., DJe 1/6/2012) Cumpre ressaltar que a Terceira Seção do STJ, no julgamento do REsp representativo de controvérsia n. 1.364.192/RS, em sessão de julgamento realizada no dia 12/2/2014, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso especial para, em razão da prática de falta grave, considerar interrompido o prazo tão somente para a progressão de regime (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 3ª S., DJe 17/9/2014). Portanto, a caracterização da falta grave não interrompe a fluência do prazo para a obtenção do livramento condicional, entendimento também sintetizado no enunciado da Súmula n. 441 desta Corte Superior de Justiça. À vista do exposto, com fulcro no art. 34, XX, do RISTJ, concedo a ordem para afastar a interrupção do lapso para aquisição do livramento condicional. Publique-se e intime-se. EMENTA