HC 967235 - DECISAO
Concedo a ordem de ofício para considerar como data base para fins de livramento condicional o dia da primeira prisão do executado com continuidade (02/03/2018), determinando que o período anterior (22/03/2016 a 04/04/2016) seja computado apenas para fins de detração penal, por respeito à jurisprudência consolidada...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: MICHAEL DOUGLAS FERNANDES DA COSTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Ordem Concedida De Ofício (decisão Monocrática)
- Outcome
- ordem concedida de ofício para retificação da data-base do livramento condicional
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Data Base, Falta Grave, Progressão De Regime, Unificação De Penas, Detração Penal, Súmula 441/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MICHAEL DOUGLAS FERNANDES DA COSTA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Ordem Concedida De Ofício (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 se a prática de falta grave (inclusive novo delito) interrompe o lapso temporal para obtenção de livramento condicional
- 2 qual é a data-base para início da contagem para livramento condicional: data da primeira prisão com continuidade ou data da última prisão/unificação de penas
- 3 alcance da Lei 13.964/2019 (novo §6º do art.122 da LEP) em relação ao livramento condicional
Ratio Decidendi
Concedo a ordem de ofício para considerar como data base para fins de livramento condicional o dia da primeira prisão do executado com continuidade (02/03/2018), determinando que o período anterior (22/03/2016 a 04/04/2016) seja computado apenas para fins de detração penal, por respeito à jurisprudência consolidada do STJ (Súmula 441) e ao entendimento sobre data de início do cumprimento com continuidade.
Court Disposition
ordem concedida de ofício para retificação da data-base do livramento condicional
Orders
- Considerar como data base para fins de livramento condicional o dia 02/03/2018.
- Comunique-se, com urgência, ao juiz das execuções criminais e ao Tribunal de Justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido de liminar, impetrado em benefício de MICHAEL DOUGLAS FERNANDES DA COSTA, impugnando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento do agravo em execução n. 0003830-29.2024.8.26.0520. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais indeferiu o pedido de não interrupção do lapso temporal para obtenção de Livramento condicional em razão do novo delito praticado, mantendo como data base para a obtenção do benefício o dia da prisão pela prática do novo delito (e-STJ, fls. 21 e 20). Contra a decisão, a defesa interpôs agravo em execução, perante a Corte de origem, o qual negou provimento ao recurso, recebendo o acórdão a seguinte ementa (e-STJ, fl. 81): AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL Retificação de cálculo. Pleito defensivo de alteração da data-base, para fins de livramento condicional, para o dia da primeira prisão em observância à súmula nº 441 do colendo Superior Tribunal de Justiça. Não acolhimento. Prática de novo delito durante o cumprimento da reprimenda. Precedentes. A prática de novo delito enquanto em cumprimento de pena exige tratamento mais gravoso. Individualização da pena. Recurso desprovido. Nesta impetração, a defesa sustenta ser de entendimento pacificado neste colendo Superior Tribunal de Justiça de que "a falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional" (STJ, Súmula nº 441), devendo ser considerada para início da contagem do prazo do benefício a data da primeira prisão, e não a data do delito mais recente do paciente. Observa que se a reforma penal trazida pela Lei 13.964/19 estabeleceu a interrupção do lapso, em decorrência de falta grave, unicamente para a progressão de regime (novo § 6º do artigo 122 da LEP), não o fez em relação ao livramento condicional. Conclui, portanto, que a prática de falta grave, ainda que se trate da prática de novo delito, não interrompe o lapso temporal para livramento condicional. Diante disso, requer a retificação do cálculo para livramento condicional, nos termos da Súmula 441 deste Egrégio Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. As disposições previstas nos arts. 64, III, e 202 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, ou a contraria (AgRg no HC n. 513.993/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe 1º/7/2019; AgRg no HC n. 475.293/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 3/12/2018; AgRg no HC n. 499.838/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC n. 426.703/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018; e AgRg no RHC n. 37.622/RN, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido ( EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). No que concerne ao conhecimento da impetração, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados, exemplificativos dessa nova orientação das Cortes Superiores do País: HC n. 320.818/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 21/5/2015, DJe 27/5/2015; e STF, HC n. 113.890/SC, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, julg. em 3/12/2013, DJ 28/2/2014. Assim, de início, incabível o presente habeas corpus substitutivo de recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, passa-se ao exame da insurgência para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Data base para obtenção de livramento condicional O tribunal manteve como data base para obtenção de novo Livramento condicional o dia do cometimento do novo delito no decorrer da execução penal, qual seja, 3/02/2022 - e-STJ, fls. 83/86: Observa-se que, durante o cumprimento de pena pelos crimes de tráfico de drogas, o agravante, em 03.02.2022, foi preso em flagrante pela prática de novo delito (PEC nº 0004979-31.2022.8.26.0520), pelo qual se encontra definitivamente condenado (fls. 11/14). O Magistrado de primeiro grau, então, homologou cálculo de penas para efeitos não só de progressão de regime, mas também de concessão de benefícios prisionais, incluindo livramento condicional, indulto e comutação. Assim, considerou a interrupção e o consequente reinício da contagem, decorrente da última prisão do agravante, qual seja, 03.02.2022, diferenciando a prática de novo crime da prática de falta grave considerada como tanto apenas em âmbito administrativo. No âmbito desta Egrégia Terceira Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, houve pacificação do entendimento de que algumas espécies de faltas disciplinares possuem maior gravidade que outras, tais como fuga, abandono do estabelecimento prisional e cometimento de novo delito, porquanto além de caracterizarem ilícitos administrativos, configuram interrupção fática da execução, exigindo um tratamento mais gravoso, inclusive para fins de livramento condicional. .. Note-se que as Súmulas 441 e 535 do Superior Tribunal de Justiça não são desrespeitadas, pois a modificação do prazo para benefício decorre da nova condenação e da unificação das penas, não havendo mera interrupção de prazo em razão de falta grave, conforme por elas vedado. Assim, é de ser desprovido o agravo em execução penal, eis que, após a unificação das penas, a data da prisão pelo cometimento do último crime passa a ser considerada como termo inicial do cálculo para fins de concessão de todos os benefícios, inclusive livramento condicional, indulto e comutação de penas. Ante o exposto, nega-se provimento ao recurso, mantendo-se, na íntegra, a r. decisão de primeiro grau. Contudo, o entendimento da instância de origem diverge desta Corte, na qual os julgados são firmes no sentido de que o cometimento de falta grave no decorrer da execução penal, ainda que se trate de novo delito, como é o caso, não interrompe a data base para fins de Livramento condicional: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C DO CPC). PENAL. EXECUÇÃO. FALTA GRAVE. PROGRESSÃO DE REGIME. INTERRUPÇÃO. PRAZO. LIVRAMENTO CONDICIONAL. AUSÊNCIA DE EFEITO INTERRUPTIVO. COMUTAÇÃO E INDULTO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. DECRETO PRESIDENCIAL. 1. A prática de falta grave interrompe o prazo para a progressão de regime, acarretando a modificação da data-base e o início de nova contagem do lapso necessário para o preenchimento do requisito objetivo. 2. Em se tratando de livramento condicional, não ocorre a interrupção do prazo pela prática de falta grave. Aplicação da Súmula 441/STJ. 3. Também não é interrompido automaticamente o prazo pela falta grave no que diz respeito à comutação de pena ou indulto, mas a sua concessão deverá observar o cumprimento dos requisitos previstos no decreto presidencial pelo qual foram instituídos. 4. Recurso especial parcialmente provido para, em razão da prática de falta grave, considerar interrompido o prazo tão somente para a progressão de regime. (REsp n. 1.364.192/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 12/2/2014, DJe de 17/9/2014.) RECURSO ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. SUPERVENIÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. TERMO A QUO PARA CONCESSÃO DE NOVOS BENEFÍCIOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ALTERAÇÃO DA DATA-BASE. ACÓRDÃO MANTIDO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A superveniência de nova condenação no curso da execução penal enseja a unificação das reprimendas impostas ao reeducando. Caso o quantum obtido após o somatório torne incabível o regime atual, está o condenado sujeito a regressão a regime de cumprimento de pena mais gravoso, consoante inteligência dos arts. 111, parágrafo único, e 118, II, da Lei de Execução Penal. 2. A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da unificação das penas, não encontra respaldo legal. Portanto, a desconsideração do período de cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado depois e já apontado como falta disciplinar grave, configura excesso de execução. 3. Caso o crime cometido no curso da execução tenha sido registrado como infração disciplinar, seus efeitos já repercutiram no bojo do cumprimento da pena, pois, segundo a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, a prática de falta grave interrompe a data-base para concessão de novos benefícios executórios, à exceção do livramento condicional, da comutação de penas e do indulto. Portanto, a superveniência do trânsito em julgado da sentença condenatória não poderia servir de parâmetro para análise do mérito do apenado, sob pena de flagrante bis in idem. 4. O delito praticado antes do início da execução da pena não constitui parâmetro idôneo de avaliação do mérito do apenado, porquanto evento anterior ao início do resgate das reprimendas impostas não desmerece hodiernamente o comportamento do sentenciado. As condenações por fatos pretéritos não se prestam a macular a avaliação do comportamento do sentenciado, visto que estranhas ao processo de resgate da pena. 5. Recurso especial representativo da controvérsia não provido, assentando-se a seguinte tese: a unificação de penas não enseja a alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios. (ProAfR no REsp n. 1.753.512/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julgado em 18/12/2018, DJe de 11/3/2019.) RECURSO ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. SUPERVENIÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. TERMO A QUO PARA CONCESSÃO DE NOVOS BENEFÍCIOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ALTERAÇÃO DA DATA-BASE. ACÓRDÃO MANTIDO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A superveniência de nova condenação no curso da execução penal enseja a unificação das reprimendas impostas ao reeducando. Caso o quantum obtido após o somatório torne incabível o regime atual, está o condenado sujeito a regressão a regime de cumprimento de pena mais gravoso, consoante inteligência dos arts. 111, parágrafo único, e 118, II, da Lei de Execução Penal. 2. A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da unificação das penas, não encontra respaldo legal. Portanto, a desconsideração do período de cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado depois e já apontado como falta disciplinar grave, configura excesso de execução. 3. Caso o crime cometido no curso da execução tenha sido registrado como infração disciplinar, seus efeitos já repercutiram no bojo do cumprimento da pena, pois, segundo a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, a prática de falta grave interrompe a data-base para concessão de novos benefícios executórios, à exceção do livramento condicional, da comutação de penas e do indulto. Portanto, a superveniência do trânsito em julgado da sentença condenatória não poderia servir de parâmetro para análise do mérito do apenado, sob pena de flagrante bis in idem. 4. O delito praticado antes do início da execução da pena não constitui parâmetro idôneo de avaliação do mérito do apenado, porquanto evento anterior ao início do resgate das reprimendas impostas não desmerece hodiernamente o comportamento do sentenciado. As condenações por fatos pretéritos não se prestam a macular a avaliação do comportamento do sentenciado, visto que estranhas ao processo de resgate da pena. 5. Recurso especial representativo da controvérsia não provido, assentando-se a seguinte tese: a unificação de penas não enseja a alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios. (ProAfR no REsp n. 1.753.509/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julgado em 18/12/2018, DJe de 11/3/2019.) Portanto, em regra, deve ser respeitada a súmula 441 do STJ, porquanto o livramento condicional não é regime de pena, e com isso, tem regras diferenciadas. No caso, entretanto, verifico que o executado iniciou o cumprimento da pena em 22/03/2016, ficando preso até 4/4/2016, referente ao processo n. 0002957-68.2020.8.26.0520. Em 2/03/2018, foi preso novamente, ficando detido até 2/2/2022, referente ao processo n. 0020998-36.2018.8.26.0041; e depois, continuou preso por conta do processo n. 0004979-31.2022.8.26.0520, a que o caso se refere (e-STJ, fl. 19). Desse modo, como depois da primeira prisão do paciente, ele foi solto em menos de 1 mês depois, ficando em liberdade até ser preso novamente por novo crime em 2/3/2018 (prisão essa que teve continuidade até hoje), deve esta data ser considerada como novo marco para concessão do livramento, tendo em vista a ausência de continuidade da primeira prisão, sob pena de contabilizar como tempo efetivo de pena período no qual o executado esteve solto. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL. DATA-BASE. DIA DA PRIMEIRA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. MARCO INICIAL. DATA DA PRISÃO PARA O INÍCIO DO CUMPRIMENTO DA PENA. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM SINTONIA COM PRECEDENTES DESTA CORTE. RECURSO NÃO PROVIDO. De acordo com reiterada jurisprudência desta Corte Superior, havendo uma única condenação a pena privativa de liberdade e tendo o sentenciado permanecido solto durante o curso do processo, o período em que esteve preso preventivamente deve ser considerado tão somente para fins de detração penal, devendo-se considerar para fins de progressão de regime e livramento condicional a data da prisão para o início de cumprimento da pena. Agravo Regimental não provido. (AgRg no HC n. 765.564/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL. RETIFICAÇÃO DA DATA-BASE. DIA DA PRIMEIRA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA JÁ USADO NA DETRAÇÃO. MARCO INICIAL. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO. INÍCIO DO EFETIVO CUMPRIMENTO DA PENA. ACÓRDÃO IMPUGNADO EM SINTONIA COM OS PRECEDENTES DESTA CORTE. RAZÕES QUE NÃO INFIRMARAM OS FUNDAMENTOS DO DECISUM ATACADO. INCIDÊNCIA DO ENTENDIMENTO DA SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 743.554/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 12/12/2022.) O período anterior em que ele esteve preso, de 22/03/2016 a 04/04/2016, conforme os precedentes acima, deve ser contabilizado para fins apenas de detração penal, se ainda não efetuado pelo Juízo da execução. Assim, não ficou configurada flagrante ilegalidade. Ante o exposto, com amparo no art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus, mas concedo a ordem de ofício, para considerar como data base para fins de Livramento condicional o dia da primeira prisão do executado com continuidade, qual seja, dia 2/3/2018. Comunique-se a presente decisão, com urgência, ao juiz das execuções criminais e ao tribunal de justiça. Intimem-se. EMENTA