HC 1004245 - DECISAO
O habeas corpus foi liminarmente indeferido porque a matéria versada (indeferimento de livramento condicional) é própria da execução penal e deve ser submetida ao tribunal de origem por meio de agravo em execução; não houve demonstração de ilegalidade manifesta ou exaurimento da via recursal na instância de origem,...
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- Parties
- Paciente: SÔNIA QUINTELA VARGAS; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- indefiro liminarmente o habeas corpus
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Progressão De Regime, Agravo Em Execução, Cabimento Do Habeas Corpus, Súmula 691 STF
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
SÔNIA QUINTELA VARGAS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus para reexame de indeferimento de livramento condicional
- 2 necessidade de manejo de agravo em execução para matérias da execução penal
- 3 interpretação do art. 83 do Código Penal quanto aos requisitos do livramento condicional
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi liminarmente indeferido porque a matéria versada (indeferimento de livramento condicional) é própria da execução penal e deve ser submetida ao tribunal de origem por meio de agravo em execução; não houve demonstração de ilegalidade manifesta ou exaurimento da via recursal na instância de origem, motivo pelo qual não se conhece do writ, sendo indeferida a liminar com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
indefiro liminarmente o habeas corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus com fundamento no artigo 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em benefício de SÔNIA QUINTELA VARGAS, impugnando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento do HC n. 2112860-36.2025.8.26.0000. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais deferiu o pedido de progressão ao regime semiaberto, mas negou o livramento condicional (e-STJ fls. 6/9). Contra a decisão, a defesa impetrou habeas corpus, perante a Corte de origem, o qual indeferiu liminarmente o mandamus, recebendo o acórdão a seguinte ementa (e-STJ fl. 116): Habeas corpus - Pretendida reforma de decisão que indeferiu pedido de livramento condicional - Via inadequada para análise do pedido - Indeferimento Liminar Em sede de habeas corpus é inviável reexaminar decisão que indeferiu o pedido de livramento condicional. A matéria deve ser apreciada em grau de recurso pelo próprio Tribunal de Justiça, mas em sede de Agravo em Execução. Nesta impetração, a defesa alega que o art. 83 do Código Penal não exige que o apenado tenha progredido de regime para ter acesso ao benefício. Complementa que a Terceira Seção do STJ, ao julgar o REsp n. 1.970.217/MG, estabeleceu que o requisito subjetivo para o livramento condicional deve ser avaliado considerando todo o histórico carcerário do reeducando. Aduz, com isso, que é plenamente aplicável a exceção à Súmula 691 do STF, autorizando o conhecimento do presente habeas corpus para conceder de ofício a Ordem. Ressalta que a apenada é primária, está presa desde 19/06/2023, cumpriu cerca de 44% da pena total, ultrapassando com folga o requisito objetivo previsto no art. 83 do Código Penal, apresenta boa conduta carcerária, teve exame criminológico favorável e trabalha desde o primeiro dia de custódia na unidade prisional. Diante disso, requer, liminarmente e no mérito, a concessão do livramento condicional. É o relatório. Decido . Não há como prosseguir a irresignação. O Tribunal, ao julgar o writ, na Corte de origem, indeferiu liminarmente o pedido, por considerar que matérias atinentes à execução são melhor apreciadas por meio do recurso de agravo em execução. É certo que o habeas corpus, por ser uma ação de cunho constitucional, deve abarcar várias situações em que os direitos fundamentais estiverem sendo violados ou ameaçados. Contudo, no caso, em consulta ao site do Tribunal de Justiça, 1ª instância, processo de execução, verifiquei que ainda não houve a expedição da certidão do decurso do prazo para interposição do recurso adequada, qual seja, o agravo em execução. Não padece de ilegalidade o acórdão recorrido que deixa de conhecer de habeas corpus, por veicular idêntico tema posto em agravo em execução já interposto pelo paciente, impugnando a mesma decisão de primeiro grau e pendente de julgamento pelo Tribunal de origem. Nesse sentido: HABEAS CORPUS. SENTENÇA CONDENATÓRIA. NULIDADES. HABEAS CORPUS IMPETRADO NA ORIGEM DE FORMA CONTEMPORÂNEA À APELAÇÃO, AINDA PENDENTE DE JULGAMENTO. MESMO OBJETO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COGNIÇÃO MAIS AMPLA E PROFUNDA DA APELAÇÃO. RACIONALIDADE DO SISTEMA RECURSAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. 1. A existência de um complexo sistema recursal no processo penal brasileiro permite à parte prejudicada por decisão judicial submeter ao órgão colegiado competente a revisão do ato jurisdicional, na forma e no prazo previsto em lei. Eventual manejo de habeas corpus, ação constitucional voltada à proteção da liberdade humana, constitui estratégia defensiva válida, sopesadas as vantagens e também os ônus de tal opção. 2. A tutela constitucional e legal da liberdade humana justifica algum temperamento aos rigores formais inerentes aos recursos em geral, mas não dispensa a racionalidade no uso dos instrumentos postos à disposição do acusado ao longo da persecução penal, dada a necessidade de também preservar a funcionalidade do sistema de justiça criminal, cujo poder de julgar de maneira organizada, acurada e correta, permeado pelas limitações materiais e humanas dos órgãos de jurisdição, se vê comprometido - em prejuízo da sociedade e dos jurisdicionados em geral - com o concomitante emprego de dois meios de impugnação com igual pretensão. 3. Sob essa perspectiva, a interposição do recurso cabível contra o ato impugnado e a contemporânea impetração de habeas corpus para igual pretensão somente permitirá o exame do writ se for este destinado à tutela direta da liberdade de locomoção ou se traduzir pedido diverso em relação ao que é objeto do recurso próprio e que reflita mediatamente na liberdade do paciente. Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões idênticas deve ser reservado ao recurso previsto para a hipótese, ainda que a matéria discutida resvale, por via transversa, na liberdade individual. 4. A solução deriva da percepção de que o recurso de apelação detém efeito devolutivo amplo e graus de cognição - horizontal e vertical - mais amplo e aprofundado, de modo a permitir que o tribunal a quem se dirige a impugnação examinar, mais acuradamente, todos os aspectos relevantes que subjazem à ação penal. Assim, em princípio, a apelação é a via processual mais adequada para a impugnação de sentença condenatória recorrível, pois é esse o recurso que devolve ao tribunal o conhecimento amplo de toda a matéria versada nos autos, permitindo a reapreciação de fatos e de provas, com todas as suas nuanças, sem a limitação cognitiva da via mandamental. Igual raciocínio, mutatis mutandis, há de valer para a interposição de habeas corpus juntamente com o manejo de agravo em execução, recurso em sentido estrito, recurso especial e revisão criminal. 5. Quando o recurso de apelação, por qualquer motivo, não for conhecido, a utilização de habeas corpus, de caráter subsidiário, somente será possível depois de proferido o juízo negativo de admissibilidade da apelação pelo Tribunal ad quem, porquanto é indevida a subversão do sistema recursal e a avaliação, enquanto não exaurida a prestação jurisdicional pela instância de origem, de tese defensiva na via estreita do habeas corpus. 6. Na espécie, houve, por esta Corte Superior de Justiça, anterior concessão de habeas corpus em favor do paciente, para o fim de substituir a custódia preventiva por medidas cautelares alternativas à prisão, de sorte que remanesce a discussão - a desenvolver-se perante o órgão colegiado da instância de origem - somente em relação à pretendida desclassificação da conduta imputada ao acusado, tema que coincide com o pedido formulado no writ. 7. Embora fosse, em tese, possível a análise, em habeas corpus, das matérias aventadas no writ originário e aqui reiteradas - almejada desclassificação da conduta imputada ao paciente para o crime descrito no art. 93 da Lei n. 8.666/1993 (falsidade no curso de procedimento licitatório), com a consequente extinção da sua punibilidade -, mostram-se corretas as ponderações feitas pela Corte de origem, de que a apreciação dessas questões implica considerações que, em razão da sua amplitude, devem ser examinadas em apelação (já interposta). 8. Uma vez que a pretendida desclassificação da conduta imputada ao réu ainda não foi analisada pelo Tribunal de origem, fica impossibilitada a apreciação dessa matéria diretamente por esta Corte Superior de Justiça, sob pena de, se o fizer, suprimir a instância ordinária. 9. Não há, no ato impugnado neste writ, manifesta ilegalidade que justifique a concessão, ex officio, da ordem de habeas corpus, sobretudo porque, à primeira vista, o Juiz sentenciante teria analisado todas as questões processuais e materiais necessárias para a solução da lide. 10. Habeas corpus não conhecido. (HC 482.549/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 11/3/2020, DJe 3/4/2020) Com efeito, as irresignações da defesa serão melhor analisadas por ocasião do julgamento do agravo em execução, que poderá ainda ser interposto, recurso esse que possui espectro de conhecimento bem mais amplo e aprofundado do que o permitido no rito do habeas corpus. Ante o exposto, com fundamento no artigo 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Intimem-se. EMENTA