HC 963103 - DECISAO
Não conheceu-se do habeas corpus por funcionar como substituto de recurso próprio, mas, de ofício, concedeu-se a ordem para reconhecer como período de pena cumprida o tempo em que o acusado permaneceu solto em livramento condicional até a data da nova prisão e para estabelecer como data-base para concessão de novos...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: GISELE PERES DE QUINTA SOARES; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Em Sede De Habeas Corpus (não Conhecido E Concessão De Ofício)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido; ordem de ofício concedida para reconhecer período de prova como pena cumprida e estabelecer a data da nova prisão como data-base
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Unificação De Penas, Data Base Para Benefícios, Revogação Do Livramento Condicional, Contagem De Pena
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GISELE PERES DE QUINTA SOARES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Em Sede De Habeas Corpus (não Conhecido E Concessão De Ofício)
Legal Issues
- 1 Se cabe habeas corpus substitutivo de recurso contra acórdão
- 2 Qual é a data-base para concessão de novos benefícios após revogação do livramento condicional e unificação de penas
- 3 Se o período de prova anterior deve ser considerado como pena cumprida
Ratio Decidendi
Não conheceu-se do habeas corpus por funcionar como substituto de recurso próprio, mas, de ofício, concedeu-se a ordem para reconhecer como período de pena cumprida o tempo em que o acusado permaneceu solto em livramento condicional até a data da nova prisão e para estabelecer como data-base para concessão de novos benefícios a data da nova prisão, com fundamento na jurisprudência do STJ e nas normas penais aplicáveis.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido; ordem de ofício concedida para reconhecer período de prova como pena cumprida e estabelecer a data da nova prisão como data-base
Orders
- Reconhecer como período de pena cumprida o tempo de período de prova em que o acusado permaneceu solto em livramento condicional até a data da nova prisão
- Estabelecer como data-base para concessão de novos benefícios, inclusive para novo livramento condicional, a data da nova prisão, ressalvados desdobramentos posteriores
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de GISELE PERES DE QUINTA SOARES contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS no Agravo em Execução Penal n. 5808588-12.2024.8.09.0000. Consta dos autos que o juízo da execução penal revogou o livramento condicional e unificou as penas, em razão de nova condenação durante o período de prova do benefício. A defesa interpôs recurso de agravo em execução, ao argumento de que deve ser alterada a data considerada como revogação do livramento condicional, subsumindo, em síntese, que a decisão prolatada em 04/12/2023 fora revogada pelo decisum encartado na mov. 90 (Autos do SEEU n. 7000039-29.2021.8.09.0093), devendo, portanto, ser considerada a data de 23/01/2024, como marco interruptivo. No julgamento do agravo em execução penal interposto pela defesa, o Tribunal manteve a decisão (fl. 9-19). No presente habeas corpus, o impetrante alega equívoco no lançamento de dados do SEEU, período de pena cumprido até a data de 23/01/2024, base a ser considerada como revogação do livramento condicional e tempo de pena cumprida. (fl. 3-8). A autoridade coatora prestou informações (fl. 933-945 e 947-953). O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do habeas corpus e pela concessão da ordem de ofício (fl. 958-963). É o relatório. DECIDO. Cinge-se a controvérsia acerca de possível coação ilegal em razão da indevida alteração da data-base para benefícios após unificação de penas. Contudo, a presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A 3ª Seção, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Entretanto, diante da possibilidade de concessão da ordem de ofício, em caso de coação ilegal, em observância § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal, passo à análise das alegações defensivas No caso dos autos, o livramento condicional foi revogado em razão de nova condenação por crime praticado antes do início do benefício; logo, o período de prova deve ser considerado como pena cumprida, conforme art. 86, inciso II, c/c art. 88 do Código Penal. Além disso, sobrevindo nova condenação, houve unificação de penas, com alteração da data-base, e a discussão dos autos é se o novo marco interruptivo para benefícios deve ser a data da decisão que revogou o benefício do livramento condicional ou a data da nova decisão que reconsiderou aquela tão somente para tratar dos efeitos da revogação. Todavia, conforme ressaltado pelo Ministério Público Federal, nenhuma das duas datas deve ser considerada data-base, mas sim a data da última prisão, pois com a revogação do livramento condicional houve nova segregação, devendo esta ser a nova data-base, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DATA-BASE PARA O BENEFÍCIO DO LIVRAMENTO CONDICIONAL. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O acórdão impugnado está em consonância com o entendimento desta Corte, pois os benefícios da execução da pena, inclusive o livramento condicional, devem ser contados a partir da última prisão do apenado, em virtude das anteriores terem sido interrompidas. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 878.859/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus, mas concedo a ordem de habeas corpus, de ofício, para reconhecer como período de pena cumprida o tempo de período de prova em que o acusado permaneceu solto em livramento condicional até a data da nova prisão; e estabelecer como data-base para concessão de novos benefícios, inclusive para novo livramento condicional, a data da nova prisão, ressalvados desdobramentos posteriores. Intime-se, com urgência, a origem para o cumprimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA