HC 926433 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração se apresenta como sucedâneo de recurso próprio, e não se vislumbrou flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão de ofício. A origem corretamente avaliou que o paciente não preenche o requisito subjetivo exigido para o livramento condicional diante da prática de...
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- Parties
- Paciente: DAVID AUGUSTO CORTADO SOUSA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo de Execução Penal n. 0005626-12.2024.8.26.0502)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus (pedido liminar indeferido); não verifico flagrante ilegalidade
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Progressão De Regime, Falta Disciplinar Grave, Requisito Subjetivo, Uso Do Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Próprio, Tema 1.161 Do STJ
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Parties
DAVID AUGUSTO CORTADO SOUSA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo de Execução Penal n. 0005626-12.2024.8.26.0502)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio
- 2 preenchimento do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional
- 3 valoração do histórico prisional para fins de livramento condicional
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração se apresenta como sucedâneo de recurso próprio, e não se vislumbrou flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão de ofício. A origem corretamente avaliou que o paciente não preenche o requisito subjetivo exigido para o livramento condicional diante da prática de falta grave (novo crime no curso da execução), em consonância com o entendimento do STJ no Tema 1.161 de que a valoração do requisito subjetivo considera todo o histórico prisional.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus (pedido liminar indeferido); não verifico flagrante ilegalidade
Orders
- Indeferido o pedido liminar.
- Não conheço do habeas corpus com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de DAVID AUGUSTO CORTADO SOUSA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo de Execução Penal n. 0005626-12.2024.8.26.0502). Consta dos autos que, na execução penal, foi indeferido o benefício de livramento condicional ao paciente. O impetrante sustenta que o paciente estaria sofrendo constrangimento ilegal pois a exigência de prévia passagem pelo regime semiaberto para fins de obtenção do livramento condicional, significaria impor, ilegalmente, condições restritivas ao cumprimento da pena e tornaria inviável a concessão do benefício. Alega que o paciente preencheria todos os requisitos legais obtenção da progressão de regime, inclusive o requisito subjetivo na medida em que a última falta não teria sido cometida nos últimos doze meses, conforme disciplina do art. 83, III, b, da Lei n. 13.964/2019. Requer, liminarmente, o reconhecimento do direito do paciente de aguardar em liberdade o julgamento do presente habeas corpus. No mérito, pugna pela concessão da ordem definitiva para reconhecer a ilegalidade da decisão que indeferiu a concessão do livramento condicional. Indeferido o pedido liminar na decisão às e-STJ fls. 337-338. Prestadas informações pela origem (e-STJ fls. 344-356 e 360-363). O Ministério Público Federal emitiu parecer pela denegação da ordem (e-STJ fls. 364-369). É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça entende que é inadmissível a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior (grifei): PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024 - grifo próprio.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024.) Por outro lado, o exame dos autos não indica a existência de ilegalidade flagrante, apta a autorizar a concessão da ordem de ofício. A controvérsia refere-se ao preenchimento do requisito subjetivo necessário à concessão da progressão do regime de cumprimento da pena privativa de liberdade. No que tange à alegação da defesa, assim entendeu o Tribunal de origem (e-STJ fls. 212-213): Anote-se que não se pode tratar o executado faltoso da mesma forma que aquele que atendeu integralmente às regras impostas no curso do cumprimento da pena. A concessão do beneficio viola o princípio da individualização da pena, o que não pode ser aceito. Nesse sentido, tese de número 13, do E. o STJ. "A falta disciplinar grave impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a ausência do requisito subjetivo relativo ao comportamento satisfatório durante o resgate da pena, nos termos do art. 83, III, do Código Penal - CP" Destaca-se o recente Tema 1161, do E. STJ: "A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal". Pelo exposto, indefiro o pedido. Da leitura da fundamentação acima verifica-se que o entendimento da origem está em consonância com o entendimento desta Corte Superior. Com efeito, o STJ em recurso repetitivo, Tema 1.161, fixou a seguinte tese: "A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal". A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal. No caso concreto, o origem corretamente entendeu que o recorrido não preenche os requisitos para a obtenção do livramento condicional, diante da prática de falta grave, considerada pelo juízo da execução - novo crime no curso da execução. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA