HC 1032252 - DECISAO
Superada a Súmula 691/STF apenas em relação à revogação do livramento condicional, determinou-se que o Juízo das Execuções suspenda o livramento condicional em vez de revogá-lo, salvo se a condenação já tiver transitado em julgado, mantendo-se o apenado no regime em que se encontra (semiaberto).
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- Parties
- Paciente: MAICLERSON GOMES DA SILVA; Impetrado: Relator do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Liminar (liminar Deferida Em Parte)
- Outcome
- liminar deferida em parte
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Prisão Domiciliar Humanitária, Suspensão Do Livramento Condicional, Revogação Do Livramento Condicional, Regressão Cautelar De Regime, Supressão De Instância (súmula 691/stf), Oitiva Prévia
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Parties
MAICLERSON GOMES DA SILVA
Paciente
Relator do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Impetrado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Liminar (liminar Deferida Em Parte)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ (Súmula 691/STF)
- 2 legalidade da revogação do livramento condicional sem trânsito em julgado
- 3 possibilidade de suspensão cautelar do livramento condicional sem oitiva prévia
Ratio Decidendi
Superada a Súmula 691/STF apenas em relação à revogação do livramento condicional, determinou-se que o Juízo das Execuções suspenda o livramento condicional em vez de revogá-lo, salvo se a condenação já tiver transitado em julgado, mantendo-se o apenado no regime em que se encontra (semiaberto).
Court Disposition
liminar deferida em parte
Orders
- Determinar que o Juízo das Execuções Criminais, ao invés de revogar o livramento, suspenda o benefício, exceto se a condenação já tiver sido transitada em julgado, mantendo o apenado no regime em que se encontra (no caso, o semiaberto).
- Comunique-se, com urgência.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, interposto em benefício de MAICLERSON GOMES DA SILVA, impetrado contra decisão liminar proferida por Relator do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julgamento do HC n. 2278527-74.2025.8.26.0000. Consta dos autos que o Juiz das Execuções Criminais revogou o livramento condicional e indeferiu o pedido de prisão domiciliar humanitária (e-STJ, fls. 19/21). Contra a decisão, a defesa impetrou habeas corpus, perante a Corte de origem, mas o Relator indeferiu a liminar (e-STJ, fls. 11/15). Nesta impetração, a defesa alega que a saúde debilitada do genitor do apenado necessita exclusivamente de seus cuidados. Informa que a prisão domiciliar foi concedida à corré, parte no mesmo processo em que o executado foi condenado, com fundamentos que não são de caráter pessoal. Assevera que o executado já estava inserido no mercado de trabalho e que a revogação do livramento condicional acarretará um prejuízo financeiro irreparável. Afirma que houve cerceamento de defesa, diante da ausência de oitiva prévia à revogação do livramento. Diante disso, requer, liminarmente e n o mérito, seja assegurado ao apenado o direito de cumprir o restante de sua pena em prisão domiciliar humanitária. É o relatório. Decido. Consoante o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula 691) e por este Superior Tribunal de Justiça, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, sob pena de indevida supressão de instância. Em que pese a defesa tenha pedido expressamente apenas a prisão domiciliar, entendo que ela também requereu a revogação do livramento, uma vez que fundamentou na exordial que a revogação foi ilegal. Quanto à domiciliar, não há flagrante ilegalidade na decisão de origem, a ponto de ser superada a supressão de instância. Todavia, no tocante ao livramento, visualizo, em parte, manifesta ilegalidade no ato ora impugnado a justificar a superação da Súmula supracitada. Vejam-se os fundamentos utilizados pelo Juiz de primeiro grau, para revogar o benefício - STJ, fls. 19/20: O sentenciado encontrava-se em livramento condicional quando sobreveio acórdão que majorou a reprimenda para 13 (treze) anos e 3 (três) meses de reclusão, fixando o regime inicial fechado. Com a juntada do referido acórdão às fls. 1083/1228 e antes da apreciação acerca da eventual revogação do livramento condicional, procedeu-se à atualização do cálculo das penas, em observância à nova reprimenda e ao regime fixado. .. Dessa forma, o livramento condicional concedido deve ser revogado nos termos do art. 145 da Lei de Execução Penal, uma vez que a majoração da pena e a fixação do regime inicial fechado tornam o benefício incompatível com a execução penal atual. Assim sendo, nos termos do V. Acórdão de fls. 1083/1228, revogo o livramento condicional anteriormente concedido ao sentenciado Maiclerson Gomes da Silva e fixo como regime atual de cumprimento da pena, o semiaberto, em razão da progressão já implementada pelo novo cálculo de liquidação. Ocorre que a lei autoriza a revogação do livramento apenas quando a condenação é transitada em julgado. No caso, não há notícias nos autos do trânsito em julgado, e, sim, apenas que a pena foi majorada no recurso de apelação, conforme relatou o Magistrado singular. Veja-se a legislação, nesse sentido: Lei de Execuções Penais: Art. 145. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final. Código Penal: Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença irrecorrível: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - por crime cometido durante a vigência do benefício; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Como a suspensão tem natureza cautelar, e não definitiva, não há que falar em cerceamento de defesa por falta de oitiva prévia do executado. Nesse sentido: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. SUSPENSÃO DO LIVRAMENTO CONDICIONAL. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus substitutivo, tampouco concedeu a ordem de ofício, diante da suspensão do livramento condicional e regressão cautelar do regime prisional para o semiaberto, motivadas por notícia de novo crime e descumprimento das condições impostas no curso do benefício. A defesa alegou constrangimento ilegal por ofensa ao princípio do ne bis in idem e pleiteou a revogação do mandado de prisão com o restabelecimento do regime aberto. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) verificar se é cabível habeas corpus substitutivo em face da decisão que determinou a regressão cautelar de regime e a suspensão do livramento condicional; (ii) determinar se a adoção simultânea das medidas mencionadas configura bis in idem ou ofensa a garantias fundamentais do apenado. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, conforme jurisprudência pacífica do STJ e do STF, salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade. 4. A suspensão do livramento condicional e a regressão cautelar do regime são medidas cautelares distintas e compatíveis, quando fundadas em fatos concretos, como a prática de novo delito durante o período de prova e o descumprimento das condições do benefício. 5. A prática de novo crime, ainda que sem condenação transitada em julgado, autoriza a suspensão cautelar do livramento condicional, nos termos do art. 86, I, do Código Penal, especialmente se associada a outras faltas, como a não comprovação de comparecimento periódico e o descumprimento do horário de recolhimento noturno. 6. A jurisprudência do STJ reconhece a possibilidade de regressão cautelar de regime sem oitiva prévia do condenado, desde que o provimento tenha natureza cautelar e seja assegurada posterior oportunidade de justificação. 7. Não há constrangimento ilegal na adoção concomitante das medidas, pois decorrem de fundamentos distintos e não implicam dupla punição pelo mesmo fato. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Recurso desprovido. Tese de julgamento: a) o habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso próprio, salvo em hipóteses excepcionais de flagrante ilegalidade; b) a suspensão do livramento condicional e a regressão cautelar de regime são juridicamente compatíveis e não configuram bis in idem; c) a prática de novo delito e o descumprimento das condições impostas durante o período de prova autorizam a suspensão do benefício e a fixação de regime mais gravoso, ainda que sem prévia audiência de justificação, desde que assegurada posteriormente. (AgRg no HC n. 988.738/MG, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 14/5/2025, DJEN de 21/5/2025.) EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. SUSPENSÃO CAUTELAR DE LIVRAMENTO CONDICIONAL. PRÁTICA DE NOVO DELITO. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão que deu provimento ao recurso especial do Ministério Público para determinar a suspensão cautelar do livramento condicional do apenado, em razão da prática de novo delito durante o período de prova. II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste na legalidade da suspensão do livramento condicional em razão da prática de novo delito durante o período de prova, sem a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. III. Razões de decidir3. A jurisprudência do STJ estabelece que a prática de nova infração penal durante o livramento condicional autoriza a suspensão cautelar do benefício, sem necessidade de prévia ouvida do reeducando ou de sentença condenatória transitada em julgado. 4. A suspensão do livramento condicional é medida acautelatória que visa resguardar a execução penal e a ordem pública, sendo compatível com o art. 145 da Lei de Execução Penal. IV. Dispositivo e tese5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A prática de nova infração penal durante o livramento condicional autoriza a suspensão cautelar do benefício, sem necessidade de prévia ouvida do reeducando ou de sentença condenatória transitada em julgado. 2. A suspensão do livramento condicional é medida acautelatória que visa resguardar a execução penal e a ordem pública, sendo compatível com o art. 145 da Lei de Execução Penal." Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 145.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 936.722/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 30/10/2024; STJ, AgRg nos EDcl no HC n. 937.011/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/10/2024; STJ, AgRg no HC n. 820.031/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 12/6/2023. (AgRg no REsp n. 2.176.612/BA, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 26/2/2025, DJEN de 7/3/2025.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. SUSPENSÃO DE LIVRAMENTO CONDICIONAL. NOVO CRIME DURANTE O PERÍODO DE PROVA. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento ao recurso ordinário em habeas corpus, mantendo a suspensão do livramento condicional do agravante devido à notícia de novo crime durante o período de prova. 2. O Tribunal de origem manteve a decisão do juízo de execução penal que suspendeu o livramento condicional, sem a realização de audiência de justificação, com base na prática de suposto novo crime. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a suspensão do livramento condicional, sem comprovação judicial do novo crime e sem audiência de justificação, fere os princípios da presunção de inocência, legalidade, contraditório e ampla defesa. 4. Se há necessidade de audiência de justificação para a suspensão do livramento condicional, considerando a alegação de que a suspensão sem trânsito em julgado do novo crime viola o princípio da presunção de inocência. III. Razões de decidir 5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça permite a regressão cautelar do regime prisional sem a oitiva prévia do condenado, sendo esta exigida apenas para a regressão definitiva. 6. A prática de suposto novo crime durante o período de prova autoriza a suspensão do livramento condicional, conforme o art. 145 da Lei de Execução Penal, sem que isso configure ofensa ao princípio da presunção de inocência. 7. A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período de prova ensejaria a extinção da punibilidade, conforme a Súmula 617 do STJ. 8. O agravo regimental não apresentou argumentos novos capazes de alterar a decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. IV. Dispositivo e tese 9. Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. A suspensão do livramento condicional pode ocorrer sem audiência de justificação, em caso de suposto novo crime durante o período de prova. 2. A prática de novo crime durante o período de prova autoriza a suspensão do livramento condicional, sem ofensa ao princípio da presunção de inocência. 3. A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período de prova ensejaria a extinção da punibilidade". Dispositivos relevantes citados: Código Penal, arts. 83, 86, 87, 88, 89, 90; Lei de Execução Penal, art. 145.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 771.470/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Pacionik, DJe de 22/12/2022; STJ, AgRg no HC 438.243/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 13/08/2019; STJ, AgRg no RHC 174.712/MS, Sexta Turma, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, DJe de 9/3/2023. (AgRg no RHC n. 207.186/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 24/2/2025.) Ante o exposto, defiro a liminar, com superação da Súmula 691/STF, apenas para determinar que o Juízo das execuções criminais, ao invés de revogar o livramento, suspenda o benefício, exceto se a condenação já tiver sido transitada em julgado, mantendo o apenado, contudo, no regime em que se encontra (no caso, o semiaberto). Comunique-se, com urgência. Intimem-se. EMENTA