HC 1033708 - DECISAO
Não se constatou flagrante ilegalidade no acórdão do Tribunal de origem; o indeferimento do livramento condicional fundada-se em fatos ocorridos na execução penal (histórico de faltas graves e exame criminológico desfavorável, com relatório psicológico contrariamente ao livramento condicional), e o habeas corpus não...
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- Parties
- Paciente: TAILSON FREITAS DE MELO; Instância Originária/órgão Prolator Do Acórdão: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida; ordem de habeas corpus não concedida
- Legal Topics
- Livramento Condicional, Requisito Subjetivo, Falta Grave, Exame Criminológico, Progressão De Regime, Cabimento Do Habeas Corpus Substitutivo
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Parties
TAILSON FREITAS DE MELO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Instância Originária/órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 se o requisito subjetivo para concessão do livramento condicional está preenchido
- 2 se cabe habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 3 se é admissível reexame de matéria fático-probatória em habeas corpus
Ratio Decidendi
Não se constatou flagrante ilegalidade no acórdão do Tribunal de origem; o indeferimento do livramento condicional fundada-se em fatos ocorridos na execução penal (histórico de faltas graves e exame criminológico desfavorável, com relatório psicológico contrariamente ao livramento condicional), e o habeas corpus não pode ser utilizado para reexaminar matéria fático-probatória ou substituir recurso próprio, razão pela qual a ordem foi recusada.
Court Disposition
liminar indeferida; ordem de habeas corpus não concedida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de TAILSON FREITAS DE MELO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado: DIREITO PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO. LIVRAMENTO CONDICIONAL. REQUISITO SUBJETIVO NÃO ATENDIDO. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em Exame 1. Sentenciado Tailson Freitas de Melo interpõe agravo contra decisão que indeferiu seu pedido de livramento condicional, alegando cumprimento dos requisitos necessários, incluindo bom comportamento carcerário e laudos favoráveis. A decisão foi mantida, e a Procuradoria de Justiça manifestou-se pelo não provimento do agravo. II. Questão em Discussão 2. A questão em discussão consiste em verificar se o sentenciado atende ao requisito subjetivo para concessão do livramento condicional, considerando seu histórico prisional e os laudos apresentados. III. Razões de Decidir 3. Embora o sentenciado tenha cumprido o tempo necessário para o benefício, não satisfaz o requisito subjetivo devido ao histórico de faltas graves e média, além de exame criminológico desfavorável. 4. O relatório psicológico sugere progressão para regime semiaberto, mas não para livramento condicional, de modo que, apesar de serem verificadas melhoras, há necessidade de acompanhamento mais próximo ao apenado. 5. A segurança social exige que apenas aqueles inequivocamente capacitados para reintegração sejam promovidos a modalidades mais brandas de cumprimento de pena. IV. Dispositivo e Tese 6. Recurso desprovido, mantendo-se a decisão agravada. O sentenciado deve continuar a cumprir sua pena no regime atual, pois não demonstrou méritos concretos para o livramento condicional. Tese de julgamento: 1. O requisito subjetivo para livramento condicional não foi atendido devido a faltas graves e laudos desfavoráveis. 2. A segurança social prevalece em caso de dúvida sobre a capacidade de reintegração do sentenciado. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, tendo em vista que está preenchido o requisito subjetivo para concessão do benefício de livramento condicional, pois sempre apresentou bom comportamento carcerário, não constam faltas disciplinares a serem reabilitadas, bem como laborou e está estudando na unidade prisional. Aduz, ainda, que o direito do paciente a concessão do benefício do livramento condicional está ultrapassado em seis meses, eis que se consolidou em fevereiro de 2025, bem como que foram cumpridas todas as exigências da LEP em todas as suas saídas temporárias . Defende, também, que a conclusão do laudo do exame criminológico realizado recentemente foi favorável em todas as áreas à concessão do benefício do livramento condicional ao paciente. Requer, em suma, a concessão do benefício de livramento condicional. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto à controvérsia apresentada: Ainda, registra em seu histórico prisional o cometimento de 3 (três) faltas graves e 1 (uma) falta média, de modo que a última falta foi reabilitada apenas no final do ano passado, em 23.12.2024 (fls. 23). No mais, o exame criminológico não lhe foi inteiramente favorável, o que não permite a conclusão incontroversa de seu mérito para o resgate de pena em liberdade condicional. A bem da verdade, o relatório psicológico foi favorável á concessão de regime semiaberto e contrária ao livramento condicional (fl. 13). A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a gravidade abstrata do crime e a longa pena a cumprir, por não serem aspectos relacionados ao comportamento do sentenciado durante a execução penal, não justificam o indeferimento dos benefícios executórios pelo não preenchimento do requisito subjetivo, que deve estar fundado em fatos ocorridos ao longo da execução penal. Da mesma forma o entendimento consolidado por esta Corte é de que não há obrigatoriedade de o sentenciado passar por regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, ante a inexistência de previsão no art. 83 do Código Penal. Nesse sentido, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. AUSÊNCIA DE REQUISITO SUBJETIVO. HISTÓRICO PRISIONAL QUE REGISTRA A PRÁTICA DE FALTA GRAVE (FUGA). IDONEIDADE DA FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. 1. Esta Corte Superior pacificou o entendimento segundo o qual, ainda que haja atestado de boa conduta carcerária, a análise desfavorável do mérito do condenado feita pelo Juízo das execuções, ou mesmo pelo Tribunal de origem, com base nas peculiaridades do caso concreto e levando em consideração fatos ocorridos durante a execução penal, justifica o indeferimento tanto do pleito de progressão de regime prisional quanto do de concessão de livramento condicional pelo inadimplemento do requisito subjetivo. 2. No caso dos autos, o indeferimento do livramento condicional se deu em razão da ausência do requisito subjetivo, considerando, para tanto, o histórico prisional do paciente, no qual consta que ele praticou falta de natureza grave (fuga), o que evidencia a idoneidade da fundamentação utilizada, não havendo falar, portanto, em existência de flagrante ilegalidade que justifique a concessão da ordem. 3. Ressalte-se, ainda, que o afastamento dos fundamentos utilizados pelas instâncias ordinárias quanto ao mérito subjetivo do paciente demandaria o reexame de matéria fático-probatória, providência inadmissível na via estreita do habeas corpus. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 584.224/RS, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL INDEFERIDO NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. PROGRESSÃO PER SALTUM. FALTA GRAVE RECENTE QUE CONSTITUI FUNDAMENTO IDÔNEO PARA O INDEFERIMENTO DA BENESSE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se à nova jurisprudência da Corte Suprema, também passou a restringir as hipóteses de cabimento do habeas corpus, não admitindo que o remédio constitucional seja utilizado em substituição ao recurso ou ação cabível, ressalvadas as situações em que, à vista da flagrante ilegalidade do ato apontado como coator, em prejuízo da liberdade do paciente, seja cogente a concessão, de ofício, da ordem de habeas corpus. (AgRg no HC 437.522/PR, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2018, DJe 15/06/2018). 2. Na hipótese, o indeferimento do pedido de livramento condicional foi mantido, pelo Tribunal de Justiça com fundamento na necessidade de o apenado experimentar por mais tempo o regime semiaberto ao qual foi recentemente progredido, assim como na existência de falta grave recente decorrente de cometimento de novo delito, enquanto cumpria pena. 3. A jurisprudência desta Superior Corte de Justiça consolidou entendimento no sentido de que não há obrigatoriedade de o sentenciado passar por regime intermediário para que obtenha o benefício do livramento condicional, ante a inexistência de tal previsão no art. 83 do Código Penal. Precedentes: AgRg no HC n. 681.079/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/10/2021, DJe de 4/11/2021; AgRg no REsp 1.952.241/MG, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Sexta Turma, julgado em 9/11/2021, DJe 12/11/2021; (RHC 116.324/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 10/9/2019, DJe 18/9/2019. 4. Isso não obstante, a jurisprudência d esta Corte também é assente no sentido de que a prática de falta grave cometida durante a execução da pena impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a ausência do requisito subjetivo exigido durante o resgate da pena. Nessa linha, em recente julgamento do Recurso Especial n. 1.970.217/MG (Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Terceira Seção, julgado em 24/5/2023, DJe de 1º/6/2023), na sistemática dos recursos representativos de controvérsia (Tema 1161), em sessão de 24/5/2023, a Terceira Seção desta Corte firmou tese no sentido de que "A valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea "a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal." 5. No caso concreto, o executado interrompeu o cumprimento da pena em 12/08/2015, por abandono, ao não retornar da saída temporária, tendo sido recapturado em virtude de prisão em flagrante em 18/09/2018, sendo de se reconhecer que a falta grave homologada e somente reabilitada em 17/09/2019 perdurou pelo tempo durante o qual o apenado permaneceu evadido. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 872.027/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15.12.2023.) Ainda na mesma linha: AgRg no HC n. 835.267/RJ, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 27.10.2023. Contudo, na espécie, a orientação adotada na origem encontra-se em harmonia com a jurisprudência consolidada por esta Corte no sentido de que, embora a falta grave não interrompa o prazo para obtenção de livramento condicional, a prática de infrações disciplinares graves durante a execução da pena, bem como a existência de exame criminológico desfavorável, ainda que somente alguns de seus aspectos sejam negativos, demonstram a ausência do requisito subjetivo para concessão do referido benefício executório. Nessa linha, os seguintes julgados: AgRg no HC n. 813.574/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29.6.2023; AgRg no HC n. 763.755/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 10.3.2023.); AgRg no HC n. 778.699/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 15.6.2023; AgRg no HC n. 764.854/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 21.12.2022; AgRg no HC n. 788.010/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 19.12.2022; AgRg no HC n. 823.985/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 16.8.2023; AgRg no HC n. 843.673/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28.9.2023; AgRg no HC n. 823.985/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 16.8.2023. Ademais, a modificação das premissas fáticas delineadas pelas instâncias de origem ensejam o reexame do conteúdo probatório dos autos, o que é inadmissível em Habeas Corpus. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA